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Música nova de Chico Buarque traz o pior verso da MPB

Incensado como "gênio" e "melhor letrista da música brasileira", o compositor agora responde também pelo verso "Amar uma mulher sem orifício"

Divulgada nesta semana na internet, a música Querido Diário traz o pior verso da MPB no século XXI: “Amar uma mulher sem orifício”. Incensado como “gênio” e “melhor letrista da música brasileira”, o autor do verso é Chico Buarque. A escorregada foi tão feia que quase causa o efeito conhecido como vergonha alheia – aquele misto de compaixão e constrangimento que as pessoas sentem por alguém que foi flagrado numa situação ridícula. Quase.

A gama de sentidos de “Amar uma mulher sem orifício” vai de “cultivar um amor platônico” a “desejar uma mulher frígida”. Alguma coisa por aí. Mas havia um desafio a vencer, para além de fazer sentido. Dois versos atrás, encontra-se a palavra “sacrifício”. E esses poetas, o que eles não fazem por uma rima… Lá se foram as vergonhas da moça, e surgiu essa aflitiva “mulher sem orifício”. Pô, Chico. Não podia ser só uma “mulher difícil”?

Querido Diário fará parte de Chico, disco que se encontra em pré-venda na internet a 29,90 reais. Quem o adquirir agora �o receberá em 22 de julho. Segundo anunciado, o álbum tem participação de João Bosco, em Sinhá; de Thais Gulin, em Se Eu Soubesse; e de Wilson das Neves, em Sou Eu (de Chico e Ivan Lins). Sua ideia é celebrar o blues, a bossa, e o samba. Celebrar a poesia – bem, fica para a próxima.

Confira a letra de Querido Diário:

“Hoje topei com alguns conhecidos meus/ me dão bom dia cheios de carinho/ dizem pra eu ter muita luz, ficar com Deus/ eles têm pena de eu viver sozinho. Hoje a cidade acordou toda em contramão/ Homens com raiva, buzinas, sirenes, estardalhaço/ De volta a casa na rua/ Recolhi um cão/ Que de hora em hora me arranca um pedaço/ Hoje pensei em ter religião/ De alguma ovelha, talvez, fazer sacrifício/ Por uma estátua ter adoração/ Amar uma mulher sem orifício/ Hoje afinal conheci o amor/ E era o amor uma obscura trama/ Não bato nela, não bato/ Nem com uma flor/ Mas se ela chora/ Desejo me inflama/ Hoje o inimigo feliz veio me espreitar/ Armou tocaia lá na curva do rio/ Trouxe um porrete e um porreta pode me quebrar/ Mas eu não quebro não/ Por que sou macio, viu?”