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Na Cidade do Rock, quem procura acha ingressos

Equipe do site de VEJA flagra venda de entradas por um homem saído da área onde se realiza o festival

Não há shows, os astros que levaram multidões ao delírio nos três primeiros dias do Rock in Rio estão descansando – ou já deixaram a cidade. Na Cidade do Rock, só entram as equipes de limpeza e de operários que cuidam dos inúmeros reparos necessários à segunda parte do festival. Do lado de fora, no entanto, existe um movimento incessante. São pessoas que foram até lá a passeio, para conhecer o que consideram um novo ponto turístico da cidade e – quem sabe? – conseguir ingressos para algum dos shows. A informação oficial, reafirmada na véspera do início do festival, é de que todos os 700 mil ingressos postos à venda – inclusive os do dia extra – foram vendidos. Ainda assim, a tosadora de cchorros Kheyla Almeida acabou ganhando um presente especial de aniversário.

“Ai, gente, será que o ‘vendedor’ não vai aparecer?”, perguntava Kheyla, aflita. A moça completa 23 anos domingo, dia 2, e pediu de presente de aniversário ao namorado Anderson Clay da Conceição um ingresso para ver o Guns N’ Roses. A aflição de Kheyla durou pouco. Minutos depois, apareceu um homem vestido com o uniforme da empresa responsável pelas obras da Cidade do Rock, perguntando para qual dia eles querem ingressos. Começou pedindo alto, mas acabou vendendo três ingressos por 580 reais – praticamente o preço oficial de 190 reais por entrada.

Questionados se não tinham medo de que os ingressos fossem falsificados, os felizes compradores apontaram para o estudante Andrey Abreu, que indicou o vendedor. Andrey, que já tinha comprado o ingresso para o dia 2 com o mesmo homem, atesta a qualidade do “serviço”. “Eu também não tinha conseguido comprar ingressos pela internet e nos shoppings, então comprei na mesma fonte e já assisti aos shows de sábado. Não tive o menor problema e agora vou voltar no dia do Guns”, diz o jovem, indicando o vendedor para outra amiga, a estudante Lavynia de Jesus, de 14 anos. Fã de carteirinha do Guns N’ Roses, ela é a única do grupo que não tem ingresso, porque ainda não juntou dinheiro para comprar. A jovem promete voltar hoje à Cidade do Rock para fechar mais uma compra. “Vou pedir dinheiro para o meu pai e para o meu tio”, decretou.

Antes de o grupo ir embora, o funcionário público Felipe Macedo tenta se inteirar sobre quem era o senhor que ainda tinha ingressos para os dias mais concorridos do Rock in Rio. “Meus amigos me disseram que tinha um cambista aqui na porta, e eu vim procurá-lo porque sou o único que não tem ingresso ainda. Estamos juntando um grupo grande para ver o show do Coldplay”, disse o rapaz, na esperança de que, de dentro da Cidade do Rock, surgisse alguém com mais uma remessa de bilhetes.

Só para ver – Nem só na venda de ingressos fazem bico os que trabalham na cidade do Rock. O gari Clemilson Dias, de 35 anos, tornou-se uma espécie de “fotógrafo oficial” da área extramuros da Cidade do Rock. O empresário Milton Bandeira, de 52 anos, tirou a tarde de folga para trazer a sua esposa, Rose Martins, de 46 anos, e as filhas Laís, de 14, e Ana Luísa, de 6, para conhecer o “monumento”. Enquanto a filha mais velha se auto-fotografava e a menor corria pela grama sintética com a mãe, Milton admirava a construção. “Ficou muito bonito, mas aqui é mais impressionante do que na televisão. Não comprei ingresso porque não sou fã de shows de rock, mas agora me deu vontade de vir para conhecer a cidade que tem aí dentro. Aquelas casinhas ali parecem até de verdade, estou impressionado”, disse o empresário se referindo à Rock Street – a rua de 160 metros que imita a arquitetura das avenidas de Nova Orleans.

Fã incondicional do Rock in Rio, o vendedor Marcus Vinicius Conceição, compareceu às três edições anteriores do festival, e não aguenta esperar até sábado, dia que vem assistir o show da banda Coldplay, para pisar dentro da Cidade do Rock. “Se alguém deixasse eu entrar eu ia gostar muito”, declarou, já fazendo a contagem regressiva para a sua festa.