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Juiz pede dados médicos de Neruda antes de ordenar exumação

Medida visa esclarecer a morte do poeta, em 1973, até então atribuída a um câncer

Por Da Redação - 21 jun 2011, 20h56

O juiz chileno Mario Carroza ordenou a peritos que determinem com exatidão as condições em que está o corpo do poeta e Prêmio Nobel de Literatura chileno Pablo Neruda, antes de ordenar a sua exumação. A medida faz parte da investigação para esclarecer a sua morte, em 1973, atribuída oficialmente ao recrudescimento de um câncer.

“Devemos estabelecer os antecedentes médicos que existiam antes de sua doença, neste caso o câncer que tinha”, disse Carroza a jornalistas, após ser consultado sobre se pedirá para exumar o cadáver, enterrado aos pés de sua casa, no balneário de Ilha Negra, na costa central chilena.

“Com todos os antecedentes em mãos, é possível chegar a tomar uma decisão que nos pareça considerável, justamente com a equipe técnica”, acrescentou o juiz.

No último dia 2 de junho, a justiça chilena aceitou abrir uma investigação sobre a morte do poeta, ocorrida em 23 de setembro de 1973, dias depois do golpe de Estado que depôs o presidente socialista Salvador Allende e instalou a ditadura de Augusto Pinochet.

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A acusação foi feita pelo Partido Comunista, no qual o poeta militava, após a denúncia de um de seus mais próximos colaboradores, o ex-motorista Manuel Araya, que afirmou que Neruda foi assassinado por agentes do novo regime, antes de concretizar uma viagem ao México, onde pensava exilar-se e dali liderar a oposição a Pinochet.

A versão oficial, avaliada pela fundação que administra sua obra, destaca que um agravamento do câncer de próstata custou a vida a Neruda.

(Com Agência France Presse)

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