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Festival de curtas Vila do Conde completa 20 anos

Por Da Redação - 10 jul 2012, 10h25

Por AE

São Paulo – Um dos mais importantes festivais de curtas-metragens do mundo, Vila do Conde completa 20 anos esta semana. Mais que um evento eurocêntrico, tem por tradição revelar o que de mais contemporâneo e inovador tem sido produzido no mundo quando o assunto são filmes de curta duração. “Mas não é só isso, Vila do Conde valoriza o cinema como um todo. Há mostras, sessões e debates de curtas de 40, 50 minutos, concertos, oficinas e até mostras de longas dedicados a diretores como o francês Olivier Assayas, que ganha retrospectiva neste ano”, explica Helvécio Marins, diretor brasileiro que também terá uma retrospectiva de seus trabalhos nesta edição do festival.

Os diretores também convidaram Marins para dirigir um dos filmes em homenagem ao aniversário do evento. Ao lado do brasileiro, que dirigiu o longa “Girimunho”, estão mestres do cinema atual como o americano Thom Andersen, de “Los Angeles Plays Itself”, e do bielo-russo Sergei Loznitsa, diretor de “Minha Felicidade” e “In the Fog”, vencedor do prêmio da crítica no último Festival de Cannes. “É uma seleção que destaca o trabalho destes quatro realizadores entre os mais relevantes no cenário contemporâneo internacional e que mantêm uma forte relação com o festival. É muito gratificante ver que são diretores que já foram premiados em outras edições e cujo trabalho ganha cada vez mais projeção”, comenta Dario Oliveira, um dos fundadores de Vila do Conde.

O curta que Marins dirigiu a pedido do festival se chama “O Canto do Rocha” e mistura performance, documentário e ficção para contar a história de Alfredo Rocha, um ex-cantor de fado, ex-traficante, ex-presidiário (condenado a 14 anos), faixa preta de caratê e atualmente dono de um café na rua de São Victor, na cidade do Porto. “O processo de descoberta do personagem foi muito rico. O Rocha tem uma história de vida incrível. Imagine que, aos 16 anos, sua casa foi invadida pela polícia, que cometeu um engano, em um tempo em que a ditadura de Salazar estava muito rígida. Conclusão: A mãe dele foi agredida e ele, que a defendeu, viu-se com o olho direito na mão. Pense no trauma para um garoto, que passou a ser rejeitado e se tornou traficante e agiota para se vingar. O Porto é tão rico de personagens como o Rocha, ainda que ele seja uma figura única e especial, que o maior prazer de realizar este filme foi o processo de descobertas e filmagens”, conta Marins.

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Com curtas premiados em todo o mundo, Marins é apontado como um dos jovens expoentes do novo cinema brasileiro. Agora leva seu primeiro longa, “Girimunho” (dirigido em parceria com Clarissa Campolina) para as salas europeias. O longa já estreou na Espanha, na Alemanha, e chega às salas francesas em agosto, depois de estrear no Festival de Veneza, em 2011, e passar por importantes festivais. Em Vila do Conde, além de “O Canto do Rocha” e “Girimunho”, serão exibidos “Nascente”. “Trecho”, “Nem marcha nem chouta”, “2 Homens” e a vídeo instalação “Alma Nua”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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