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Fernanda Lima comanda o improviso em ‘Superstar’

Decotes da apresentadora ajudam a segurar o reality musical da Globo, que, com aplicativo para votação em tempo real pelo celular, ainda comete gafes

Quando Fernanda Lima está em cena, há muito para se ver, ainda que a onipresente musa da Globo e dos grandes eventos no Brasil não tenha muito a dizer. O muito de pernas e o pouco de roupas da apresentadora do ‘Superstar’ ajuda, mas nem sempre resolve um problema que a produção do programa tem nas mãos: o novo e bem intencionado reality show musical tem uma dose de improviso e de imprevisibilidade acima da média para os programas da emissora. Uma parte dessa instabilidade vem, é certo, da opção por uma votação em tempo real, via aplicativo, que é, afinal, a graça da competição.

Fernanda Lima tem comandado bem o festival de improvisação – da produção. Mas só ela não será o bastante para conduzir o Superstar de atração iniciante ao patamar que o The Voice Brasil e outras atrações do gênero atingiram na Globo. O espírito de reality show permeia toda a grade da emissora líder: há as danças e saltos do Faustão; os espetáculos de transformação promovidos por Luciano Huck; a vida real misturada com os temas dos programas matutinos para donas-de-casa e inserções até nas novelas – como na mistura de Big Brother com ‘Amor à Vida’, centrada na figura de Valdirene, personagem de Tatá Werneck.

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‘Superstar’ começou com um problema grave: o aplicativo para votações simplesmente ficou travado em um número desconhecido de dispositivos. A emissora creditou o problema ao grande volume de acessos, e não comentou os impactos da falha nas primeiras votações. A regra é a seguinte: para manter-se no programa, a banda precisa atingir 70% de votos “sim” pelos aplicativos. Cada “sim” de um dos três jurados conta como 7% para ajudar os competidores, que, dependendo do botão pressionado por Ivete Sangalo, Fábio Jr. e Dinho Outro Preto podem ver a redoma de telões de led ser erguida e festejar a aprovação.

Mas eis que, na terceira noite do programa, Fernanda Lima surgiu com uma nova regra: o primeiro técnico a pressionar o botão tem a preferência para “pegar” a banda para seu time. A norma anunciada no meio do caminho ajuda a evitar constrangimentos. Se no The Voice os quatro técnicos fazem suas propostas divertidas e o candidato escolhe com quem quer ficar, no ‘Superstar’ a regra era… ninguém sabe. Os três jurados podem decidir entre eles quem acompanhará a banda. A liberdade deixa com cara de tacho os músicos no palco, enquanto Ivete, Fábio e Dinho tentam se entender diante das câmeras – mais um bom momento para as câmeras mostrarem Fernanda Lima.

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Num desses momentos de indecisão a banda carioca Fuzzcas, que se apresentou no segundo episódio de ‘Superstar’, havia acabado de ser aprovada com 77% dos fotos e a escolha do técnico se deu num método não muito artístico: par ou ímpar entre Fábio Jr. e Dinho. Fábio venceu. Na noite seguinte, sem a mesma sorte, Fábio errou os botões. O público – e ele – só descobriram quando Fernanda Lima quis saber: “Fábio, não gostou?”. E ele: “Gostei, votei ‘sim'”. Não, ele havia votado “não”, e a conta teve de ser refeita.

Trapalhadas acontecem. E a Globo, no momento, corre os riscos normais de promover uma inovação. O telão gigante e móvel de ‘Superstar’ é a versão atualizada de outros programas em que o espectador era quem controlava os desdobramentos. Na primeira vez em que isso foi realizado, na década de 90, o público usava o telefone para escolher entre dois finais no ‘Você Decide’. Na brincadeira de agora, o usuário do aplicativo pode ver seu rosto exibido na tela da TV – uma ‘bossa’, ainda que por alguns segundos. E, se a internet não ajudar, sempre haverá Fernanda Lima.

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