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Lobby e acusações anônimas marcam a temporada pré-Oscar

Na busca pelos votos da Academia, estúdios se esmeram na divulgação de boatos contra atores, diretores e personagens dos filmes indicados

Além de executivos, produtores, diretores, atores e roteiristas, a industria do cinema se sustenta historicamente em dinheiro, lobby, ego e trapaça.

A campanha que se desenrola nos bastidores da votação do Oscar 2011 contra o filme O Discurso do Rei (The King’s Speech, Inglaterra, 2010), alegando que a produção do diretor Tom Hooper omite o suposto anti-semitismo do rei George VI, não é novidade em Hollywood.

Além de executivos, produtores, diretores, atores e roteiristas, a industria do cinema se sustenta historicamente em dinheiro, lobby, ego e trapaça. Os expedientes de divulgação e convencimento dos votantes inclui viagens, sessões exclusivas e, não raro, mensagens anônimas e acusações sujas.

Em 2002, Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, Ron Howard, 2001) também enfrentou acusações de anti-semitismo. A história do matemático John Nash, na qual se baseava o filme, era pontuada, segundo sua biógrafa Sylvia Nasar, por declarações contra os judeus.

A intriga se espalhou rapidamente omitindo detalhes que tiravam a força da acusação. Esquizofrênico, Nash bradou o seu anti-semitismo na mesma época em que, recluso, acreditava ser o imperador da Antarctica e receber mensagens cifradas nas reportagens do jornal The New York Times. Uma Mente Brilhante saiu do Oscar com quatro estatuetas, incluindo a de melhor filme.

Sete anos depois, as más línguas cochicharam que seria ultrajante Kate Winslet vencer na categoria de melhor atriz por sua atuação em O Leitor (The Reader, Stephen Daldry, 2008). O fato de sua personagem, Hanna Schmitz, ser integrante das forças nazistas, bastaria como impeditivo. Winslet, no entanto, sagrou-se vencedora.

No mesmo ano, Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire, Danny Boyle, 2008), provocou protestos (orquestrados?) na Índia. Sapatos e impropérios foram atirados contra algumas salas que exibiam o filme naquele país, chamado pela imprensa de “pornô da pobreza”. O uso da expressão “cachorro de favela” (“slumdog”) desagradou moradores do lugar em que algumas cenas do filme foram produzidas.

Boyle e Christian Colson, o produtor, vieram a público negar que tivessem pago uma ninharia aos atores Azharuddin Ismail e Ayush Makesh, que continuavam morando numa favela em Mumbai. “Pagamos um cachê justo e criamos um fundo que vai custear a educação dos dois até a vida adulta”, anunciou o diretor antes de receber as oito estatuetas, incluindo a de melhor filme, que ganhou.

O histórico, portanto, favorece Tom Hooper, O Discurso do Rei e ainda serve para alimentar o serpentário hollywoodiano. De todo modo, nunca é demais se precaver esclarecendo os pontos controversos nesse terreno pantanoso que é a disputa por um Oscar.