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Iphan autoriza Silvio Santos a erguer torres em volta do Teatro Oficina

Empresário e apresentador quer construir e vender apartamentos residenciais onde companhia teatral propunha criar um parque público. Grupo vai recorrer

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deu aval, em reunião realizada na última sexta-feira, ao parecer técnico da Sisan, braço imobiliário do Grupo Silvio Santos, que tem o projeto de erguer prédios residenciais de mais de cem metros de altura nos terrenos em volta do Teatro Oficina, do dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, no bairro do Bixiga, em São Paulo. 

A decisão do órgão, vinculado ao Ministério da Cultura, era a última que faltava para que a disputa entre Silvio Santos e o Oficina chegasse a um termo. Reformado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992), a mesma que assina o Masp e o Sesc Pompeia, o prédio do Teatro Oficina foi tombado em nível estadual em 1983 e no federal em 2010, pelo próprio Iphan, tombamento revertido em nível estadual, no ano passado, pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

Em dezembro, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) se eximiu de votar a questão, deixando a decisão final para o Iphan — para levar adiante seu projeto imobiliário, Silvio Santos precisa de autorização dos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico nos três níveis: municipal, estadual e federal. Procurado, o advogado do Teatro Oficina, Márcio Sotelo, afirma que a companhia vai recorrer da decisão. “Há muita briga pela frente. A barbárie será enfrentada”, diz Sotelo.

A autorização desta sexta-feira vai contra uma carta divulgada pelo conselho do próprio Iphan, que disse ver uma “ameaça concreta de transformação de ambiência de bem nacional” no projeto do dono do SBT. “Edifícios altos imediatamente vizinhos, caso construídos, privarão a comunidade teatral, o bairro do Bixiga e a cidade de São Paulo da historicidade dinâmica e da produção de narrativas tão bem expressas na materialidade da arquitetura e do entorno do Teatro Oficina, conforme registra o tombamento federal”, afirmava a carta.

Há 37 anos, com avanços, recuos e até desistência, Silvio Santos tenta empreender nos terrenos que adquiriu em volta do teatro. Já a companhia teatral propõe fazer da área um parque público, ideia que já constava do projeto de Lina Bo Bardi. A arquiteta morreu pouco antes de inaugurar o teatro reformado por ela.

Uma das características do projeto de Lina Bo Bardi, assinado em parceria com o arquiteto Edson Elito, é uma imensa janela na lateral, diante da arquibancada do teatro. Essa janela faz uma contracenação — ou comunicação — do teatro com a cidade de São Paulo, algo que deve se perder com uma torre diante do famoso janelão de Lina.

(Com Lucas Almeida)

 

Comentários

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  1. Social Democrata

    Boa Silvio. Toma esquerdinhas.

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  2. Bela porcaria que é esse imóvel do Teatro Ofiicina.
    Patrimônio histórico é a Capela Sistina, e não esse imóvel indecente e podre.
    A esquerdalha fica posando de indignada só porque o negócio tem uma janela gigante (e horrorosa) desenhada por uma italiana comunista, que veio encher o saco aqui no Brasil.
    Uma VERGONHA que o Estado tenha demorado TRINTA E SETE LONGOS ANOS para dar ao Silvio Santos um direito que era obviamente seu, desde o primeiro instante.

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  3. Silvio Mendes

    Independentemente de quem planejou ou usa o teatro, a verticalização descontrolada de São Paulo reduz a qualidade de vida de todos e abre as portas para o caos social, tão ao gosto de MTST e seus argumentos de “função social” dos imóveis. Enquanto isso os exploradores imobiliários levam suas famílias para lugares bem mais agradáveis enquanto os bobos aplaudem.

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  4. ESSE SUJEITO ACHA QUE CONSTRUÇÃO CIVIL SE FAZ SEM DINHEIRO ? QUEM VAI FINANCIAR ? O BANCO PAN AMERICANO ? COMBINARAM COM ANDRÉ ESTEVES ? ALIÁS, QUEM VAI PAGAR OS 4 BILHÕES DO ROMBO DO BANCO PAN AMERICANO ? E NINGUÉM VAI PRESO ? AH, SE FOSSE O JUIZ MORO OU BRETAS !

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  5. FrenFria, o prejú de 4 bilhões já foi pago.
    Sabe por quem?
    Pelo PT, lá atrás, quando autorizou a Caixa Econômica a entrar como sócia do Banco Panamericano.
    O PT pegou O SEU DINHEIRO, o MEU DINHEIRO, e sem a nossa consulta usou esse dinheiro para cobrir o rombo do Panamericano. O dinheiro do pobre contribuinte brasileiro.
    Sobre a questão da verticalização e perda da qualidade de vida, concordo que viver no Jardim do Éden seria bem melhor do que viver em SP ou em NY.
    Mas não adianta.
    Progresso e riqueza infelizmente andam de mãos dadas com o caos das grandes megalópolis.
    Então, restam-nos duas opções: nos conformarmos ou então nos mudarmos para a Amazônia, pra viver pelado em alguma tribo indígena ainda desconhecida do homem branco.

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