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Morre o cineasta Luiz Rosemberg Filho aos 76 anos

Ele fez sucesso de crítica com o filme A Guerra do Paraguay, em que discutiu o conflito entre civilização e barbárie e o papel da arte para se opor ao caos

Morreu neste domingo, 19, aos 76 anos, Luiz Rosemberg Filho, um dos mais inventivos cineastas do Brasil, em decorrência de complicações de uma cirurgia. O corpo do cineasta será velado a partir das 11h desta segunda, 20, no Crematório Memorial do Carmo, no Caju, no Rio de Janeiro. A cremação será às 14h.

Rosemberg fez sucesso de crítica com seu recente A Guerra do Paraguay, de 2017 em que recicla diversos elementos (como a peça Mãe Coragem, de Brecht) em preto e branco para discutir um dos temas gigantes da atualidade: o conflito entre civilização e barbárie e o papel que cabe à arte para se opor ao caos.

No ano passado, Rosemberg apresentou no Cine PE Os Príncipes, longa ainda não foi lançado comercialmente. Deixa ainda outro longa-metragem inédito, O Bobo da Corte. Seus últimos quatro filmes, incluindo Guerra do Paraguay e Dois Casamentos, foram produzidos por Cavi Borges, parceria que possibilitou a produção final dessa obra independente e tida como de grande valor em termos de criatividade, beleza e inteligência.

Antes dessa fase mais recente, Rosemberg já era bem conhecido no ambiente cinéfilo por filmes como Balada da Página 3 (1968), América do Sexo (1969, no qual assina um episódio, Antropofagia) Jardim de Espumas (1971), A$$untina das Amérikas (1976), Crônica de um Industrial (1978) e O Santo e a Vedete (1982).

Além de cineasta, Rosemberg era também artista plástico e escritor. Organizou um livro sobre Jean-Luc Godard, uma das suas admirações confessas – a outra era Glauber Rocha.

Em que nicho do cinema nacional colocá-lo? Rosemberg começa a produzir sua obra num momento de inflexão entre o Cinema Novo e o assim chamado Cinema Marginal, dois grupos que se tornaram rivais em meio ao caldeirão político em que o Brasil se transformara na época. Por sua opção pelo experimentalismo, a tentação seria metê-lo no nicho dos “marginais”. Mas o fato é que o caminho de Rosemberg, embora influenciado por este ou aquele artista, esta ou aquela corrente de pensamento, se afirmou sempre como muito pessoal.

Radicalmente autoral, Rosemberg jamais transigiu com as chamadas exigências do “mercado”. Fez o cinema que queria fazer e foi depurando seu instrumento até chegar a esta Guerra do Paraguay, que talvez agora seja considerada a sua obra-prima. Uma palavra para defini-lo seria apenas esta: independente.