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No Brasil, Audrey Tautou diz que filmar em Hollywood foi ‘exótico’

Conhecida pelo papel de Amelie Poulain - que lhe rendeu participação no blockbuster 'O Código Da Vinci -, atriz francesa demonstra resistência ao cobiçado mercado americano

A atriz francesa Audrey Tautou não pertence a Hollywood. Nem contracenar com Tom Hanks no blockbuster O Código da Vinci a seduziu. Ou mesmo estrelar a campanha publicitária da grife Chanel. No Brasil para o lançamento do filme Uma Doce Mentira, exibido pela primeira vez nesta quarta-feira no Festival Varilux de Cinema Francês, em São Paulo, ela definiu a experiência nos Estados Unidos como “exótica”, em virtude do modelo industrial do cinema americano.

E Los Angeles classificou como uma cidade de hábitos “deprimentes”, onde as pessoas preferem usar carros a andar a pé, de metrô ou bicicleta. Sim, ela dispensa qualquer carona por uma boa caminhada. Tanto que, ao final da entrevista, se misturou aos pedestres e saiu andando do hotel até o local da exibição de seu filme, do outro lado da avenida Paulista. Sem seguranças ou estrelismos.

Com sorriso constante e carisma que faz lembrar a personagem que lhe alçou ao sucesso – a famosa Amelie Poulain -, Audrey abusa da simplicidade, apesar da beleza digna de comercial de TV. Não por acaso, foi a estrela da propaganda do perfume Chanel nº5, o mais famoso da marca. O que para ela não é motivo para se deixar envolver pela fama. “Por conta da carreira, tenho que me preocupar com a imagem. Mas não me considero uma pessoa ligada na aparência e na moda”, afirmou.

Para o lançamento do filme no Brasil, nem as unhas pintou. Os dedos, inclusive, pareciam inquietos, ela não parava de movimentá-los durante a conversa com os jornalistas. Com eles, apagou um cigarro antes de responder às perguntas. Não à toa, apesar de todo o glamour que cerca os atores e dos papéis densos que encara – a exemplo de Coco Chanel, na cinebiografia da estilista -, Audrey disse se identificar com Emilie, a protagonista de Uma Doce Mentira, por sua “falta de segurança e fragilidades”.

Embora exótico, Hollywood não está riscado dos planos da atriz. Ela afirma que pode voltar a filmar por lá, mas pontualmente. “Não desejo seguir a carreira nesse estilo”, disse a atriz de apenas 35 anos. Seu próximo projeto já está definido. Audrey vai interpretar Therese Desqueyroux, personagem principal de uma adaptação para o cinema de romance de Francois Mauriac, sob direção do francês Claude Miller. Um filme que considera ser a antítese da comédia que lança no Brasil. “Tem um caráter obscuro.”

Filme novo – Por enquanto, Audrey aparece divertida em Uma Doce Mentira e volta a lembrar Amelie Poulain, no papel de uma jovem inclinada a fazer o bem, mas que não usa os métodos mais eficazes. Ela interpreta Emilie, a dona de um salão de beleza recém-inaugurado, que se vê às voltas com a mãe triste pelo abandono do pai. Ao receber uma carta de amor anônima, ela decide repassá-la para a mãe, que se entusiasma diante da perspectiva de uma nova paixão. A carta, no entanto, havia sido escrita por Jean, um tímido funcionário do salão de Emilie, por quem a personagem de Audrey nutria sentimentos confusos. Forma-se um triângulo amoroso, de diálogos inteligentes e dignos de boas risadas.

A própria experiência de filmagem foi descontraída. “Cada cena era um prazer, o roteiro é bem concebido e escrito. No final do dia, fazíamos piquenique na praia e tomávamos banho de mar”, contou. O longa-metragem se passa em Sète, no sul da França. “Um lugar simpático, diferente da atmosfera de Paris. Me apaixonei pela cidade, gostaria de passar pelo menos uma semana por ano lá.”

Pela primeira vez no Brasil, ela teve oportunidade de passear no Museu de Arte de São Paulo (Masp) nesta terça-feira, onde disse ter sido reconhecida por um grupo de adolescentes. Nesta quinta-feira, viaja para o Rio de Janeiro. Ela veio ao país a convite do Festival Varilux de Cinema Francês, que promove a exibição de dez filmes inéditos em 22 cidades brasileiras. E disse conhecer pouco sobre a cultura e os artistas locais, mas que está adorando descobrir o país.