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“‘Jack Ryan’ não incentiva uma invasão à Venezuela”, diz John Krasinski

Em sua segunda temporada, a série de ação da Amazon Prime Video aponta o país vizinho do Brasil como o inimigo em que a CIA deve ficar de olho

Por Raquel Carneiro - 2 nov 2019, 11h00

Desde que foi apresentado ao mundo, nos anos 80, pela obra literária de Tom Clancy, o agente da CIA Jack Ryan carrega nos ombros medos americanos – desde inimigos reais até aqueles que são fruto da paranoia. A Guerra Fria ambientou as primeiras aventuras do personagem: foi a tensão entre Estados Unidos e União Soviética que o levou ao cinema, caso de Caçada ao Outubro Vermelho (1990), com Alec Baldwin no papel protagonista.

Agora em formato de série para o streaming, o personagem ganha contornos atuais. Na segunda temporada de Jack Ryan, do Prime Video, da Amazon, o protagonista interpretado por John Krasinski mira o presidente da Venezuela, Nicolás Reyes (uma alusão óbvia, claro, a Nicolás Maduro), vivido pelo ator espanhol Jordi Mollà. Quando o primeiro trailer da nova fase foi divulgado, a série logo foi acusada de incentivar uma invasão americana ao território venezuelano. Mas a ideia de que a série defende isso é rechaçada pelo ator John Krasinski — que falou com exclusividade a VEJA.

“Fizeram um pré-julgamento. Jack Ryan não incentiva uma invasão à Venezuela”, diz. “Como nos livros, o momento histórico e político é o fundo da trama e não a situação. Aqui, a Venezuela é o cenário para uma trama de vingança. Meu personagem sofre um atentado e perde um amigo. Ele tenta então encontrar o responsável.”

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Os oito episódios começam, de fato, em registro ambíguo: Jack Ryan vai à Venezuela ao suspeitar que o país esteja comercializando armas de destruição em massa da Rússia (a vilã favorita da CIA). Um atentado atinge a equipe americana. O presidente venezuelano é suspeito de estar envolvido. Ryan, então, inicia uma cruzada para punir os assassinos e, se possível, enfraquecer o governo de Reyes, para que ele perca as eleições que se aproximam. “Tiramos um pouco de cada livro de Clancy, mais que da real situação política da Venezuela”, garante Krasinski.

Wendell Pierce, que interpreta o agente James Greer, que forma uma dupla imbatível com Ryan, foi mais taxativo que o colega ao comentar a política venezuelana. “A série explora o dia a dia das pessoas que vivem naquela situação, que estão vulneráveis. Não nos propomos a expor a complexidade política da Venezuela, mas não deixamos de olhar para a dificuldade pela qual aquele povo passa.”

Preparação para o personagem

Filmar na Venezuela, como é de se imaginar, não era uma possibilidade. O grupo então passou pouco mais de três meses rodando o programa na vizinha Colômbia. “Estava muito quente e muito úmido, foi difícil, mas o ambiente nos ajudou a entrar na história”, conta Krasinski. O ator também teve um laboratório com verdadeiros agentes da CIA. “Você imagina várias coisas, mas o que conheci foram pessoas legais, gentis, e um ambiente com diversidade. São homens e mulheres que tem família, e mesmo assim arriscam sua vida pelo país. Tentei trazer essa humanidade para o personagem.”

O ator segue uma linhagem de outros grandes nomes que deram vida ao personagem, como Harrison Ford e Ben Affleck. Para Krasinski, levar Jack Ryan à TV tem um sabor especial. “Tivemos nossa cota de personagens ambíguos, como Walter White em Breaking Bad. Fico feliz quando os caras bons são populares.”

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