Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Mashups: a arte de juntar canções inconciliáveis

Sidney Magal com Pixies, Beatles com funk carioca, tudo é possível nesse novo jeito de fazer música

Imagine um dueto do safo Compadre Washington, do grupo baiano de pagode É o Tchan, com o macambúzio Morrissey, ex-vocalista da banda inglesa The Smiths. Ou os duplos sentidos quase pornográficos da funkeira Deize Tigrona no meio de Let It Be, respeitável clássico dos Beatles. Seria pedir para imaginar o inimaginável, se esses encontros já não estivessem acontecendo no cenário virtual, graças ao talento de um punhado de DJs e produtores brasileiros. A técnica de unir duas ou mais canções diferentes (e quase sempre incongruentes) para produzir uma nova composição é conhecida como mashup. Embora ainda vistos com desdém por alguns músicos que não reconhecem a criatividade dessas colagens, os praticantes do embaralhamento musical vêm ganhando popularidade na internet. O universo brasileiro do mashup tem uma balada no Rio de Janeiro – a Bootie, filial de uma grande festa americana realizada nos mesmos moldes, em São Francisco. Esporadicamente, há edições da Bootie em outras capitais, como Goiânia, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Fortaleza. O mashup também chegou ao cinema nacional: em Mato sem Cachorro, Bruno Gagliasso interpretava um produtor que tinha o desplante de misturar Imagine, de John Lennon, com Ai Se Eu Te Pego, de Michel Teló (para espanto dos produtores, foi mais difícil conseguir a aprovação de Teló que a de Yoko Ono, viúva de Lennon). E, para cada queixume, existe uma porção de cantores que veem a técnica com bons olhos. “É sensacional, divertido, surpreendente”, diz Lulu Santos, que recrutou DJs de mashup para tocar em sua festa de 60 anos no Copacabana Palace.

Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet, no iPhone ou nas bancas.

Outros destaques de VEJA desta semana