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Miley Cyrus não se preocupa em crescer – só em aparecer

No fim da passagem pelo Brasil, com a turnê 'Bangerz', a cantora fez show de duas horas no Rio, sensualizou, chamou fã ao palco e cuspiu água na plateia

Sete anos depois de ter sido lançada como uma personagem Disney, Miley Cyrus faz de tudo para sepultar qualquer traço que ainda a ligue ao passado infantil. E os fãs aprovam a nova versão atrevida e sem noção da cantora. Muitos dos que disputavam espaço perto do palco da Apoteose, no Rio de Janeiro, neste último domingo, vestiam camisetas com os dizeres: “RIP Hannah Montana” (da sigla em inglês que significa “descanse em paz”). Era como se a turnê Bangerz, a primeira da cantora no Brasil, marcasse a despedida oficial da adolescente country. Quem ouviu falar do show anterior, realizado na sexta-feira em São Paulo, já sabia que encontraria rebolados descontrolados, palavrões em excesso e uma sensualidade que beira o vulgar. Contudo, por mais que Miley se esforce, acaba deixando escapar o ar de garota sapeca que às vezes nem parece saber o que faz.

Ela subiu ao palco com quarenta minutos de atraso, às 21h10, por trás de uma tela preta com tiras prateadas. Deu tchauzinho, virou-se de costas, repetiu o mesmo movimento com os quadris e, enfim, fez a pose com a língua de fora. Com os braços para cima, ela caminha rebolando meio desengonçada, se abaixa, levanta, dança, pula. E como pula! O vigor dos 21 anos não a deixa ofegante ao ponto de perder o ritmo ou a afinação. A voz, incontestavelmente, cresceu (e bem). O figurino, que se resume a maiôs brilhantes e multicoloridos, tiaras e plumas, é a própria decoração do palco. Miley percorre todos os espaços tão à vontade como se estivesse em casa, e busca sempre a interação com os fãs. O pedido feito dias antes do show, para que o público deixasse os celulares de lado para viver aquele momento com ela, não foi atendido: todos buscavam seu melhor ângulo – e ela mostrou todos.

Miley dá aos fãs o que eles querem. Se vibram com um gesto obceno, ela ri e o exagera. Se pedem da água que ela está bebendo, ela enche a boca e cospe sobre suas cabeças. Os demais gritam de inveja e ela repete a cena de diferentes pontos, até que atira a garrafa vazia neles. Se pedem uma música que não estava programada, ela anuncia mudança à banda e dá uma palhinha. “Querem ouvir Jolene? Vou cantar para vocês”, disse, apontando para um grupo na hora dos covers. Enquanto canta, ela se diverte passeando por entre os presentes que são atirados todo momento em direção ao palco – alguns, acertando-a em cheio. Veste camisetas customizadas com seu próprio rosto, coloca uma calcinha com estampa de onça e acha até uma máscara dela mesma. Mas são com os bichos de pelúcia que ela perde mais tempo: beija, abraça e até se enrola neles. Entre os dançarinos, dois cachorros gigantes são claramente os seus favoritos.

Notando que nem todos entendiam o que dizia – exceto os palavrões, que dispensam tradução – Miley chama uma fã ao palco. Quer a menina vestida de preto, que cantava todas as músicas, colada à fila do gargarejo. Emocionada, a jovem não sabe se a beija, tira uma foto ou começa a chorar. Houve tempo para tudo. Miley fez primeiro a tão esperada selfie, deu-lhe um abraço forte e pediu que ela passasse um recado em português: “A próxima canção é sobre amor, e eu quero que vocês se beijem. Muito”. A cantora, então, fica pela primeira vez no fundo do palco, abrindo espaço para que o público apareça no grande telão. Apesar de um set list quase todo baseado no novo CD que dá nome à turnê, os fãs aplicados tinham cada canção na ponta da língua. Mas o auge ocorreu mesmo com os sucessos Wrecking Ball e Party in the USA. Em meio à chuva de papel picado que anunciava o fim do show de duas horas, Miley deixa o palco carregada no colo, como uma menina que precisa ser colocada para dormir.