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Murilo Rosa, a nova vítima do terrorismo na web

Ator tenta, com ajuda da polícia do Rio, chegar ao autor de ameaças que teria roubado imagens íntimas de seu computador

Por Da Redação - 22 mar 2013, 11h28

Numa era em que fazer sucesso nas redes sociais é parte do negócio para marcas e pessoas, ganhar seguidores e ‘curtidas’ passou a ser uma estratégia. Seja entre fabricantes de pneus ou modelos de cosméticos, uma reputação de qualidade e quantidade na internet é algo que pode ser transformado em dinheiro. Para os famosos, no entanto, o tombo pode ser proporcional à altura. E uma das formas apavorantes de começar o dia é perceber que, no Twitter, seu nome ou sua marca aparece entre os tópicos mais populares – os ‘trending topics’, ‘TTs’ – de forma inesperada. A vítima do momento no Brasil é o ator Murilo Rosa – coadjuvante de ‘Salve Jorge’ e protagonista do último capítulo da sequência de escândalos de violação de privacidade que se espalha como epidemia entre as figuras públicas. O Élcio da novela das nove, uma produção que amarga índices ruins de audiência, nem de longe daria a Murilo Rosa a popularidade instantânea nas redes sociais que o ator alcançou esta semana. Infelizmente, uma repercussão nada invejável, e particularmente incômoda para um pai de família que, fora a exposição natural da vida artística, não é dado a badalações. Casado com a modelo Fernanda Tavares, Rosa é fotografado por onde passa, da maternidade, onde foi clicado saindo com a família, ao velório de amigos.

Suspeito ajuda polícia a investigar extorsão contra Murilo Rosa

No momento, a vida pessoal do ator passa por contatos periódicos com os policiais da 14ª DP (Leblon), na Zona Sul do Rio, que investiga o vazamento de imagens íntimas supostamente extraídas de um vídeo em que apareceria nu. À polícia, Rosa afirmou ter sido procurado por uma pessoa que pedia dinheiro para não divulgar as imagens. O caso é tratado como extorsão, mas a Delegacia de Repressão aos Crimes de Internet (DRCI), especializada nesse tipo de crime, entrou em ação para verificar se, e como, o criminoso teve acesso ou produziu essas imagens. A dúvida sobre a autenticidade do material repousa no seguinte detalhe: na sequência de quadros espelhados pela internet, o ator aparece primeiro sem camisa e, depois, encobrindo o órgão sexual com as mãos. Neste trecho, no entanto, a pessoa aparece somente da cintura para baixo, e não é possível confirmar se trata-se do ator. O advogado de Rosa, Ricardo Brajterman, afirma que a imagem não passa de “uma montagem tosca, grotesca”.

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Autênticas ou não, o dano à imagem do ator é concreto. E os objetivos do criminoso, tal qual os de um terrorista, foram em parte atingidos: há constrangimento e uma avalanche de propagação das imagens na internet. Ainda que o valor da extorsão não seja pago – e o ideal é que nunca seja – a vítima sofreu um dano real.

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No Brasil, o caso mais conhecido desse tipo de crime teve como vítima a atriz Carolina Dieckmann, que teve uma série de fotos íntimas furtadas de seus arquivos. No caso de Carolina, a polícia precisou de quatro dias para encontrar e prender os quatro acusados de publicar dezenas de fotos em que a atriz aparecia em poses sensuais. Depois da identificação dos culpados, porém, a atriz optou por não dar prosseguimento à ação por danos morais. “Ela optou por fazer somente o procedimento criminal, não tinha interesse na indenização. O que ela queria era comprovar que hackers haviam invadido seu computador, e não que tinha sido displicente, ao deixar a máquina para arrumar, como foi dito na época”, esclarece ao site de VEJA o advogado da atriz, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

O processo continua correndo na Justiça, a partir do encaminhamento de uma ação civil movida pelo Ministério Público, mas Carolina já está satisfeita com o resultado, enfatiza Kakay. Ele ainda elogia o trabalho técnico feito pela polícia para chegar aos culpados rapidamente. “O FBI (polícia federal americana) demorou 65 dias para encontrar os responsáveis pelo vazamento das fotos da atriz Scarlett Johansson, por exemplo”, comparou ele, referindo-se ao episódio ocorrido em 2011.

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