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‘Limite’, de Mário Peixoto, é eleito o melhor filme brasileiro de todos os tempos

Longa de 1931 lidera ranking da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, com 100 títulos

Cena de 'Limite' (1931), filme de Mário Peixoto Cena de ‘Limite’ (1931), filme de Mário Peixoto

Cena de ‘Limite’ (1931), filme de Mário Peixoto (/)

Limite (1931), de Mário Peixoto, foi eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) o melhor filme brasileiro de todos os tempos. A organização, formada por críticos e jornalistas especializados em cinema de todo o Brasil, divulgou uma lista com as 100 melhores produções da história do cinema nacional, incluindo curtas como Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado, Aruanda (1960), de Linduarte Noronha, e Di (1977), de Glauber Rocha.

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Rocha, aliás, ocupa o segundo lugar do ranking com Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964). Em terceiro aparece Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos. O levantamento servirá de base para o livro Os 100 Melhores Filmes Brasileiros, que chega às livrarias em 2016 pela editora Letramento e vai contar com ensaios de críticos sobre cada uma das produções.

Glauber Rocha é o cineasta que mais vezes aparece na lista, cinco. Com quatro, estão Rogério Sganzerla, Joaquim Pedro de Andrade, Nelson Pereira dos Santos, Hector Babenco e Carlos Reichenbach. A lista completa dos 100 melhores filmes pode ser conferida no site da Abraccine.

‘Limite’ (1931)

O filme de Mário Peixoto (1908-1992) encabeça a lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) com as melhores produções brasileiras de todos os tempos. O longa retrata duas mulheres (Olga Breno e Tatiana Rey) e um homem (Raul Schnoor) que relembram seus passados enquanto estão em um barco à deriva. 

‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ (1964)

Considerado um marco do Cinema Novo, filme de Glauber Rocha conta a história de Manuel (Geraldo Del Rey), sertanejo que leva uma vida difícil com sua mulher, Rosa (Yoná Magalhães), no interior do Brasil. Ele faz um acordo com o coronel da cidade, mas é enganado e acaba matando o outro e se juntando ao grupo do cangaceiro Corisco (Othon Bastos), inimigo do pistoleiro Antonio das Mortes (Maurício do Valle). 

‘Vidas Secas’ (1963)

Filme de Nelson Pereira dos Santos baseado no romance de mesmo nome do alagoano Graciliano Ramos, retrata as agruras de uma família pobre no sertão nordestino. Fabiano (Átila Iório) parte de uma fazenda para fugir da seca com a família, formado por Sinhá Vitória (Maria Ribeiro), seus dois filhos, uma cachorra e um papagaio. 

‘Cabra Marcado para Morrer’ (1984)

Documentário de Eduardo Coutinho sobre o líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado em 1962 no nordeste do país, começou a ser filmado na década de 1960. Com o início da ditadura militar, porém, as gravações tiveram de ser interrompidas e só foram retomadas em 1981. O diretor, então, voltou ao local das filmagens, agora para contar o que havia acontecido com as pessoas da região nesse período de quase vinte anos. 

‘Terra em Transe’ (1967)

O filme de Glauber Rocha se passa em um país fictício da América Latina, Eldorado, onde o idealista poeta e jornalista Paulo Martins (Jardel Filho) se vê em conflito com a situação política do lugar. Ele combate o populismo do governador Felipe Vieira (José Lewgoy) e o conservadorismo do presidente Porfirio Diaz (Paulo Autran), dois de seus antigos amigos e que ele ajudou a eleger. 

‘O Bandido da Luz Vermelha’ (1968)

O longa de Rogério Sganzerla é inspirado na história real de João Acácio Pereira da Costa (Paulo Villaça), apelidado de Bandido da Luz Vermelha pela imprensa, na década de 1960, por assaltar casas à noite sempre munido de uma lanterna avermelhada. No filme, ele entra nas residências, estupra as mulheres e mantém longos diálogos com elas antes de fugir. 

‘São Paulo S/A’ (1965)

No filme, Luís Sérgio Person conta a história de Carlos (Walmor Chagas), um jovem que começa a trabalhar em uma grande empresa durante a efervescência da instalação da indústria automobilística em São Paulo na década de 1950. O longa acompanha seu envelhecimento, marcado por muito trabalho e dinheiro, mas pouca realização pessoal. 

‘Cidade de Deus’ (2002)

O único após a Retomada do cinema brasileiro a figurar entre os dez primeiros da lista, o longa de Fernando Meirelles acompanha a trajetória de dois garotos da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Buscapé (Alexandre Rodrigues) cresce e vira um fotógrafo, enquanto Zé Pequeno (Leandro Firmino) se torna líder do tráfico na região. 

‘O Pagador de Promessas’ (1962)

Baseado na peça homônima de Dias Gomes, o filme de Anselmo Duarte acompanha o périplo de Zé do Burro (Leonardo Villar) em sua tentativa de pagar uma promessa feita a uma mãe de santo do candomblé para salvar seu burro, Nicolau. Ao chegar em Salvador do interior da Bahia carregando uma cruz de madeira, ele é impedido de entrar na catedral ao contar sua história ao padre, que afirma que a promessa foi feita em condições pagãs. 

‘Macunaíma’ (1969)

Baseado no livro de mesmo nome de Mário de Andrade, o filme de Joaquim Pedro de Andrade segue a vida de Macunaíma, o “herói sem nenhum caráter” que nasce com o porte de um adulto, mas com mente de criança, de uma velha mulher no meio da Floresta Amazônica. Preguiçoso e mentiroso, ele parte para São Paulo, onde tenta encontrar uma pedra que havia recebido de seu grande amor, a índia CI, A Mãe do Mato.

(Da redação)