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Lollapalooza admite prejuízo, mas confirma edição em 2014

Festival mantém planos apesar da crise no mercado de shows no Brasil

Por Carol Nogueira e Meire Kusumoto - 25 Mar 2013, 17h41

A apenas quatro dias para a segunda edição do Lollapalooza no Brasil, que acontece no Jockey Club de São Paulo entre 29 e 31 de março, o festival consegue se destacar em um cenário pouco animador para o mercado de shows no Brasil. O Lollapalooza é praticamente o único evento que se mantém em pé, ao lado do Rock in Rio. Em pé, mas não exatamente em uma posição confortável. A edição do ano passado deu prejuízo à GEO Eventos, empresa da Globo que produz o festival. Neste ano, a expectativa é de a receita ser insuficiente para dar lucro. Mesmo assim, a produtora mantém os planos e confirmou a terceira edição do evento, marcada para 2014, quando, enfim, espera colocar dinheiro no bolso.

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Segundo Leo Ganem, presidente da GEO Eventos, foram vendidos até agora 140.000 de um total de 180.000 ingressos, ritmo que ele considera normal, embora admita que não é o suficiente para que o evento dê lucro ao final. “Em geral, os grandes festivais perdem dinheiro no primeiro ano, empatam no segundo e começam a ter lucro no terceiro”, disse, conformado, ao site de VEJA.

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Crise – Nos últimos meses, os produtores de shows no Brasil têm sofrido para bancar as despesas milionárias de trazer artistas internacionais ao país. No final do ano passado, ingressos para apresentações de grandes nomes da música pop, como Madonna e Lady Gaga, no país, encalharam, e tiveram de ser vendidos em promoções por até metade do preço — tudo para tentar aplacar o prejuízo tomado pela produtora Time For Fun (T4F). O desaquecimento ocasionou ainda o — nunca anunciado — fim do festival SWU. E a lista vai longe: o festival Sónar, marcado para acontecer no fim de maio no Anhembi, foi cancelado na semana passada. E, apenas um dia depois, o show do The Cure foi transferido do Estádio do Morumbi para o Anhembi, menor e com estrutura pior.

Há ainda a indefinição do festival Planeta Terra. Além de ter de competir com festivais como o Lollapalooza em um verdadeiro leilão de atrações, o evento perdeu sua casa oficial — o parque de diversões Playcenter, que fechou no ano passado, obrigando a produção a alugar às pressas o Jockey Club. O resultado foi a sexta e mais fraca edição do evento até hoje, o que pôs em xeque a sua continuação — embora a organização afirme que ele acontecerá novamente este ano.

Ganem, que chegou a comemorar no Twitter o possível fim do Planeta Terra no ano passado — “já enterramos o SWU, agora vai o Planeta Terra”, escreveu no microblog — não admite existir uma crise no mercado de shows brasileiro. Segundo ele, houve um aumento na oferta de apresentações e, com isso, os shows individuais de bandas perderam espaço para os grandes festivais de música, que reúnem mais atrações. Segundo ele, o alto cachê para apresentações solo não consegue ser coberto com o valor arrecadado com a venda de ingressos. “Ninguém mais patrocina shows individuais. É um modelo arriscado demais”, afirmou o presidente da GEO.

Estrutura – Repetindo o modelo do ano passado, os dois palcos principais do festival estão em lados opostos do Jockey Club, com uma distância de 1,2 quilômetro entre eles. No total, seis palcos abrigarão as apresentações: Butantã e Cidade Jardim, dedicados aos maiores shows, como Pearl Jam, The Black Keys e The Killers; Alternativo, com apresentações de bandas em ascensão, como Alabama Shakes e Hot Chip; Perry, dedicado à música eletrônica; Acesso, com shows de bandas ainda desconhecidas do grande público; e Kidzapalooza, com programação destinada a crianças.

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O festival vai contar com 700 banheiros químicos, duas áreas cobertas de 1.000 m² cada uma, para proteção do sol e chuva e ações dos patrocinadores, trinta contêineres com seis caixas para compra de fichas, usadas para consumação no local, e quatorze postos médicos.

O transporte público, que tem interrupção de funcionamento a meia-noite de sexta e domingo e a 1 hora no sábado, foi um problema no ano passado, quando as pessoas que se dirigiram para a estação de metrô Butantã e a de trem Cidade Jardim, as mais próximas do Jockey, não conseguiram embarcar. De acordo com Leo Ganem, a organização do festival tentou estabelecer acordo com as companhias do metrô e de trem para estender o horário de funcionamento, mas conseguiu apenas um aumento de 15 minutos na sexta e no domingo. Assim, o metrô vai funcionar até 00h15 de sexta-feira para sábado e de domingo para segunda-feira e até a 1 hora de sábado para domingo, horário que não sofreu alteração.

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