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‘Livre’: o retrato de uma longa caminhada pela mudança interior

Por Simone Costa - 23 out 2014, 18h18

A perda da mãe, morta prematuramente de câncer no pulmão aos 45 anos, afetou demais Cheryl. Aos 22 anos, ela estudava e trabalhava como garçonete, e tomou um caminho autodestrutivo. Quatro anos depois, viciada em drogas pesadas e se envolvendo com todos os caras que apareciam, Cheryl se divorciou e adotou um novo sobrenome porque não queria continuar com o do marido nem podia seguir com o que carregava desde o nascimento. A palavra que lhe veio à mente foi strayed, cujos inúmeros significados — “desviar-se do caminho certo, afastar-se da rota direta, perder-se, ficar louco, não ter pai nem mãe, não ter casa” — ela sentiu que a definia naquele momento. À deriva, Cheryl percebeu que era hora de recomeçar. A maneira de fazer isso foi percorrer 1 770 quilômetros pela Pacific Crest Trail, trilha na costa oeste dos Estados Unidos, que vai do deserto de Mojave, na Califórnia, até o Estado de Washington, perto da fronteira com o Canadá. Esse é o enredo de Livre (Wild, Estados Unidos, 2014), longa em cartaz na Mostra Internacional de São Paulo que traz a atriz Reese Witherspoon à frente do elenco.

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​Cheryl percorreu o Pacific Crest Trail em 1995 e, por mais de três meses, esteve sozinha. Foram raros os momentos em que encontrou alguém pelo caminho. Reese Witherspoon, que também é produtora do longa, foi bastante elogiada pelo papel. Depois de Johnny & June (2005), este foi seu melhor desempenho, segundo a crítica. E ela está realmente bem. No início do filme, ela parece apenas mais uma jovem que sai mochilando por aí. Mas, aos poucos, é possível ver que ela é capaz de interpretar papéis que exigem mais profundidade.

Filmes e livros sobre pessoas que decidem largar tudo e sair pelo mundo não são novidade. Comer, Rezar, Amar (2010), por exemplo, é apenas um dessa longa lista. Mas Livre tem algo bastante comovente, que é a relação de Cheryl com sua mãe. As lembranças dela aparecem de maneira muito tocante no filme. É o amor à mãe que a levou a se perder depois de sua morte. E é esse mesmo amor que a faz querer voltar ao que era antes: uma mulher que a mãe criou para ser forte e para trilhar um caminho melhor que o dela, vítima de violência de um marido alcoólatra e alguém que por muito tempo abdicou de si mesma. Não pense, no entanto, que Livre é apenas drama e reflexão: é também divertido.

Serviço:

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Dia 26/10 – Cine Sabesp – Rua Fradique Coutinho, 361 – Tel: (0/xx/11) 5096 0585

Nos cinemas, ainda sem data definida

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