Na carona de ‘La Casa de Papel’, ‘Elite’ é apanhadão de séries de sucesso

No seriado espanhol, cabe de tudo: um pouco de 'Rebelde', outro tanto de 'How to Get Away with Murder' e também detalhes de 'Gossip Girl' e 'Riverdale'

Por Meire Kusumoto - 5 out 2018, 13h18

Elite, a segunda série original espanhola da Netflix, lançada nesta sexta-feira, é feita sob medida para o espectador jovem. Para atingir o público alvo, ela reúne em um único produto elementos variados de seriados do gênero, tornando quase impossível desacreditar a ideia de que o serviço de streaming colhe informações sobre os hábitos de seus assinantes e depois usa esses dados como ponto de partida para a produção de novas séries.

Só as imagens de divulgação de Elite já devem ter causado faniquito na horda de pessoas que maratonaram La Casa de Papel entre o final de 2017 e o começo de 2018. A produção de Álex Pina, que virou queridinha de muitos brasileiros e até foi renovada para uma terceira temporada por causa do sucesso, empresta ao novo seriado espanhol três atores: Miguel Herrán (Rio), Jaime Lorente (Denver) e María Pedraza (Alison).

Herrán interpreta um dos três novos alunos que ganham bolsas de estudo para frequentar Las Encinas, um dos colégios mais caros da Espanha. De lá, dizem os professores, saem aqueles que serão os futuros líderes do país. A chegada dos bolsistas pode até agradar a alguns estudantes, como Marina, a personagem de María Pedraza, mas de modo geral irrita os adolescentes endinheirados, que veem seu microcosmo de colégio de elite se alterar. A semelhança com a novela mexicana Rebelde, que também começa com a matrícula de bolsistas, não acaba aí: sim, adolescentes vão para a escola com uniformes compostos por terninhos, gravatas e saias de prega.

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A tensão, agravada pela presença de personagens como o de Jaime Lorente, que é irmão de um dos bolsistas e tem uma história complicada que inclui uma passagem pela prisão, culmina na morte de uma pessoa, cuja identidade não é revelada inicialmente ao público. À la Riverdale, a investigação vai desenterrando vários podres da suposta vida perfeita dos riquinhos do colégio. E, como em How to Get Away with Murder, passado (quando os bolsistas chegam a Las Encinas) e presente (os interrogatórios conduzidos pela polícia após a morte) se misturam o tempo todo, propondo um quebra-cabeça para o espectador.

Tudo isso é salpicado por cenas de sexo e de festas luxuosas nas mansões dos estudantes, elementos que fazem lembrar Gossip Girl  outra série que mostrava o conflito entre alunos pobres e ricos que descobrem que têm mais em comum do que apenas os terninhos que eles usam como uniforme.

Elite tenta ser mais do que uma colcha de retalhos de outras produções — buscando avançar em questões como sexualidade e preconceito — mas seu esforço nesse sentido nunca se torna maior do que o desejo de ser a mais nova sensação jovem da Netflix, com todos os clichês, exageros e furos de roteiro a que tem direito.

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