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Masp abre dia 27 mostra com obras de Lucian Freud

Em menos de duas semanas, a partir do dia 27, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) recebe uma exposição cujo título define o principal interesse do neto do criador da psicanálise, Lucian Freud – Corpos e Rostos. De fato, o que o avô Sigmund Freud fez pela mente, o neto Lucian fez pelo corpo, colocando-o literalmente numa posição desconfortável para examinar o que se passava, afinal, em seu interior.

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Inicialmente identificado como expressionista, rótulo que nunca aceitou, Lucian Freud (1922- 2011) passou a ser associado, em 1976, ao grupo figurativo batizado pelo pop Ronald Kitaj (1932-2007) como a “Escola de Londres”, que abrigou pintores tão diferentes entre si como seus amigos Francis Bacon, Frank Auerbach e Leon Kossoff.

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Assim como Bacon reduziu o corpo humano a uma massa disforme — carne de açougue mesmo –, Lucian Freud fez dele pouco mais que uma substância ainda sem vida à espera de que a pintura o animasse. Não por outra razão exigia de seus modelos — fosse ele o fotógrafo David Dawson, seu assistente, ou Elizabeth II, a rainha da Inglaterra — dedicação absoluta enquanto posavam para retratos em que seus corpos acumulam as marcas do tempo, como se retrocedessem à condição antropomórfica do monstruoso golem. Em outras palavras, ao puro barro humano.

Sua última pintura, inacabada, Portrait of The Hound (2011), mostra Dawson ao lado de Eli, o cão pertencente ao artista, como figuras amalgamadas, ambos sujeitos à degradação física – tema de todos os seus retratos, em que buscava a verdade, e não a aparência.

(Com Estadão Conteúdo)