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Morre o cantor Reginaldo Rossi, aos 69 anos

Ele estava internado desde 27 de novembro no Hospital Memorial São José, no Recife, e foi diagnosticado com câncer de pulmão

Morreu na manhã desta sexta-feira, aos 69 anos, o cantor Reginaldo Rossi. Ele estava internado desde 27 de novembro no Hospital Memorial São José, no Recife, e foi diagnosticado com câncer de pulmão na última semana. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, a morte se deu às 9h25, em decorrência de complicações da doença. O velório será realizado nesta sexta-feira, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a partir das 19h. O sepultamento será no cemitério Morada da Paz, neste sábado, às 20h.

Páginas Amarelas: Reginaldo Rossi ataca a MPB intelectualizada

Hospitalizado com dores no peito, o cantor, conhecido como “rei do brega”, passou pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) duas vezes. Os exames detectaram, então, a ocorrência de um derrame pleural — e Rossi foi submetido a uma cirurgia para a retirada de líquido do pulmão direito e colocação de um dreno no local, em 9 de dezembro.

O tumor foi detectado poucos dias depois e, segundo o hospital, era maligno, mas primário. Após o diagnóstico, o cantor afirmou que estava disposto e otimista. “Estou pronto para a batalha e tenho certeza que vencerei”, teria dito Rossi.

Trajetória — Inicialmente influenciado pela Jovem Guarda e o iê-iê-iê, Reginaldo Rossi se consolidou como o “rei” do brega no Nordeste, onde o termo, longe de ter um significado pejorativo, designa um gênero de ampla difusão e poder comercial. Entre seus hits, se destaca Garçom, talvez o mais conhecido em todo o país.

O cantor nasceu em 14 de fevereiro de 1944 em Recife, onde ingressou na faculdade de engenharia, mas acabou não completando o curso e acabou trabalhando como professor de matemática. Em 1964, iniciou sua carreira artística imitando Roberto Carlos em bares da capital pernambucana. Apesar de ser um dos grandes nomes da música brega, Rossi deu os primeiros passos com sua banda de rock The Silver Jets, muito influenciada pelos Beatles e, segundo o próprio, a primeira banda de rock da história do Nordeste brasileiro.

Rossi lançou cerca de cinquenta álbuns ao longo de sua carreira, sendo os três primeiros com uma pegada mais próxima do rock: O Pão (1966), Festa dos Pães (1967) e O Quente (1968). Dois anos depois do último lançamento, chegou às lojas À Procura de Você, disco que marca sua estreia no gênero brega-romântico, no qual se tornaria um dos grandes expoentes. Em 1987, lança o disco Teu Melhor Amigo, que inclui um de seus maiores sucessos, Garçom. A música, no entanto, chega com força no eixo Rio-São Paulo apenas no final da década de 1990, onde o cantor, após quase três décadas de carreira, enfim passa a ganhar notoriedade.

Seu último trabalho foi o disco Cabaret de Rossi, lançado em 2010 e que rendeu a ele o Prêmio da Música Brasileira no ano seguinte. Além disso, o rei do brega, como era conhecido, conquistou ao longo da carreira quatorze discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e um de diamante.

‘Garçom’

Um dos maiores sucessos da carreira de Reginaldo Rossi, Garçom, faixa lançada em 1987 no disco Teu Melhor Amigo, fez o cantor ganhar notoriedade no mercado do Sul e Sudeste do Brasil no final da década de 1990.

‘O Pão’

Primeiro sucesso da carreira de Reginaldo Rossi, O Pão foi lançada em 1966 em um LP homônimo e mostra a fase rock’n roll do cantor, antes de se tornar um expoente no gênero brega-romântico.

‘Volta’

A música faz parte do álbum A Volta, de 1980, quando Reginaldo Rossi ganhou seu primeiro disco de ouro, com mais de 100.000 cópias vendidas.

‘Era Domingo’

Lançada em 1970, Era Domingo faz parte do disco À Procura de Você, que introduz Reginaldo Rossi no gênero brega, do qual acabou se tornando um dos grandes expoentes ao longo da carreira.

‘A Raposa e as Uvas’

Assim como Garçom, A Raposa e as Uvas se tornou um dos principais hits do gênero brega-romântico, além de um dos grandes sucessos da carreira de Reginaldo Rossi. A música faz parte do álbum de mesmo nome lançado em 1982

Reginaldo Rossi

Se o brega tem um rei, ele se chama Reginaldo Rossi. Mas não foi sempre assim, o pernambucano de 66 anos que hoje usa e abusa do que há de mais cafona, tanto no visual quanto nas letras de suas músicas, começou a carreira influenciado pelos Beatles e no embalo Iê Iê Iê da Jovem Guarda, na década de 60 – mesmo que seu disco O Quente já fosse um prenúncio do que ele se tornaria. Mas foi só 30 anos depois que a música Garçom o ajudou a conquistar a popularidade de norte a sul do país.

Sidney Magal

Tudo o que levou Sidney Magal ao sucesso até hoje é o mesmo que deixa as pessoas de bom gosto de queixo caído. Afinal, um homem alto, moreno e de lindos cabelos negros que não tem a menor vergonha de rebolar, requebrar e se vestir de maneira excêntrica consegue impressionar e assustar ao mesmo tempo. Mas é essa mistura latina-cigana-e-sem-vergonha-alguma que faz desse cantor de 57 anos o símbolo brega da música brasileira. Afinal, mesmo quem tem uma crítica na ponta da língua para soltar em referência a ele não consegue sair imune a Sandra Rosa Madalena, O Meu Sangue Ferve Por Você, Me Chama que Eu Vou ou Tenho (no clipe abaixo, com detalhe para a participação da – hoje cult – atriz Débora Falabella).

Gretchen

Gritinhos impagáveis e um bumbum generoso transformaram Gretchen em uma artista única. Ela não precisa que suas músicas façam sentido nem sequer que tenham letra compreensível – vê-se os sucessos Freak Le Boom Boom, Conga Conga Conga e Piripiripiri. Basta a cantora, hoje com 51 anos, pegar o microfone e fazer o que sabe melhor: sorrir e rebolar. E quem tem coragem de deixar o pudor de lado não consegue ficar parado. Só uma pergunta sobre suas músicas ainda permanece sem resposta: se as letras não precisam mesmo ter nexo, por que ela não canta em português?

Banda Calypso

Joelma e Chimbinha são a maior prova de que há uma parcela da população – muito maior do que você pensa – que ama a breguice. Nada mais explicaria o estouro da banda Calypso, que arrasta uma verdadeira multidão de fãs a seus shows por todo o Brasil e já vendeu mais de 10 milhões de álbuns. Do título da música que lançou o grupo ao estrelato – Cavalo Manco – às roupas bufantes e chamativas da vocalista Joelma passando pelo topete loiro de Chimbinha, tudo parece ter sido criado para ostentar o que há de mais extravagante no mundo.

Waldick Soriano

Poucas coisas são mais bregas (e lindas, ok) do que o amor. Por isso, quem canta músicas românticas sempre acaba taxado de brega. Junte-se a isso um cantor de voz grave, estilo triste, sempre usando roupas pretas, chapéus e óculos escuros. Pronto, está pintado um retrato real do que é ser cafona: Waldick Soriano. Entre suas músicas dor-de-cotovelo, a que cai fácil na boca do povo ainda hoje é Eu Não Sou Cachorro Não. Morreu em 2008, aos 75 anos, após dois anos lutando contra um câncer de próstata.

Cauby Peixoto

Ser considerado por revistas americanas “o Elvis Presley brasileiro” não é para qualquer um. Apenas Cauby Peixoto tem classe para sustentar tal título em cima de sapatos devidamente lustrados e dentro de ternos reluzentes e perfeitamente alinhados, sem arrepiar um único cacho de cabelo. Não se pode negar que o cantor de voz aveludada mantém sua elegância como prioridade, ainda aos 82 anos – 56 deles de carreira –, com a mesma vaidade do jovem aspirante a cantor que apostava que uma boa vestimenta o ajudaria a chegar ao sucesso.

Falcão

Ele nasceu no Ceará – reduto de comediantes brasileiros – e decidiu fazer do escrachado seu ganha-pão. Para isso, bastou juntar frases em inglês e português em canções sem pé nem cabeça. Garantia de sucesso ou, pelo menos, de boas gargalhadas. Assim, Falcão transformou em hit músicas como Holiday Foi Muito e deu um toque todo especial em verdadeiros hinos do brega, como Eu Não Sou Cachorro Não, de Waldick Soriano, e que em sua voz tornou-se I’m Not Dog No. E se é para ser cafona mesmo, que seja vestindo ternos bem coloridos e nada menos do que um girassol na lapela.

Ovelha

A pele branca e os cabelos encaracolados lhe renderam o apelido pelo qual ficou conhecido em todo o país. Foi Chacrinha quem transformou Ademir em Ovelha depois de uma das muitas participações do cantor em um show de calouros nos anos 1970 – bem melhor do que os apelidos que tentaram emplacar antes, como Rato Branco. Vendeu ao longo da carreira mais de 4 milhões de discos, a maioria graças a suas versões de sucessos internacionais como Oh, Carol. Natural de Recife, hoje tem 58 anos.

Luiz Caldas

Uma questão lógica simples: axé é brega; Luiz Caldas é o rei do axé; Logo, Luiz Caldas é brega. O cantor baiano fez sucesso antes mesmo do ritmo ganhar de vez o Brasil, nos anos 1980, bem antes do surgimento de É o Tchans e afins. Começou misturando reggae com ritmos caribenhos, frevo, samba e o que mais houvesse disponível para sacudir o esqueleto. Ganhou os carnavais brasileiros e atingiu o auge gravando a música-tema de uma das personagens mais marcantes da ficção brasileira: Tieta.

Rita Cadillac

Quando uma pessoa não tem amigos sinceros o suficiente para o impedir de pagar micos, acaba ficando como Rita Cadillac: alguém que acha que canta e acredita que faz sucesso. Não, música definitivamente não é a sua praia – pelo menos com o microfone na mão. Já dançando e rebolando, a história é outra. Afinal, foi de costas que ela se consagrou como a chacrete mais famosa e é dessa forma que permanece conhecida até hoje. Tanto é verdade que ela mesma disse que, quando morrer, deseja ser enterrada de bruços, para deixar à mostra sua parte preferida do corpo.