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Festival de Veneza: ‘Spotlight’ aborda escândalo de pedofilia na Igreja Católica

Filme com Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo acompanha a história real de jornalistas que revelaram abusos nos Estados Unidos

O cineasta Thomas McCarthy (Trocando os Pés) apresentou nesta quinta-feira seu novo filme, Spotlight, no Festival de Veneza. A trama acompanha a revelação de um escândalo envolvendo a hierarquia católica em Boston, a partir da investigação de um grupo de jornalistas. Os atores Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo interpretam os repórteres do jornal Boston Globe, responsáveis por divulgar o caso em 2002.

A investigação descobriu como a hierarquia católica local, presidida pelo cardeal Bernard Law, acobertou abusos sexuais cometidos por mais de 70 padres em Boston, nos Estados Unidos, e seus arredores. Os artigos publicados renderam aos jornalistas o Prêmio Pulitzer. Quase 1.500 vítimas testemunharam e o caso foi seguido por inúmeras outras revelações envolvendo membros da Igreja por todo o mundo, particularmente na Irlanda. Dez anos depois, o Vaticano afirma ter aprendido as lições do passado e que os procedimentos em vigor para impedir tais crimes evitaram a repetição de escândalos similares.

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“Acredito que o papa tenha consciência disso. Se eu penso que o problema está resolvido? Não. Se eu acho que a igreja tem feito o que deveria fazer? Realmente não”, disse o cineasta à agência France-Presse. Apesar da crítica, McCarthy se diz um admirador do papa Francisco. “Este é um homem fascinante e interessante. Eu acredito nele. Mas veremos com o tempo”, conta.

A luta da igreja foi marcada por várias etapas. Em 2011, o Vaticano instou todas as conferências episcopais a colaborar com os juízes civis e desenvolver normas contra os padres culpados ou suspeitos; em 2013, a Santa Sé reforçou a legislação penal, acabando com a impunidade de seus prelados; em 2014, a Pontifícia Comissão para a Proteção Infantil, constituída por 17 especialistas, incluindo vítimas, foi criada. Em junho deste ano, o Vaticano também estabeleceu um corpo para julgar pela lei canônica os bispos que protegeram padres pedófilos.

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Além do tema central da pedofilia na Igreja, Spotlight é uma oportunidade para celebrar o jornalismo investigativo, diz Mark Ruffalo, que dá vida ao repórter Michael Rezendes. “Nunca tinha interpretado um personagem como este e eu realmente gostei do seu lado cômico. Inicialmente, ele não tem nenhuma das qualidades normalmente atribuídas a um herói, mas ele realmente é um deles” , conta.

“Estes homens agiram em águas turvas”, acrescentou o diretor. “Tudo o que eles investigaram era doloroso e horrível, mas eles foram além e espero que o público entenda que seu trabalho é colocar as verdadeiras questões, até mesmo as mais difíceis”. Para o cineasta, este é o “grande poder da imprensa”. “É algo que eu, como um ‘civil’, não seria capaz de fazer. Questionar as pessoas sobre como elas foram abusadas, como aconteceu… Mesmo que seja importante que seja dito”.

No papel de advogado incansável das vítimas, Stanley Tucci já é citado como um potencial indicado ao Oscar. “Spotlight não é a condenação do catolicismo, mas a condenação de pessoas que iam contra os princípios básicos do catolicismo e cristianismo”, diz ele. “O problema é que estas pessoas pertenciam a alta hierarquia da Igreja.”

(Da redação com agência France-Presse)