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‘Guerra dos Sexos’: reedição de cena clássica inclui imagens da original

Paulo Autran e Fernanda Montenegro cobertos por café, leite e cremes há 30 anos dividiram a sequência com Irene Ravache e Tony Ramos

Apesar de ter o mesmo nome e mote da trama exibida há 30 anos, Guerra dos Sexos é, segundo o seu autor, Silvio de Abreu, uma novela nova. Mais que uma referência ao passado, porém, o que se viu nesta quinta, na reedição da famosa cena em que os protagonistas se bombardeiam com comida durante o café-da-manhã, foi uma verdadeira reverência. A ideia, que carregava uma boa causa, era homenagear Fernanda Montenegro e Paulo Autran, estrelas da Guerra dos Sexos de 1983. Irene Ravache e Tony Ramos, nos papéis dos sobrinhos de Charlô e Otávio, encenaram a batalha de quitutes em meio a imagens da versão original inseridas de forma sincronizada.

Na comparação entre as duas versões da disputa feita de xícaras de café, leite, cremes e outras munições comestíveis, os inimigos de hoje parecem ter saído mais sujos. Os recursos tecnológicos disponíveis atualmente também ajudaram a dar uma cara nova à cena. Os dois quadros pendurados na parede, com os retratos de Fernanda Montenegro e Paulo Autran em seus respectivos personagens, moviam as feições e, de uma certa forma, contracenavam com Irene e Ramos. O avanço digital já havia sido usado para inserir a cena clássica na abertura da novela, uma animação computadorizada.

Uma das únicas novidades na reedição da cena foi a fala da empregada Olívia, interpretada pela mesma atriz, Marilu Bueno, em 1983 e agora. “Vou ter que limpar tudo isso de novo”, disse, ao ver a bagunça dos patrões. Na cena original, a personagem tinha uma reação que talvez não se encaixasse no país de hoje, marcado pela forte ascensão da classe C. “Esse pessoal rico é muito estranho, mesmo.”

Nas duas novelas, a dos anos 1980 e a atual, o motivo para a disputa foi a mesmo: o golpe armado por Otávio (Tony Ramos) para tirar Roberta Leone (Glória Pires) da presidência da empresa Positano, só para não ter de lidar com mulheres no ambiente de trabalho. Assim como na versão anterior, o time das mulheres vai vencer essa disputa e Charlô (Irene Ravache) vai manter sua aliada no poder.

Mais do que simplesmente divertir, a sequência de comédia pastelão teve um valor importante para o autor, quando foi ao ar pela primeira vez. Firmou Silvio de Abreu como um novelista de comédia escrachada, numa época em que a maioria das tramas tendia a tratar de temas políticos e sérios.

Relembre a cena original de 1983: