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Filme brasileiro está entre os 10 melhores do ano do NYT

'O Som ao Redor', do pernambucano Kleber Mendonça Filho, bate 'Argo', de Ben Affleck, e 'Moonrise Kingdom', de Wes Anderson, na seleção do jornal

Longas bem cotados para o Oscar como Argo, de Ben Affleck, e Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, perderam lugar para o brasileiro O Som ao Redor em uma seleção do site do jornal The New York Times. Entre os dez melhores filmes do ano, a produção do pernambucano Kleber Mendonça Filho aparece em nono lugar. Argo e Moonrise Kingdom recebem apenas “menções honrosas”, junto com outros como Entre o Amor e a Paixão, de Sarah Polley, e A Escolha Perfeita, de Jason Moore, que acabam de estrear no Brasil.

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A lista do NYT é encabeçada por Amour, coprodução entre Áustria, França e Alemanha dirigida por Michael Haneke. O filme é seguido por Lincoln, de Steven Spielberg, Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin, e Nota de Rodapé, de Joseph Cedar. Na quinta e na sexta posições, vêm os premiados The Master, de Paul Thomas Anderson, e A Hora Mais Escura, longa de Kathryn Bigelow sobre a caçada a Osama bin Laden. O novo Quentin Tarantino, Django Livre, aparece em sétimo lugar, à frente de Adeus, Primeiro Amor, de Mia Hansen-Løve, uma coprodução entre Alemanha e França. A lanterna fica com A Perseguição, longa de Joe Carnahan estrelado por Liam Neeson.

Uma das grandes produções nacionais dos últimos anos, O Som ao Redor é um filme que, ao se concentrar em uma rua de um bairro de classe média do Recife, fala sobre um país inteiro, suas relações sociais e a violência de seu cotidiano. Ali, nada parece anormal: crianças jogam bola, adolescentes dão seus primeiros beijos, o rádio de um carro é roubado… Clodoaldo (o ótimo Irandhir Santos) oferece seus serviços de segurança, que dão tranquilidade a alguns e provocam desconfiança em outros. Para atuar no cenário de O Som ao Redor, ele pede autorização ao “coronel da área”, o ex-senhor de engenho Francisco (W.J. Solha), proprietário de boa parte dos imóveis da região.

Kleber Mendonça Filho constrói a narrativa a partir de cenas aparentemente soltas, quase instantâneos de acontecimentos do dia a dia, e a partir delas tece um rico painel de imagens e de sons da vida da classe média brasileira, com seus medos e brigas de vizinhos. Tenso em muitos momentos, divertido em outros, é o trabalho de um diretor maduro, ainda que estreante em longa-metragens.