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Morre Alicia Alonso, a lenda cubana do balé

Criadora do Balé Nacional de Cuba foi a única latino-americana a deter o epíteto de 'prima ballerina assoluta', dada às dançarinas com talento excepcional.

Por Da Redação - 17 out 2019, 19h14

Alicia Alonso, lenda do balé cubano, morreu na manhã dessa quinta-feira em Havana, de problemas cardiovasculares. Tinha 98 anos e foi uma das fundadoras do Balé Nacional de Cuba. “Alicia se foi e nos deixa um vazio enorme, mas também um legado intransponível. Ela colocou Cuba no altar do melhor da dança mundial. Obrigado Alicia por seu legado imortal”, tuitou o presidente cubano Miguel Diáz- Canel. A bailarina foi uma grande apoiadora da revolução cubana comandada por Fidel Castro (1926-2016). O líder cubano, por seu turno, impulsionou a academia de dança de Alicia. Esta, tempos depois, se tornaria o Balé Nacional de Cuba.

Ela era a única latino- americana a deter o epíteto de prima ballerina assoluta, dado aos dançarinos de talento excepcional. A sua marca registrada era o rigor com o qual tratava seus alunos: em busca da perfeição, ela os fazia repetirem exaustivamente os movimentos de sua coreografia, até atingir seu nível de exigência. Nada mais adequado para uma dançarina que seduziu o público com seus giros virtuosos. Chegou a executar 32 fouettés – piruetas sobre o próprio eixo em uma só perna – em O Lago dos Cisnes. Na ocasião, ela já tinha mais de 40 anos.

Alicia Alonso nasceu em Havana, no dia 21 de dezembro de 1920. Seu nome de batismo era Alicia Ernestina da Caridade do Cobre Martínez Del Hoyo (o Alonso era sobrenome do marido, Fernando) e migrou para os Estados Unidos ainda na infância.  Começou a dançar aos nove anos e desfilou sua classe pelos palcos da Broadway, na década de 1930. Alicia ajudou ainda a fundar o American Ballet Theater. Uma curiosidade: quando tinha vinta anos, ela quase ficou cega ao sofrer um duplo descolamento de retina. Ela tinha então de dançar guiada pelas luzes do palco.

A lenda do balé cubano foi nomeada embaixadora da Boa Vontade pela Unesco, e foi homenageada pelo American Ballet Theater com um espetáculo de gala e a projeção de seus filmes na tradicional Metropolitan Opera House.

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