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Na novela ‘Novo Mundo’, nem todo elenco imita um bom sotaque

Atores do folhetim global das 6 passaram por intensas preparações vocais para falar como estrangeiros

Que sotaque nordestino, que nada. Em Novo Mundo, a poliglota novela das 6 da Rede Globo que estreou na semana passada, os atores tiveram que cortar um dobrado para aprender a falar como europeus. A aventura romântica ambientada no Brasil do início do século XIX, que tem como pano de fundo a chegada da princesa austríaca Leopoldina ao Rio de Janeiro e a presença da corte portuguesa na cidade, apresenta personagens italianos, portugueses, franceses, alemães. E a maioria fala com sotaque da terra natal – ou pelo menos tenta.

Quase não se percebem sinais anglo-saxões nas falas da protagonista Isabelle Drummond, que vive a inglesa Anna Millman, professora de português de Leopoldina. O mesmo vale para Gabriel Braga Nunes, que, no papel do oficial inglês Thomas Johnson, convence mais pela postura sisuda do que pelo normalmente inconfundível sotaque britânico. O diretor Vinicius Coimbra sai em defesa de seu elenco: “Anna foi criada por uma babá portuguesa e por isso já tem mais domínio sobre a língua. Assim como Thomas que, como militar, morou em muitos lugares e domina o português.”

Os “estrangeiros” da novela tiveram dois meses de aulas diárias com preparadores vocais e corporais. “Depois, lemos os primeiros 24 capítulos com os preparadores presentes. E eles continuam acompanhando as gravações. É uma tarefa difícil”, diz o diretor. Além de aulas de prosódia – estudo do acento e entonação das falas -, os artistas tiveram que aprender palavras em alemão, italiano, português de Portugal e dialetos indígenas e africanos.

Em vídeo, a atriz Letícia Colin, que vive a princesa Leopoldina, revelou que, no empenho para brilhar, encarou até aulas de “alemão austríaco”. “Ela[Leopoldina] tem um sotaque muito forte, especifico da Áustria, que é diferente do falado na Alemanha”, observou. Até agora acertou. Ingrid Guimarães, que interpreta a vilã Elvira, uma atriz portuguesa casada com Joaquim (Chay Suede), também sofreu para convencer (e convence) no idioma falado em Portugal. Conta Coimbra: “Ela pronunciava a frase, errava, ensaiava e a gente refazia as cenas. O sotaque português consegue ser muito mais difícil que o alemão.”