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Nasce a ‘Queer Ink’, primeira editora de temática homossexual da Índia

Moncho Torres.

Nova Délhi, 18 jul (EFE).- Os homossexuais da Índia estão assistindo à queda de mais uma barreira rumo a sua total aceitação, com a criação da primeira editora indiana focada na literatura gay, a Queer Ink, que lançará seu primeiro título no final deste mês.

Por trás do fenômeno Queer Ink está a pioneira Shobhna S. Kumar que, com 45 anos, é uma das ativistas indianas mais destacadas na luta pelos direitos da comunidade LGTB (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros).

A Queer Ink surgiu como uma livraria virtual voltada ao público gay do gigante asiático e, após dois anos em funcionamento e um catálogo de mais de 500 livros – 90 deles escritos por autores indianos -, sua criadora se lançou no mercado editorial.

‘Publicar (literatura LGBT) é uma necessidade, pois sabe-se muito pouco sobre a Índia gay’, explicou à Agência Efe Shobhna, de Mumbai, onde há dez anos se radicou, depois que decidiu abandonar Fiji, sua terra natal, para voltar ao país de seus antepassados.

‘Nosso objetivo é dar maior visibilidade à comunidade gay e mostrar portanto, apesar do que alguns pensam, que os homossexuais são uma peça importante da Índia’, ressaltou a ativista.

Na Índia os travestis (‘hijra’) existem há séculos, inclusive nas zonas rurais, e popularmente acredita-se que possuam poderes mágicos – o que não evita que os homossexuais sejam atacados com frequência em uma sociedade eminentemente conservadora.

O primeiro livro publicado pelo editorial Queer Ink será ‘Out!’ (‘Fora!’), uma compilação de 30 relatos sobre ‘a nova Índia gay’ nascida com a descriminalização dos atos homossexuais pelos tribunais do país em julho de 2009.

Essa descriminalização levou os escritores gays a ganhar confiança e liberdade ao publicar seus pontos de vista, declarou à agência indiana ‘Ians’ Anita Roy, da editora feminista Zubaan.

Para Divya Dubey, diretora da editora Gyaana que falou à Efe, a mudança fez com que publicar livros de temática homossexual se tornasse uma opção normal: ela mesma, por exemplo, decidiu publicar o livro ‘Pink Sheep’ (‘Ovelha Rosa’), de Mahesh Natarajan.

‘Para ser sincera, nunca o vi como um livro gay. O que torna essa obra especial é sua capacidade de transformar em algo comum o estilo de vida gay. Não se trata do ‘outro’, mas de gente como todos’, explicou Divya.

‘Pink Sheep’ integra o catálogo da livraria virtual da Queer Ink, como vários títulos do ‘poeta gay da Índia’, como é chamado Hoshang Merchant, ou de Raj Rao, que em 2003 publicou o primeiro romance indiano de cunho homossexual.

Também se destacam antologias como ‘Close, Too Close’ (‘Perto, Perto Demais’), na qual 15 escritores e artistas plásticos indianos ‘exploram livremente as ilimitadas possibilidades de gênero e sexualidade ao nosso redor’.

Entre os nomes da obra coletiva está o desenhista Anirban Ghosh com sua Arca de Noé gay, uma pintura que reúne de homens musculosos e fetichistas até um artista idoso de barba longa branca e lésbicas maduras de classe alta.

‘Trata-se de uma obra em preto e branco que chamei ‘A Arca Erótica’, em que se encontram vários membros da comunidade homossexual e tenta ser o mais inclusiva possível’, contou Ghosh à Efe.

Segundo a editora Shobhna, a Queer Ink recebeu ‘um grande número de manuscritos e muitos escritores procuraram a editora, interessados em publicar’, demonstrando que o nicho editorial indiano gay deve continuar crescendo. EFE