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Europeus dominam premiação da 38ª Mostra, de qualidade acima da média

'A História da Eternidade', ótimo representante brasileiro, é premiado pelo público

Depois de catorze dias e a exibição de 330 filmes, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chegou ao fim na noite desta quarta-feira. No encerramento, a exibição de Dólares de Areia, filme com Geraldine Chaplin, e a divulgação dos vencedores dos vários prêmios oferecidos pela Mostra, outorgados pelo público, a crítica e o júri. Como sempre, a Mostra primou pela organização. Em todas as sessões acompanhadas por VEJA não houve atrasos e o pessoal de apoio da organização estava sempre disponível para eventuais dúvidas. Na Central da Mostra, no Conjunto Nacional, também uma estrutura bem montada, sem longas filas para a retirada de ingressos pela imprensa e por quem comprou pacotes.

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Mais do que a organização, o destaque é mesmo a programação. Ainda que não seja possível assistir a todos os filmes, o evento é a oportunidade de fazer uma seleção que contemple produções de lugares bastante distintos – este ano, 72 países estiveram representados e o número de filmes inéditos foi de quase 70% – e os gostos pessoais. Essa possibilidade de escolhas refletiu no resultado do melhor filme de ficção internacional na votação do público. “Aconteceu algo curioso. Três filmes muitos diferentes entre si ficaram empatados e acho que isso diz alguma coisa sobre o público da Mostra”, disse Renata de Almeida, direta da Mostra ao anunciar Do que Vem Antes, Relatos Selvagens e Sam como vencedores (confira a lista completa abaixo). Ou seja, a Mostra continua com seu caráter eclético e trazendo um panorama amplo da produção cinematográfica mundial para o público brasileiro.

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Entre os destaques da programação, estiveram os vencedores de importantes festivais, como Leviatã – melhor roteiro em Cannes, que aqui recebeu o prêmio da crítica de melhor filme – e a chance de assistir a filmes muito comentados no exterior, mas ainda sem previsão de exibição por aqui. Também houve boas surpresas entre os filmes brasileiros, como A História da Eternidade, primeiro longa do diretor pernambucano de Camilo Cavalcante, escolhido pelo público como o melhor ficção brasileiro. Nas sessões com a presença de diretores e integrantes da produção dos filmes, era possível sentir que isso é algo o público aprecia. Não é sempre que se tem a chance de conversar e saber mais sobre como os trabalhos são feitos. Além de filmes inéditos, a Mostra também traz importantes retrospectivas e, este ano, a escolha acertada pela obra de Pedro Almodóvar permitiu que os fãs e aqueles que quisessem conhecer mais de sua produção tivessem a possibilidade de ver 15 dos seus 19 filmes.

Dos 20 filmes acompanhados por VEJA, quatro estão na lista de premiados:

Prêmio do Júri – Melhor Ficção – Novos Diretores

Entre Mundos (Alemanha), de Feo Aladag

O longa se passa no Afeganistão, para aonde o soldado alemão Jesper foi, mesmo depois de ter perdido um irmão no país. Em sua missão, Jesper se vê rodeado pelas amções do Talibã e tem de escolher entre cumprir suas obrigações militares ou seguir sua consciência.

Prêmio do Júri – Melhor Documentário – Novos Diretores

A Guerra das Patentes (Alemanha), de Hannah Leonie Prinzler (Alemanha)

O longa se passa no Afeganistão, para aonde o soldado alemão Jesper foi, mesmo depois de ter perdido um irmão no país. Em sua missão, Jesper se vê rodeado pelas amções do Talibã e tem de escolher entre cumprir suas obrigações militares ou seguir sua consciência.

Prêmio do Público – Melhor Ficção Internacional

Relatos Selvagens (Argentina, Espanha), de Damián Szifrón

Prêmio do Público – Melhor Ficção Internacional

Do que Vem Antes (Filipinas), de Lav Diaz

O longa em preto e branco também ganhou o Leopardo de Ouro de melhor filme no Festival de Locarno. Ele aborda a situação das Filipinas em 1972, quando o país estava sob lei marcial.

Prêmio do Público – Melhor Ficção Internacional

Sam (Suiça), de Elena Hazanov

O garoto Sam, de 7 anos, terá de morar com o pai, alguém que ele mal conhece. É o próprio garoto quem vai tentar ensinar aquele homem a ser de fato um pai

Prêmio do Público – Melhor Ficção Brasileiro

A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante

Prêmio do Público – Melhor Documentário Internacional

Charles Chaplin: A Lenda do Século (França), de Frédéric Martin

O garoto Sam, de 7 anos, terá de morar com o pai, alguém que ele mal conhece. É o próprio garoto quem vai tentar ensinar aquele homem a ser de fato um pai

Prêmio do Público – Melhor Documentário Brasileiro

Cássia, de Paulo Henrique Fontenelle

Documentário mostra a trajetória da cantora Cássia Eller desde o início em Brasília até se tornar um sucesso em todo o país. O longa também aborda a morte da cantora, em 2001, e a disputa pela guarda do filho Franciso, que foi dada a sua parceira Eugênia.

Prêmio da Crítica – Melhor Filme

Leviatã (Rússia), de Andrey Zvyagintsev

Menção Honrosa da Crítica

Mostra Victor Erice (Espanha)

Menção Honrosa da Crítica

A Ilha dos Milharais (Geórgia), de George Ovashili

Um belo filme que mostra a vida de um agricultor e sua neta numa região de solo fértil, mas marcada pela tensão entre a Geórgia e a República separatista da Abecásia.

Menção Honrosa da Crítica

Retorno a Ítaca (França), de Laurent Cantet

Do mesmo diretor do ótimo Entre os Muros da Escola (2008), o longa foi filmado em Havana e trata do retorno de um cubano, que retorna ao país 16 anos depois de ter partido para Madri.

Menção Honrosa da Crítica

O Pequeno Quinquin (França), de Bruno Dumont

O longa é uma comédia originalmente exibida como minissérie na TV francesa. Na história, um garoto Quinquim, sempre metido em confusão, segue dois policiais que investigam a descoberta de uma vaca morta preenchida com restos humanos depois da Segunda Guerra.

Prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine)

Casa Grande (Brasil), de Fellipe Barbosa (Brasil)

O longa é sobre Jean, um garoto superprotegido pelos pais que não sabe que eles estão falidos. De sua redoma, ele acompanha a decadência moral e financeira da família.

Prêmio Associação Autores de Cinema – Melhor Roteiro

A Gangue (Ucrânia), roteiro de Myroslav Slaboshpytskiy

Prêmio da Juventude – Melhor Filme Internacional

Labyrinthus (Bélgica, Holanda), de Douglas Boswell

Um garoto encontra um jogo de computador estranho dentro de uma bolsa que um ciclista deixou cair. Os jogadores daquele game são crianças reais da vizinhança e elas precisam encontrar seu criador para conseguir fugir dali.

Prêmio da Juventude – Melhor Filme Brasileiro

Encantados, de Tizuka Yamasaki

Zeneida nasceu predestinada a ser pajé, mas ela não sabe. E é esse dom que pode salvar a vida de sua mãe, à beira da morte.

Prêmio Humanidade (oferecido a personalidades do cinema)

Geraldine Chaplin, Marin Karmitz e Jia Zhangke