Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Mostra cenográfica premiada em Praga chega a SP

Por AE

São Paulo – Do urbano ao rural. Dos artesanais mamulengos do nordeste às projeções de videoarte. Foi justamente por abraçar tantas e distintas linguagens que o Brasil impactou a última Quadrienal de Praga. Durante o maior evento de cenografia mundial, ocorrido em junho deste ano, a representação nacional sagrou-se vencedora. Desbancou mais de 60 países. E trouxe para casa o prêmio máximo: a Triga de Ouro. A partir de hoje, será possível ver por aqui a exposição que tanto impressionou o júri internacional. Pela primeira vez, a mostra “Personagens e Fronteiras: Território Cenográfico Brasileiro” será exibida fora da capital Checa.

No espaço da Funarte, em São Paulo, estarão reunidas obras cenográficas de 27 espetáculos, produzidos desde 2005. Trabalhos que dialogam com aquilo que a curadoria da Quadrienal propôs para esta edição. “Houve um olhar para um aspecto mais amplo, que buscasse esse diálogo do teatro com outras linguagens”, observa a responsável pelo projeto da mostra nacional, Aby Cohen.

Nessa sua guinada, a coordenação do evento abriu o escopo para aproximar a cenografia das questões lançadas pela performance e pelas artes visuais. Para sinalizar a nova direção, mudou até mesmo de nome. Deixou de ser uma exibição de cenografia e arquitetura teatral. Passou a se intitular Quadrienal de Espaço e Design Cênico.

Dentro desse contexto, a seleção apresentada pelo Brasil trouxe criações que não se restringiram apenas ao tradicional palco italiano das salas de teatro. Buscou concepções que se aproximavam da intervenção urbana, do circo, das instalações próprias das artes plásticas. Foi assim que criações distintas puderam ser alinhavadas.

Há os santos que compunham o cenário de “Memória da Cana”, espetáculo que o grupo Fofos Encenam estreou em 2009. Mas existem também elementos completamente apartados das manifestações da cultura popular. Representações, por exemplo, do impacto das novas tecnologias sobre a cena contemporânea. Em uma maquete, pensada especialmente para a exposição, o coletivo Laborg reproduziu com projeções minúsculas o universo dos três grandes teatros de ópera do País: O Teatro Amazonas, o Municipal do Rio e o de São Paulo.

Uma das noções que norteou a concepção da exposição, esclarece a curadora Aby Cohen, foi o foco sobre o trabalho dos artistas. Opção capaz de sobrepujar, inclusive, as produções teatrais. Dessa maneira, não estão expostos apenas os cenários de determinados espetáculos. Entre as criações que extravasam esse critério está a obra do artista Helio Leites: um artesão de Curitiba, que transforma objetos descartados em pequenos teatros. O público de Praga pôde conferir a adaptação que Leites fez do clássico “Romeu e Julieta”, ambientando-o dentro dos limites de uma lata de macarrão.

Além da exposição, também estarão no prédio da Funarte as obras brasileiras que participaram da competição de Figurinos Radicais. Também aí, conta a curadora Rosane Muniz, o País se destacou. Dentre o espectro de 60 nações participantes, selecionaram-se apenas 30 trajes. Quatro deles eram do Brasil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Personagens e Fronteiras – Funarte (Alameda Nothmann, 1.058). Tel. (011) 3662-5177. 14/22h. Grátis. Até 04/03. Abertura amanhã.