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Morre escritora de ficção policial PD James, aos 94 anos

A escritora britânica de romances de ficção policial P.D. James morreu nesta quinta-feira, aos 94 anos, na Inglaterra, divulgou sua editora. “Com grande tristeza, a família da escritora P.D. James, baronesa James de Holland Park, anuncia que ela morreu em paz em sua casa de Oxford”, diz o comunicado da Faber & Faber.

P.D. James foi autora de vinte obras, muitas protagonizadas pelo detetive e poeta Adam Dalgliesh. Boa parte de suas histórias foram adaptadas para o cinema e para a televisão. Uma das mais famosas, Children Of Men, tornou-se o filme Filhos da Esperança pelas mãos do diretor mexicano Alfonso Cuarón (o mesmo de Gravidade) e protagonizada por Julianne Moore e Clive Owen.

Seu último livro foi Morte em Pemberley (Companhia das Letras), publicado em 2011 e que se transformou em uma minissérie da BBC. A trama dá continuidade ao clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Em 2000, celebrou seus 80 anos com a publicação de sua autobiografia Time to Be in Earnest.

Biografia – Phyllis Dorothy James nasceu em Oxford em 3 de agosto de 1920 e passou três décadas desempenhando várias atividades, parte delas no Departamento de Polícia do Ministério do Interior. Aos 42 anos, relativamente tarde, lançou seu primeiro romance, A Chantagista (Cover Her Face), cuja adaptação para o rádio teve a participação do ator Hugh Grant fazendo a voz do detetive Dalgliesh.

Em 1991, recebeu o título de baronesa. Entre seus prêmios literários está o Pepe Carvalho, que leva o nome do detetive criado pelo escritor espanhol Manuel Vázquez Montalbán, concedido pela cidade de Barcelona em 2008.

P.D. escreveu em várias ocasiões sobre sua técnica literária e a origem de sua preferência pela ficção policial e de mistério, como em 2004, em um artigo publicado pelo jornal The Guardian. “Comecei a contar histórias muito cedo, certamente antes de fazer dez anos. Minha irmã menor, meu irmão e eu dormíamos em um grande quarto. À noite, eles esperavam que eu contasse histórias até que não pudesse mais ou eles dormissem”, contou na ocasião.

“Acho que soube que seria escritora tão logo aprendi a ler”, acrescentou James, recorrendo a outro escritor inglês para explicar sua visão da trama de um romance. “E. M. Forster escreveu: ‘o rei morreu e depois morreu a rainha’, é uma história. ‘O rei morreu e depois a rainha morreu de pena’, é uma trama. ‘A rainha morreu e ninguém soube de que até que descobriram que foi de pena’, é um mistério – algo que pode ser desenvolvido. E a isso eu acrescentaria: ‘a rainha morreu e todo mundo achou que era de pena até que descobriram um ferimento incisivo em sua garganta’, é uma trama criminal, e, a meu ver, também permite um grande desenvolvimento”, concluiu.

(Com agência France-Presse)