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‘Faremos show no Brasil quando for possível’, diz baixista dos Strokes

A VEJA, o baixista afirmou que a banda está pronta para voltar a São Paulo, onde tem show marcado em dezembro, no Lollapalooza

Por Felipe Branco Cruz - Atualizado em 18 Maio 2020, 13h48 - Publicado em 18 Maio 2020, 13h30

Em uma realidade paralela, os Strokes teriam apresentado em primeira mão no Brasil, no Lollapalooza (que aconteceria em abril), as músicas inéditas do novo álbum The New Abnormal. Mas aí veio a pandemia e tudo mudou. O novo show da banda no país assim como o Lollapalooza foram remarcados para dezembro. Se depender do baixista Nikolai Fraiture, eles estarão aqui, sim. “Estamos prontos. Faremos show no Brasil quando for possível”, disse por telefone a VEJA, de Nova York, onde está em quarentena. Na conversa, o tema pandemia foi deixado de lado por alguns minutos para dar lugar à música: e assim fugirmos (metaforicamente) da tragédia global.

Nikolai relembrou dos dias no estúdio, quando gravaram o novo álbum sem pressão de um prazo apertado. Segundo ele, a sensação foi a mesma de quando fizeram o registro do elogiado disco de estreia, Is This It (2001). Talvez resida aí o segredo de The New Abnormal ter recebido tantos elogios da crítica, ao contrário do último trabalho, o defenestrado Comedown Machine (2013). Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

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Por que demoraram sete anos para lançar um novo disco de inéditas? Levamos sete anos para lançar o disco, mas não ficamos parados neste tempo. Em 2016, lançamos o EP Future Present Past. Logo depois começamos a gravação de The New Abnormal. Acho que terminamos de gravá-lo em 2017. Por alguma razão, levou esse tempo para de fato lançarmos o disco. Estamos fazendo novas músicas constantemente desde então. Por isso pareceu que foi tanto tempo.

Os dois primeiros discos dos Strokes, Is This It (2001) e Room On Fire (2003) foram elogiados pela crítica especializada. Comedown Machine não teve a mesma sorte. Essas críticas ruins te incomodaram? Para ser honesto, eu não leio as críticas dos discos, nem dos novos, nem dos antigos. Pessoalmente, eu gosto de escutá-los e ter a minha própria opinião. Sobre Comedown Machine, nós não saímos em turnê com ele e isso pode ter influenciado a baixa popularidade, pois não sabemos como ele poderia soar ao vivo. Mas na real não me importo muito. Não faço música para os críticos e está tudo bem para mim.

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Há uma teoria de que Comedown Machine foi feito às pressas, pois a banda queria cumprir o contrato de produzir mais um álbum e se livrar da gravadora. É verdade? Não do meu ponto de vista. Nós fizemos o disco sem pensar no contrato de gravação. Só queríamos fazer música. Talvez essa impressão tenha ocorrido para quem acompanhou de fora. Foi divertido fazer o disco.

The New Abnormal foi feito com mais tempo, isso altera o resultado? Com certeza foi um disco feito sem pressão. As gravações de The New Abnormal lembraram muito da época quando gravamos os nossos primeiros discos. Sem agenda, sem prazo, sem gravadora. Nos reunimos apenas para fazer música. Tivemos uma reconexão, uma união. Queríamos nos divertir e acho que conseguimos capturar esse momento.

Na época de Is This It, os Strokes foram considerados os salvadores do rock. The New Abnormal vai salvar o rock de novo? Não acho que o rock precise ser salvo. Estamos indo muito bem, eu acho.

Em fevereiro, o grupo participou de um comício contra o Trump e em favor da candidatura de Bernie Sanders. Fizeram camisetas em apoio ao democrata e quase foram presos. As novas músicas da banda também estão mais politizadas? Se você olhar cuidadosamente verá que, sim, as letras estão mais politizadas. Não é segredo que estamos mais ativos politicamente. Acho que sempre tivemos uma influência política, às vezes é mais óbvio aqui e ali.

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Bernie Sanders retirou a candidatura em apoio a Joe Biden. Vocês vão apoiá-lo também? Vamos apoiar qualquer um que mude o que está acontecendo agora. O que vier, eu vou apoiar.

Como estão lidando com a quarentena em Nova York? Estamos fechados em casa. Fizemos algumas transmissões pelo YouTube e criamos um programa para falar de música e amenidades chamado Cinco Caras Falando Sobre Coisas Que Eles Não Sabem Nada a Respeito. Conversamos com fãs e amigos e concedemos entrevistas. Ainda temos muito trabalho para fazer. A Covid-19 está, de uma certa maneira, nos conectando. Eu e meus amigos de banda continuamos fazendo músicas juntos. Obviamente que os shows não vão ocorrer por algum tempo, mas vamos ficar juntos novamente em breve, talvez fazendo pequenos shows. Espero que isso ocorra em breve.

A apresentação da banda no Lollapalooza Brasil em abril foi adiada para dezembro. O plano era apresentar as canções do novo disco. Se o show acontecer este ano, vão manter o mesmo roteiro? Já tocamos algumas músicas do novo álbum, mas não o disco inteiro. Estamos sim prontos para apresentá-lo. Faremos show no Brasil quando for possível.

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