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‘Moda perde um talento polêmico’, diz Lilian Pacce

Pacce, Luiza Brunet, Fernanda Tavares e Dinho Batista repercutem a morte do estilista Ocimar Versolato

A editora de moda e apresentadora do GNT Fashion, Lilian Pacce, lamentou neste sábado, 9, a morte do estilista Ocimar Versolato. Ele foi vítima de um aneurisma e faleceu em São Paulo. Para Lilian, a moda “perdeu um grande e polêmico talento”.

“Denner e Clodovil pareceriam ingênuos diante de todas as controvérsias que pontuaram a vida de Ocimar, que era tecnicamente brilhante e foi o primeiro brasileiro a assumir a direção criativa de uma maison internacional, a Lanvin, em Paris”, disse a editora a VEJA. “Ocimar tinha a língua tão afiada quanto sua tesoura e seus alfinetes, que criaram peças lindas especialmente no início de sua marca em Paris”.

Essa espécie de “veneno” que destilava Versolato pode ser visto no livro que ele lançou em 2005, “Vestido em Chamas”. Nele, o estilista relata bastidores do mundo fashion. Na obra, ele ainda conta de situações embaraçosas passadas por um casal de estilistas brasileiros em Paris, fala de quando a modelo Claudia Schiffer foi massacrada durante um desfile na Coreia e narra como foi o dia em que representantes de carros importados foram criticados por investir em moda.

“Ao pisar novamente aqui (Brasil), encontrei esboços de um provincianismo exagerado”, escreveu Versolato.

A ex-modelo e empresária Luiza Brunet colocou Versolato no patamar de outros nomes consagrados da alta-costura moda , como Dener Pamplona de Abreu, morto em 78. “Ocimar, para mim, foi um dos grandes estilistas da minha temporada. Considerava ele como um Dener”, afirmou a ex-modelo a VEJA. “Foi um excelente profissional, cujo trabalho eu admirava muito. É uma grande perda para a moda brasileira, para a cultura da moda brasileira”.

 

‘Personalidade forte’

Em entrevista a VEJA, o também estilista e amigo de Versolato Dinho Batista disse que o designer a fama de ser intolerante ou difícil não era verdadeira, mas afirmou que Versolato tinha personalidade forte.

“Eu brincava com ele. Falava: ‘Ocimar, você é genial e genioso. Porque além de ser engraçado era uma pessoa com temperamento muito forte”, disse Batista. “Era uma pessoa com um coração maravilhoso. No mundo da moda, ele tinha outros ares. De ser uma pessoa difícil, de ser uma pessoa intolerante, mas quem convivia com ele sabia do coração grandioso que ele tinha”.

Batista enalteceu os vestidos produzidos por Versolato. Para o designer, as peças de Versolato eram marcadas pelo acabamento da roupa, que não dava para ver. “O que marcou muito foram os vestidos dele, que eram camadas e camadas de seda. E você não via o acabamento da roupa, não via o zíper”, disse Batista.

‘Gênio da moda’

Emocionada, a modelo Fernanda Tavares conta que o estilista foi um “gênio da moda”. “Conheci Ocimar na primeira vez que fui a Paris, em 1998. Fiz um desfile dele que era muito esperado”, diz ela, que teve o seu vestido de casamento desenhado por Versolato.

“Eu estava grávida de seis meses. Ele fez um vestido lindo, exatamente como eu queria, com todo o carinho do mundo. Apesar de ele ter uma fama de ser uma pessoa superdifícil, comigo sempre teve um coração muito mole. Eu sabia que podia contar com ele em qualquer hora.”

Fernanda conta que recebeu a notícia da morte do amigo na manhã de hoje. “Tinha muito tempo que não o via. Foi um choque muito grande. Apesar de não ter tido o devido reconhecimento que merecia pela indústria brasileira, ele foi um cara incrível, foi um gênio na moda e representou o Brasil muito bem lá fora.”