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Havaí 5-0: a mesma música, mas uma raça diferente de policiais

Por The New York Times - 20 set 2010, 13h09

Fora o fato de usar a música original e permanecer na CBS, o Havaí 5-0 de 2010 é completamente diferente

Uma das séries policiais mais longas da televisão, Havaí 5-0, cujo remake vai ao ar nos Estados Unidos nesta segunda-feira, teve sua estréia em 1968 e só saiu da sala dos americanos no final do governo Jimmy Carter (1977-1981). A série oferecia provocantes incentivos para tirar do continente ladrões, vigaristas, assassinos e loucos, que iam em massa para o Havaí, transformando o arquipélago num moderno Oeste Selvagem no qual se exigia uma especialmente rigorosa aplicação da lei.

A marca registrada da série, desde o início, era a suspeita fascinação com a contracultura: Quem eram as estranhas pessoas que viviam ali? “Você ainda não enterrou o homem”, diz um capitalista hippie, que não quer ser incomodado com a burocracia que fará crescer ainda mais sua fortuna, ao seu gerente financeiro no episódio inicial. “Eu teria de viver para sempre para gastar metade do meu dinheiro.”

O ethos de Havaí 5-0 gostava da burocracia – autoridade institucional, a velha ordem – e manteve seu anacronismo ainda que outras séries policiais da década de 70 revelassem uma visão mais solta. Fora o fato de usar a música original e permanecer na CBS, o Havaí 5-0 de 2010 é completamente diferente. O remake é um tratado sobre personalidades em vez de sistemas e se aproxima de algo mais na linha de Law & Ordem: Criminal Intent. O Steve McGarrett de Jack Lord é representado por Alex O’Loughlin, um ator que tem pouca dificuldade para tirar o sentido de seu caráter de vingança. O parceiro de McGarrett, Danny (Danno) Williams, que foi representado na série original por James MacArthur, agora tem Scott Caan, filho do ator James Caan, no papel, e seu afeto é tão inquieto quanto o de seu antecessor era impenetrável.

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Divorciado e descontente, Danno preferiria ser lançado em qualquer lugar, menos o Havaí. Ele está lá porque sua ex-mulher encontrou um novo namorado nas ilhas e, como um pai superdotado, ele continua a ter na ordem do dia a ideia de manter o lugar seguro para sua filhinha.

McGarrett é o durão da dupla. Chega ao Havaí depois de algumas ações nas Operações Especiais na Coreia do Sul, disposto a vingar a morte de seu pai, assassinado por um personagem nefasto que os locais também gostariam de apagar também. Ele está convencido que um acordo com a governadora (interpretada pela sempre bem-vinda Jean Smart) lhe dará recursos ilimitados e nenhuma perturbação da burocrática para agir.

Em pouco tempo, McGarrett e Danno estão agindo num estilo picaresco, tornando-se companheiros inseparáveis e intimidantes. “Que tipo de policial é você?”, pergunta um chocado suspeito. “O novo tipo”, declara McGarrett. O homem é um chinês traficante de pessoas. A mente criminosa da série original era um oficial de inteligência chamado Wo Fat, cuja representação fornecia a Havaí 5-0 uma relevância de guerra fria. A nova versão tem um olho para o dinheiro, acenando para as perversões do capitalismo global.

Leia no blog Nova Temporada, de Fernanda Furquim:

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Ao escalar o elenco, a CBS insistiu na escolha de Alex O’Loughlin para interpretar Steve McGarrett. O ator australiano caiu nas graças do canal ao estrelar “Moonlight”, seriado com o qual ele conseguiu conquistar um público fiel. “Three Rivers”, drama médico sobre transplantes de órgãos, foi criada como novo veículo para o ator, mas seu cancelamento após a primeira temporada fez com que o canal iniciasse a busca por um novo produto no qual pudesse encaixá-lo. Ironicamente, Alex não conquistou a crítica americana, que o considera um ator mediano e limitado. Apesar de “Havaí 5-0″ servir de veículo para lançá-lo ao estrelato, é Scott Caan, o penúltimo a ser contratado, que está sendo considerado como a alma da série.

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