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Nem Zac Efron descamisado salva ‘Música, Amigos e Festa’

Longa de Max Joseph, de ‘Catfish’, da MTV, também apresenta olhar interessante sobre a música eletrônica, mas história não empolga

Após a comédia Vizinhos (2014), Zac Efron volta ao cinema no drama Música, Amigos e Festa, em cartaz desde esta quinta-feira, no Brasil. O filme, que estreou em 28 de agosto nos Estados Unidos, onde arrecadou cerca de 3,6 milhões de dólares, conta a história de Cole (Efron), um aspirante a DJ que fica amigo de um famoso nome da música eletrônica, James (Wes Bentley), de quem se torna uma espécie de discípulo ou seguidor nesse mundo, retratado de maneira interessante na produção. Esse é, aliás, ao lado das cenas de um Zac Efron descamisado como o Marcos Pasquim das tramas das sete da Globo, o ponto positivo do filme: o longa lança um olhar interessante sobre o universo da música eletrônica. Mas mesmo esse mergulho bem feito no gênero não é suficiente para sustentar o fraco enredo da produção.

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A amizade entre Cole e James é o ponto de partida para várias questões envolvendo o protagonista, que tem que lidar com a desaprovação de James aos seus velhos amigos e também com um amor proibido: ele é atraído pela namorada do amigo, uma trama batida.

A temática faz sentido ao se pensar no diretor, Max Joseph, VJ do programa Catfish, da MTV americana, que dirige aqui o primeiro longa. A experiência de Joseph no canal foi essencial para sua estreia no cinema. O diretor diz que a temática de Catfish, que explora jovens às voltas com problemas de identidade, influenciou o desenvolvimento do projeto. “Muita coisa de produção, até mesmo falas, design, conflitos internos que alguns personagens possuem, foi inspirada nas coisas que vi enquanto filmava meu programa”, diz Joseph ao site de VEJA. Retratar o mundo musical escolhido, o do eletrônico, por sua vez, foi uma preferência do diretor, apreciador do estilo, que se esforçou para deixar a trama o mais próximo possível da realidade bem conhecida por ele. “Sou fã desse gênero e seria o primeiro a criticar se visse um filme desse universo que não fosse acuradamente verdadeiro. Eu não queria que fosse assim com meu trabalho”.

O enredo do longa é direto. Um jovem que sonha em ser DJ conhece um famoso músico eletrônico em uma boate e se aproxima dele. Cole logo aprende a produzir, tocar e se apresentar. As cenas de James ensinando o que sabe são uma aula também para o espectador, que descobre que esse gênero não é resultado apenas de cliques de computador. Os processos de composição e gravação das faixas, através de instrumentos e de sons do ambiente, são muito explorados. Um homem com uma britadeira, por exemplo, pode se transformar em parte da música. O processo de criação a partir de sons do mundo real foi propositalmente destacado pelo diretor. “Muitas pessoas têm noções erradas sobre música eletrônica, pensam que é fácil, que é totalmente gerada por computador, não é assim. É uma arte, como pintar, fazer música acústica ou rock’n’ roll. É feita pelo mesmo processo de achar acordes, melodias, coisas que te tocam emocionalmente.”

Da espinha dorsal do filme, a amizade entre Cole e James, saem os dramas dos personagens. O abuso de drogas, o fato de James rejeitar os amigos de Cole e o clímax da trama: a paixão proibida do personagem de Efron pela namorada do amigo e mentor, Sophie (Emily Ratajkowski). Nesse aspecto, o longa não é criativo ou inovador. Problemas que são comuns a tantos dramas adolescentes com conclusões clichês. O diretor toma cuidado para não idealizar os heróis nem condenar os vilões, é bem verdade, um acerto que apenas impede que o tema batido se torne mais clichê ainda. Ao invés de definir as atitudes de cada um como boas e ruins, ele se limita a dizer que são parte do processo de amadurecimento do ser humano. “É o que temos na vida, nossas experiências nos mudam e com isso alteram nossas perspectivas sobre o mundo.” Sobre a presença das drogas, Joseph disse não ter medo de estereotipar o universo tratado ao mostrar abuso de narcóticos pelos DJs: “É assim mesmo. Não tem nada lá que eu não saiba que existe”, disse o diretor.

O filme, apesar da história fraca e sem grandes emoções, só é interessante pelo olhar que lança sobre o ambiente abordado. Para fãs de música eletrônica, o longa vale a pena pela excelente imersão que faz no mundo que gira em torno desse gênero. Os não apreciadores, entretanto, também podem se entreter, conhecendo um pouco desse ambiente. Joseph contou com a ajuda de nomes do meio, além de se dizer um frequentador de baladas, festivais e shows, o que permitiu que ele colocasse a própria vivência na tela. Música, Amigos e Festa dá uma boa aula sobre eletrônico, porém uma péssima aula de como se construir uma trama de cinema.