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Festival de Toronto: só atuações salvam dramas sobre transgêneros

Eddie Redmayne e Alicia Vikander são o melhor de ‘A Garota Dinamarquesa’, e Elle Fanning encanta em ‘About Ray’

Elle Faning vive transgênero em 'Meu Nome É Ray' Elle Faning vive transgênero em ‘Meu Nome É Ray’

Elle Faning vive transgênero em ‘Meu Nome É Ray’ (/)

A transexualidade é um tema em voga hoje no mundo. A presença de personagens transgênero é grande na televisão e no streaming, em séries como Orange is the New Black e Sense8, da Netflix, e Transparent, da Amazon. Bruce Jenner fez a transição e agora é Caitlyn Jenner, com um reality show próprio no canal pago E!, o mesmo de Keeping up with the Kardashians. E agora o cinema entra na onda. No 40º Festival de Toronto, dois longas-metragens trazem o assunto para o público: A Garota Dinamarquesa, de Tom Hooper, e Meu Nome É Ray, de Gaby Dellal.

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A Garota Dinamarquesa, previsto para fevereiro no Brasil, conta a história real de Lili Elbe, nascida Einar Wegener. Ele foi um pintor dinamarquês casado com a também artista plástica Gerda Wegener (Alicia Vikander). Um dia, a modelo de um dos quadros de Gerda não aparece e a pintora pede ao marido que vista meias de seda e sapatos femininos para terminar o trabalho. Einar logo percebe que gosta de se vestir assim. Passa a ir a bailes e eventos sociais como Lili. Mas não é o suficiente: vê que é uma mulher aprisionada no corpo de um homem e que precisa resolver a questão. Mas vive na década de 1930, e a disforia de gênero (o sentimento de que o gênero determinado biologicamente não corresponde àquele com que se identifica) é praticamente desconhecida. Depois de um périplo por diversos consultórios médicos, Wegener se torna uma das primeiras pessoas do mundo a se submeter à cirurgia de redesignação sexual.

É uma grande história, e Hooper, que ganhou o Oscar de direção por O Discurso do Rei (2010), faz um filme com alto padrão de qualidade: a direção de arte, os figurinos, a maquiagem são lindos. O diretor merece crédito também por maneirar nos movimentos de câmera sem sentido. Ainda assim, falta alma ali. O que sobra é a performance dos atores, especialmente Eddie Redmayne e Alicia Vikander. O inglês Redmayne, que ganhou o Oscar neste ano por sua interpretação do astrofísico Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, deve entrar na lista de indicados novamente. Mas a sueca Alicia Vikander (O Amante da Rainha, Anna Karenina) é quem não pode ficar de fora dos concorrentes, de jeito nenhum. Ela transita bem da força à fragilidade e faz de A Garota Dinamarquesa, no fundo, um filme sobre um grande amor.

Meu Nome É Ray, que chega ao Brasil no começo de novembro, se passa na Nova York atual. Na primeira cena, o adolescente Ray (Elle Fanning), nascido Ramona, está no médico com as mulheres de sua vida: a mãe Maggie (Naomi Watts), que o criou sozinha, a avó Dolly (Susan Sarandon) e sua companheira, Frances (Linda Emond). O especialista explica como é o tratamento com hormônios e posteriores cirurgias que Ray terá de enfrentar para deixar de ser Ramona – hoje, procedimentos muito menos arrriscados do que na época de Einar Wegener. Ray quer fazer a transição durante as férias de verão e mudar para uma escola nova, já como um garoto completo. Há boas cenas mostrando as suas dificuldades no dia a dia, como qual banheiro usar no colégio. Maggie tenta apoiar o filho, mas no fundo teme que ele se arrependa. Dolly não entende por que Ray não pode seguir seu exemplo e ser lésbica, confundindo gênero com sexualidade (Ray gosta de meninas, mas, como se sente menino, é heterossexual e não homossexual como a avó).

O problema da cirurgia é que Maggie precisa da autorização de Craig (Tate Donovan), o pai que Ray não vê há mais de dez anos. E aí o filme abandona a transição de Ray para se tornar um drama familiar, com Dolly pedindo para a filha se mudar de sua casa, e Maggie confrontando seus relacionamentos do passado. Ou seja, nada de novo.

É uma pena a oportunidade perdida de abordar com profundidade as dificuldades de ser um adolescente transgênero. Por sorte, o filme tem Elle Fanning (Babel e Malévola), 17, que mais uma vez mostra seu talento.

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‘Demolition’

Jake Gyllenhaal continua em sua cruzada para mostrar que é mais do que um rosto bonito. Depois de emagrecer assustadoramente para fazer O Abutre e ficar absurdamente forte para Nocaute, agora ele interpreta um bem-sucedido banqueiro que lida de uma maneira curiosa com a perda de sua mulher num acidente neste longa de Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas). 

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‘Freeheld’

Diretor do simpático Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música, Peter Sollett agora conta a história real da policial Laurel Hester (Julianne Moore), que em 2005 entrou na justiça para que sua companheira, a mecânica Stacie Andree (Ellen Page), recebesse pensão após a sua morte, depois de ser diagnosticada com câncer em fase terminal. 

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‘Our Brand is Crisis’

No filme de David Gordon Green, Sandra Bullock é “Calamity” Jane Bodine, uma estrategista de campanhas políticas que sai da aposentadoria para trabalhar para o candidato à presidência da Bolívia Castillo (Joaquim de Almeida). Tudo com um único objetivo: bater seu rival Pat Candy (Billy Bob Thornton), favorito para ganhar as eleições. 

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‘About Ray’

O filme da inglesa Gaby Dellal fala de um assunto em voga: a questão do gênero e da sexualidade. Ray (Elle Fanning) sempre achou que era um menino, embora tenha nascido menina. Adolescente, insiste em fazer a transição, o que causa preocupação em sua mãe, Maggie (Naomi Watts), e sua avó, Dolly (Susan Sarandon), que é lésbica.  

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‘The Dressmaker’

Baseado no romance de Rosalie Ham, o filme de Jocelyn Moorhouse traz Kate Winslet no papel de Tilly Dunnage, que deixou sua pequena cidade natal na Austrália depois de ser acusada de um crime quando era criança. Ela retorna como modista, depois de anos em Paris, causando furor na conservadora Dungatar com sua moda e modos progressistas. 

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‘Trumbo’

Bryan Cranston, o Walter White da série Breaking Bad, interpreta o roteirista Dalton Trumbo neste longa de Jay Roach. Membro do Partido Comunista, ele entrou na lista negra depois de se recusar a dar informações ao Comitê de Atividades Anti-Americanas. Durante o período, ganhou dois Oscar sob pseudônimos (por Arenas Sangrentas e A Princesa e o Plebeu). Mais tarde, escreveu os roteiros de Spartacus e Exodus

Cate Blanchett e Robert Redford no filme 'Truth' Cate Blanchett e Robert Redford no filme ‘Truth’

Cate Blanchett e Robert Redford no filme ‘Truth’ (/)


Imagem de divulgação do filme 'Where to Invade Next', de Michael Moore Imagem de divulgação do filme ‘Where to Invade Next’, de Michael Moore

Imagem de divulgação do filme ‘Where to Invade Next’, de Michael Moore (/)


Mariana Ximenes e Jason Priestley no filme 'Zoom', de Pedro Morelli, selecionado para o Festival de Toronto Mariana Ximenes e Jason Priestley no filme ‘Zoom’, de Pedro Morelli, selecionado para o Festival de Toronto

Mariana Ximenes e Jason Priestley no filme ‘Zoom’, de Pedro Morelli, selecionado para o Festival de Toronto (/)


Tom Hiddleston no filme 'I Saw the Light' Tom Hiddleston no filme ‘I Saw the Light’

Tom Hiddleston no filme ‘I Saw the Light’ (/)