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Maratona de Toronto começa de olho no Oscar

Brasil será representado no festival com três longas-metragens e dois curtas

Jake Gyllenhaal e Naomi Watts em 'Demolition', do diretor Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas). Filme é uma das apostas do Festival de Toronto 2015 Jake Gyllenhaal e Naomi Watts em ‘Demolition’, do diretor Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas). Filme é uma das apostas do Festival de Toronto 2015

Jake Gyllenhaal e Naomi Watts em ‘Demolition’, do diretor Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas). Filme é uma das apostas do Festival de Toronto 2015 (/)

O Festival de Toronto, que chega à sua 40ª edição entre 10 e 20 de setembro, ficou famoso por dar a largada na campanha do Oscar. Mas também é verdade que deixou de ser o lugar exclusivo para o lançamento dos filmes candidatos, tendo de dividir as atenções com outros festivais: Veneza revigorado, Telluride, pequeno e voltado para a indústria, e o New York Film Festival. No ano passado, chegou a determinar que somente as estreias mundiais seriam exibidas no primeiro fim de semana do evento, o mais nobre. Em 2015, a regra foi quebrada.

Com 289 longas-metragens e 110 curtas, Toronto não é para os fracos. Está mais para um Festival do Rio ou uma Mostra de São Paulo do que para os eventos europeus, como Berlim, Cannes e Veneza, até porque não tem uma competição oficial. Há prêmios dos favoritos do público e, neste ano, foi criada uma disputa chamada Plataforma, com 12 longas de cineastas com visão única, apostas para o futuro. Entre os concorrentes está o brasileiro Boi Neon, de Gabriel Mascaro, que chega a Toronto depois de ser exibido na mostra Horizontes em Veneza. Os longas Zoom, de Pedro Morelli, estrelado por Gael García Bernal, Mariana Ximenes e Alison Pill, que passa na seção Vanguarda, e Campo Grande, de Sandra Kogut, apresentado na mostra Cinema Contemporâneo Mundial, e os curtas O Sinaleiro, de Daniel Augusto, e Many Thousands Gone, coprodução Brasil-Estados Unidos rodada em Nova York e Salvador por Ephraim Asili, também representam o país.

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Não faltam candidatos potenciais ao Oscar do ano que vem. Toronto perdeu a estreia mundial de alguns títulos (A Garota Dinamarquesa, de Tom Hooper, Beasts of No Nation, de Cary Fukunaga, Black Mass, de Scott Cooper, e Spotlight, de Tom McCarthy, todos exibidos antes em Veneza), mas tem uma cota grande de lançamentos de possíveis indicados a oferecer. A começar pelo filme de abertura, Demolition, do franco-canadense Jean-Marc Vallée, que dirigiu duas produções que participaram da premiação em anos seguidos, Clube de Compras Dallas (vencedor de três estatuetas em 2014, inclusive ator para Matthew McConaughey e ator coadjuvante para Jared Leto) e Livre (indicado em duas categorias em 2015, atriz para Reese Witherspoon e atriz coadjuvante para Laura Dern). Ou seja, grandes chances para os atores principais, Jake Gyllenhaal e Naomi Watts, novas apostas de Vallée.

Vários atores premiados com o Oscar tentam repetir a dose com filmes que estreiam em Toronto. Nunca dá para descartar Julianne Moore, vencedora deste ano por Para Sempre Alice. Em Freeheld, dirigido por Peter Sollett e baseado numa história real, ela interpreta uma policial com uma doença terminal que luta para transferir sua pensão para sua companheira (Ellen Page). Ganhadores no passado, Sandra Bullock e Billy Bob Thornton tentam levar mais uma vez no papel de estrategistas políticos rivais, contratados por candidatos à presidência da Bolívia, em Our Brand is Crisis, de David Gordon Green, outro longa-metragem inspirado em fatos – uma tendência que continua forte em Hollywood. Em Truth, de James Vanderbilt, Cate Blanchett e Robert Redford podem chegar a mais uma estatueta no papel da produtora Mary Mapes e do âncora Dan Rather, que investigam se George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, conseguiu escapar de lutar no Vietnã usando métodos escusos.

As cinebiografias continuam fortes. O cineasta inglês Stephen Frears foca no campeão de ciclismo Lance Armstrong (interpretado por Ben Foster) e sua ruína com a descoberta de que competia dopado em The Program. Em Trumbo, Bryan Cranston (Breaking Bad) faz o roteirista Dalton Trumbo, colocado na lista negra por se declarar comunista. O muito inglês Tom Hiddleston encara a lenda do country americano Hank Williams em I Saw the Light, de Marc Abraham.

O enfant terrible do documentário, Michael Moore, retorna depois de seis anos com Where to Invade Next, em que visitou diversos países do mundo perguntando como os Estados Unidos poderia fazer um trabalho melhor ao invadir outras terras.

Kate Winslet (Oscar por O Leitor) vive uma modista que retorna de Paris para sua pequena cidade natal na Austrália em The Dressmaker, de Jocelyn Moorhouse. About Ray, que traz Elle Fanning no papel-título, lida com a questão do gênero: ela nasceu menina, mas sempre soube que era um menino. Naomi Watts (que concorreu duas vezes) interpreta sua mãe, e Susan Sarandon (vencedora de uma estatueta), sua avó.

Entre os já exibidos em Veneza, alguns filmes são aguardados ansiosamente em Toronto. Michael Keaton (de Birdman) deve tentar uma indicação pelo segundo ano seguido com Spotlight, de Tom McCarthy, que também tem no seu centro um grupo de jornalistas. No caso, do jornal Boston Globe, que revelou como a Igreja Católica acobertou padres acusados de molestar menores. O filme, elogiado em Veneza, conta ainda com Mark Ruffalo e Rachel McAdams no elenco. Keaton pode ter de enfrentar novamente Eddie Redmayne, que levou o Oscar deste ano por A Teoria de Tudo. Em A Garota Dinamarquesa, de Tom Hooper, o ator inglês interpreta uma das primeiras pessoas a ser submetida à cirurgia de troca de sexo. Alicia Vikander, que faz sua mulher, também vai a Toronto cercada de comentários sobre o Oscar. O maior suspense da temporada deve ser a volta ou não de Johnny Depp aos indicados – sua última vez foi em 2008, por Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, e suas atuações mais recentes deixaram a desejar. Mas parece que ele tem grandes chances com Aliança do Crime, de Scott Cooper, no qual faz o criminoso James “Whitey” Bulger.

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‘Demolition’

Jake Gyllenhaal continua em sua cruzada para mostrar que é mais do que um rosto bonito. Depois de emagrecer assustadoramente para fazer O Abutre e ficar absurdamente forte para Nocaute, agora ele interpreta um bem-sucedido banqueiro que lida de uma maneira curiosa com a perda de sua mulher num acidente neste longa de Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas). 

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‘Freeheld’

Diretor do simpático Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música, Peter Sollett agora conta a história real da policial Laurel Hester (Julianne Moore), que em 2005 entrou na justiça para que sua companheira, a mecânica Stacie Andree (Ellen Page), recebesse pensão após a sua morte, depois de ser diagnosticada com câncer em fase terminal. 

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‘Our Brand is Crisis’

No filme de David Gordon Green, Sandra Bullock é “Calamity” Jane Bodine, uma estrategista de campanhas políticas que sai da aposentadoria para trabalhar para o candidato à presidência da Bolívia Castillo (Joaquim de Almeida). Tudo com um único objetivo: bater seu rival Pat Candy (Billy Bob Thornton), favorito para ganhar as eleições. 

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‘About Ray’

O filme da inglesa Gaby Dellal fala de um assunto em voga: a questão do gênero e da sexualidade. Ray (Elle Fanning) sempre achou que era um menino, embora tenha nascido menina. Adolescente, insiste em fazer a transição, o que causa preocupação em sua mãe, Maggie (Naomi Watts), e sua avó, Dolly (Susan Sarandon), que é lésbica.  

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‘The Dressmaker’

Baseado no romance de Rosalie Ham, o filme de Jocelyn Moorhouse traz Kate Winslet no papel de Tilly Dunnage, que deixou sua pequena cidade natal na Austrália depois de ser acusada de um crime quando era criança. Ela retorna como modista, depois de anos em Paris, causando furor na conservadora Dungatar com sua moda e modos progressistas. 

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‘Trumbo’

Bryan Cranston, o Walter White da série Breaking Bad, interpreta o roteirista Dalton Trumbo neste longa de Jay Roach. Membro do Partido Comunista, ele entrou na lista negra depois de se recusar a dar informações ao Comitê de Atividades Anti-Americanas. Durante o período, ganhou dois Oscar sob pseudônimos (por Arenas Sangrentas e A Princesa e o Plebeu). Mais tarde, escreveu os roteiros de Spartacus e Exodus

Cate Blanchett e Robert Redford no filme 'Truth' Cate Blanchett e Robert Redford no filme ‘Truth’

Cate Blanchett e Robert Redford no filme ‘Truth’ (/)


Imagem de divulgação do filme 'Where to Invade Next', de Michael Moore Imagem de divulgação do filme ‘Where to Invade Next’, de Michael Moore

Imagem de divulgação do filme ‘Where to Invade Next’, de Michael Moore (/)


Mariana Ximenes e Jason Priestley no filme 'Zoom', de Pedro Morelli, selecionado para o Festival de Toronto Mariana Ximenes e Jason Priestley no filme ‘Zoom’, de Pedro Morelli, selecionado para o Festival de Toronto

Mariana Ximenes e Jason Priestley no filme ‘Zoom’, de Pedro Morelli, selecionado para o Festival de Toronto (/)


Tom Hiddleston no filme 'I Saw the Light' Tom Hiddleston no filme ‘I Saw the Light’

Tom Hiddleston no filme ‘I Saw the Light’ (/)