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John Green: ‘Demorei a descobrir que é ótimo ser adulto’

Escritor queridinho dos jovens fala ao site de VEJA sobre o processo de amadurecimento e as escolhas que o levaram a eleger os adolescentes como principal tema de sua obra

Durante o início da faculdade, o jovem John Green, de 20 e poucos anos, ainda tentava descobrir se seguiria mesmo a carreira de escritor. Um de seus professores disse que sua escrita era “mediana”, enquanto outro continuamente afirmava que ele não sabia fazer títulos atrativos. Ambos devem ter ficado perplexos quando, em 2012, o autor americano emplacou seu quarto romance, o elogiado best-seller A Culpa É das Estrelas. O título “estranho” não atrapalhou as vendas estrondosas de mais de 11 milhões de exemplares no mundo. Dois anos depois, o romance sobre um casal de adolescentes com câncer chegou aos cinemas e somou mais de 307 milhões de dólares em bilheteria global.

Porém, entre as críticas dos professores e o sucesso, Green teve que encarar um drama comum: o rito de passagem entre a adolescência e a vida adulta. “Foi uma grande transição. Enfrentei uma depressão forte”, conta em entrevista ao site de VEJA. O escritor americano cresceu em Orlando, na Flórida, e após a faculdade se mudou para Chicago. Foi lá que ele encarou por cerca de dois anos crises de ansiedade e fobias sociais, antes de se sentir realmente estabilizado. Apesar de hoje, aos 37 anos, Green desfilar um jeito despojado e ter uma forte base de fãs jovens – que se projetam em seus livros e o seguem em seu vlog no YouTube, o Vlogbrothers (que conta com mais de 2,5 milhões de assinantes) -, ele recusa o rótulo de “Peter Pan” e garante que agora a adolescência se limita apenas ao seu trabalho. “Descobri que ser adulto é ótimo. Só leva um tempo para se acostumar”, conta.

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Um dos melhores representantes do tema é justamente o livro Cidades de Papel, de 2008, que acaba de ganhar uma adaptação para o cinema e estreia no Brasil na próxima quinta-feira, dia 9. O protagonista da história é Quentin Jacobsen, um adolescente certinho que passa pelo último ano do colegial. Entre a vida pacata e a decisão de se formar com louvor para ser um médico, ele alimenta uma paixão platônica por sua vizinha Margo Roth Spiegelman – sim, ele faz questão de declamar o nome completo da garota diversas vezes, como uma celebridade ou uma entidade divina. A jovem beldade, que o despreza, uma noite aparece em sua janela e o convoca para uma aventura que consiste em se vingar de uma série de desafetos colecionados até então, como seu ex-namorado e ex-melhor amiga.

A noite de adrenalina o leva a crer que no dia seguinte tudo será diferente, que sua parceira de crime pode, finalmente, ser sua amante. Porém, ela desaparece misteriosamente e deixa uma série de pistas para seu admirador. O rapaz parte em seu encalço com a ajuda de alguns amigos. Por fim, a jornada para encontrá-la se torna um processo de autodescoberta do menino, até então cego por sua paixão platônica e engessado pelos receios de sair da linha.

No cinema, Margo é vivida pela modelo Cara Delevingne, que se mostra promissora em seu primeiro papel importante como atriz, enquanto Quentin ficou sob a responsabilidade de Nat Wolff. O ator de 20 anos ficou conhecido do público infanto-juvenil aos 11, quando ele estrelou, ao lado do irmão, Alex, a série musical da Nickelodeon, The Naked Brothers Band. Sob os olhares dos pais, os produtores e atores Polly Draper e Michael Wolff, os irmãos cresceram como pequenas celebridades nos Estados Unidos, na mesma época que surgiam outros artistas na concorrente Disney Channel, entre eles Selena Gomez e Miley Cyrus – duas que apelaram para os excessos da sexualidade para provar que cresceram.

Ao contrário dos exemplos citados, Nat ficou longe de controvérsias e tem construído uma carreira interessante no cinema. Antes de Cidades de Papel, ele atuou em A Culpa É Das Estrelas como o garoto que fica cego Isaac, e no drama elogiado pela crítica Palo Alto (2013), de Gia Coppola. Em breve, ele lança a comédia Um Senhor Estagiário, ao lado de Robert De Niro, e o longa de época In Dubious Battle, dirigido por James Franco.

Em entrevista feita em vídeo para o site de VEJA, Green e Wolff falam sobre a amizade improvável entre os dois, que não se importam com as diferenças de idade, e o processo de amadurecer. Confira: