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Iggy Pop salva Popload e seu line-up desastroso

Roqueiro americano fez apresentação alucinante e cheia de gás na noite desta sexta-feira, em São Paulo, na Audio Club

Por Daniel Dieb - 17 out 2015, 10h40

Os shows desta sexta-feira do Popload Festival deixaram em evidência seu line-up aleatório, sem nenhum critério aparente na escalação dos músicos que tocaram na Audio Club, em São Paulo. O rapper Emicida subiu ao palco antes do ícone do rock Iggy Pop. Talvez por essa falta de alinhamento sonoro entre os artistas – ou pelo preço salgado dos ingressos, com o mais barato deles custando 160 reais – o público não chegou nem perto de lotar a casa. Consequentemente, e para a felicidade dos presentes, as filas eram raras e gastar doze reais em um copo de cerveja era uma atividade rápida. Quanto aos músicos, Emicida fez uma boa apresentação para os poucos que foram lá apenas para vê-lo. Já Iggy Pop, aos 68 anos, exibiu fôlego de maratonista nas quase duas horas de show e não ficou parado nem por um instante.

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Iggy Pop abriu com No Fun e I Wanna Be Your Dog, dois clássicos do cantor com sua antiga banda, The Stooges, que durou entre 1968 e 1975 e foi fundamental para o surgimento do punk na década de 1970. Logo nesse par de canções, o público começou a pular e empurrar sem parar, em êxtase ao ouvir os refrãos e ao ver a performance nada discreta de Iggy Pop no palco, que já tinha jogado para longe a jaqueta de couro. Os músculos rasgados e as veias saltadas do corpo do sexagenário se destacavam debaixo da pele dourada e esticada do cantor.

Em seguida, The Passenger, da fase solo do cantor, acalmou os ânimos até os primeiros acordes da próxima, Lust for Life. Entre uns goles d’água – e também de outras bebidas -, Iggy Pop despejava sobre seu corpo litros d’água para se refrescar na noite quente da capital paulista. Na metade da apresentação, o calor no local diminuiu, também porque o público se acalmou durante as músicas Nightclubbing e Some Weird Sin.

Antes do bis, Iggy Pop arremessou duas pedradas sonoras ao tocar Search and Destroy e Raw Power. As duas músicas serviram como gatilho para a energia restante dos fãs, que explodiram como uma lata de refrigerante ao ser aberta após agitada. Um “buraco” se abriu em frente ao palco, no meio da galera, que começou a pular e a empurrar quem quer que passasse por ali. No bis, mais uma dos Stooges, Down on the Street, sucedida por uma breve homenagem da banda ao saxofonista Steve Mackay, morto em no último dia 11 e que tocou no álbum Fun House, dos Stooges. Após a lembrança, Iggy Pop encerrou o show com Dum Dum Boys.

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