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‘Netflix precisa nos pagar terapia’, diz atriz de ‘Orange Is The New Black’

Elenco da série, que estreia sua terceira temporada nesta sexta-feira, fala sobre a preparação das personagens e os novos episódios: ‘São sobre a fé na maternidade’

Após duas fases intensas e de cenas marcantes, a série original da Netflix Orange Is The New Black chega à sua terceira temporada, disponibilizada no serviço de streaming nesta sexta-feira. Adaptada por Jenji Kohan (Weeds), do livro homônimo de memórias de Piper Kerman, a “dramédia” – mistura de drama e comédia – acompanha a vida de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma jovem rica que viu sua vida ser transformada após ser denunciada por tráfico por sua ex-namorada, Alex Vause (Laura Prepon). Na prisão, a protagonista e um forte elenco de apoio mostram o dia a dia de detentas da fictícia penitenciária de Litchfield e provam que há muito potencial, humor, conflitos e emoções por trás das histórias de cada uniforme laranja ou marrom. Apesar do toque cômico, o programa trata de assuntos densos como sexualidade, tráfico, violência e drogas. Em entrevista ao site de VEJA, as atrizes Samira Wiley, que interpreta Poussey Washington; Uzo Aduba, a “Crazy Eyes”; e Natasha Lyonne, que dá vida à personagem Nicky Nichols, falam sobre o futuro da série e os “traumas” colecionados até o momento.

“Os temas que abordamos são relevantes socialmente e nós precisamos falar sobre eles. É importante que façamos isso se queremos que exista alguma mudança ou amadurecimento das pessoas”, diz Uzo. As próprias atrizes reconhecem que esta não é uma tarefa fácil, contudo. “A cena na qual Crazy Eyes (Uzo) espanca Poussay para defender Vee foi de longe a mais difícil que eu interpretei”, diz Samira, sobre o episódio da segunda temporada. “Óbvio que tudo foi feito com segurança, principalmente porque Uzo foi bem treinada. Mas eu senti medo e foi difícil me concentrar naquele momento. Foi difícil passar pela cena, porque ela foi muito real. Eu não consegui parar de chorar quando acabou”, conta a atriz. “Eles deveriam te pagar terapia por isso, como fizeram comigo”, brinca Natasha, que, apesar do tom humorístico da frase, afirma ter realmente recebido acompanhamento psicológico, disponibilizado pela equipe da Netflix, para compor sua personagem, uma ex-viciada, e também durante as gravações.

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“A cena que abre a primeira temporada na qual contraceno com Red (Kate Mulgrow) exigiu muito de mim. Eu apareço chorando muito no banheiro e totalmente descontrolada”, diz Natasha. “O engraçado é que, quando nós recebemos os papeis com a descrição das cenas, não prestamos atenção no quanto a sequência vai exigir emocionalmente da gente. Às vezes não é mais do que uma linha de palavras e você não sabe o que ela vai significar até a hora de gravar. Como estamos trabalhando com excelentes atrizes, na hora da filmagem tudo acontece e a coisa se torna muito real”, conta.

A maior parte dos nomes que compõem o elenco de Orange Is The New Black tornou-se popular após a consagração da série, que foi indicada a quatro Globos de Ouro e a dez Emmys, dos quais venceu três. Samira, por exemplo, revela que durante o processo de criação de sua personagem ela buscou fugir de qualquer estereótipo. “A preparação e o estudo do papel é bem pessoal. Para mim, no início da carreira eu tinha todas essas ideias de quantos livros eu poderia ler para me preparar, quantos documentários eu deveria assistir ou com quantas pessoas eu tinha que conversar. Mas, no final, o que mais me ajudou com a Poussey foi olhar para essa personagem como uma pessoa, não como uma ficção”, diz a atriz que na série vive uma lésbica conhecida pelo bom humor, detida por tráfico.

Já Natasha traz os truques de suas experiências passadas – a atriz fez parte da franquia American Pie. “Uso muito da minha experiência pessoal, da minha bagagem e do que eu já vivi na hora de atuar. Aí, eu vou selecionando o que faz sentido para me inspirar ou não naquele momento”, diz.

A detenta desequilibrada Crazy Eyes, por sua vez, tornou-se personagem cada vez mais indispensável e se fez presente em vários capítulos da segunda temporada. “O mais importante para mim ao interpretar Suzanne era ter sempre os pés no chão”, diz Uzo, que venceu o Emmy 2014 de atriz convidada em série cômica. “Não quero que as pessoas a vejam simplesmente como ‘a louca’. Ela tem uma mensagem, um propósito. Ela tem voz e uma visão de mundo. As pessoas vão ter que ouvi-la.”

A terceira temporada trará novas personagens como Ruby Rose, que interpretará Stella Carlin, interna que vai despertar o interesse de Piper e Alex, bem como de outras prisioneiras. Os capítulos também contarão com o retorno de Lori Petty, que interpreta Lolly, prisioneira que conheceu Piper durante um vôo que a levou para Chicago. Já o ator Jason Biggs não está na nova rodada de episódios. Na história, ele interpreta Larry Bloom, um escritor filho de um advogado que mantém um relacionamento indeciso com Piper, mas isto não significa que esteja descartada sua participação no futuro. Orange Is The New Black mal retornou às telas e já conta com a produção de outra leva de capítulos para uma quarta temporada.

Sobre a fase que estreia nesta sexta, as atrizes fazem tom de mistério. “Se eu tivesse que definir a terceira temporada em poucas palavras seria sobre a fé na maternidade. Se fosse para resumir em uma frase, seria ‘mergulhe no que quiser e confie que vai dar certo'”, diz Uzo. Que comecem as apostas sobre o destino das detentas.