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“Eu era o cara perfeito para o emprego”, diz diretor de ‘Guardiões da Galáxia’

Em entrevista ao site de VEJA, James Gunn fala sobre histórias intergalácticas e o processo de criação dos personagens do novo filme de heróis da Marvel

Por Raquel Carneiro - 1 Aug 2014, 12h12

Na próxima terça-feira, dia 5 de agosto, o cineasta James Gunn completa 44 anos. De presente, ele deve levar para casa a satisfação de dominar as bilheterias de cinema em diversos países com o filme Guardiões da Galáxia, que chega neste fim de semana aos Estados Unidos e que estreou na última quinta no Brasil.

Sem grandes feitos em sua carreira até agora, Gunn é diretor e roteirista de filmes modestos, alguns até ruins, entre eles a comédia Para Maiores (2013), que levou dois prêmios no Framboesa de Ouro – cerimônia que elege os piores do cinema poucos dias antes do Oscar -, o de pior roteiro e pior diretor.

Contudo, Gunn sempre pode se gabar de duas habilidades: ser criativo (para o bem e para o mal) e bem relacionado. No duvidoso Para Maiores, por exemplo, ele reuniu um elenco de estrelas gigantesco, com nomes como Hugh Jackman, Kate Winslet e Naomi Watts. Agora, em Guardiões da Galáxia, o diretor já estava há tempos em contato com Kevin Feige, produtor poderoso dentro do estúdio Marvel, que deu a ele liberdade de criação em cima da história do grupo de heróis alienígenas desajustados. “Eu amo a trama original, os heróis da Marvel, aventuras espaciais e guaxinins, pois eles são fofos (risos), então eu era o cara perfeito para o emprego”, diz em entrevista ao site de VEJA.

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Apesar de os filmes da Marvel serem bem-humorados, o senhor adicionou uma dose extra de comédia em Guardiões da Galáxia. Acredita que sua experiência com produções cômicas foi o que levou o estúdio a escolher você como diretor e roteirista? Eu conheço o Kevin Feige [produtor da Marvel] há algum tempo e sei que o estúdio já planejava me convidar para dirigir um filme. Eu queria muito fazer Guardiões da Galáxia, estava bem interessado e eles perceberam isso. Eu amo a trama original, os heróis da Marvel, aventuras espaciais e guaxinins, pois eles são fofos (risos), então eu era o cara perfeito para o emprego. Sobre o humor, eu quis focar em personagens o mais verossímeis possível e, para mim, o humor é o caminho ideal para conseguir isso.

Como foi seu primeiro contato com as histórias dos Guardiões? Eu era criança quando li uma história com os Guardiões em uma revista em quadrinhos de outro herói da Marvel. Eu era muito novo e guardei essa lembrança. De cara gostei deles. Antes de fazer o filme, não era um profundo conhecedor do grupo, mas tinha o interesse de levá-los para o cinema. E justamente porque eles não são muito famosos, eu tive a liberdade para criar em cima da história original. O que me deu margem para reinterpretá-los no cinema.

Outro ponto forte do filme são os atores. Como foi o processo de escolha do elenco? Para alguns personagens foi mais fácil. Zoe Saldana, que interpreta Gamora, foi alguém que eu sugeri para a Marvel quando ainda estávamos conversando sobre a possibilidade do projeto. Ela já era um nome favorito desde o começo. Mas o papel de Chris Pratt, de Senhor das Estrelas, foi bem difícil. Testamos cerca de 150 atores. Desde atores muito famosos até outros completamente desconhecidos. E quando Chris apareceu eu percebi em 20 segundos que ele era o cara que estávamos procurando.

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Chris Pratt era um ator pouco conhecido até então. Que sempre fez papéis pequenos no cinema e na televisão. Como foi dirigi-lo em um filme que mistura ação e comédia? Chris é muito bom com cenas cômicas. Ele sabia fazer isso. O principal processo de aprendizado dele, que eu acompanhei como diretor, foi o de aprender a ser um protagonista. Ele tem presença em cena e é muito simpático e carismático. Ao conhecê-lo, as pessoas gostam dele rápido. Ele é naturalmente engraçado, sem precisar exagerar e se esforçar muito. Foi então que trabalhamos nesse sentido, de ele se permitir ser quem é, o que já era suficiente para o papel principal de Guardiões.

Zoe Saldana, que fez Avatar e Star Trek, tem se destacado entre produções de ficção científica. O que ela tem que falta em outras atrizes? Não é uma coincidência que Zoe esteja nestes filmes. De todos os atores de Guardiões, Zoe é realmente uma grande fã de ficção científica. Os olhos dela brilham como os de uma criança feliz quando ela assiste às grandes sequências de ação espacial. Ela se sente atraída por este tipo de papel. Eu conheço muitos atores que sempre estão procurando por papeis sérios em dramas, em busca de credibilidade, mas Zoe está bastante feliz em fazer este tipo de filme, o que é incomum para uma atriz. Além disso, ela é fácil de trabalhar e é uma ótima pessoa.

Como foi o processo de fazer o guaxinim Rocket e a árvore Groot? Você usou algo dos atores que fazem as vozes (Bradley Cooper e Vin Diesel, respectivamente) nos personagens? Os dois foram personagens muito difíceis de serem feitos, mas Rocket foi o pior. Não dá para copiar as feições e emoções de um ser humano em um guaxinim, pois eles são muito diferentes. Nós até tentamos. Meu irmão Sean Gunn, que interpretou Kraglin no filme, também interpretou Rocket no set. Ele usou muitas referências das expressões faciais de guaxinins. Quando gravamos Bradley na dublagem, também o filmamos. A ideia era escolher as melhores feições de um deles na hora de criar o Rocket digitalmente. Porém, nenhum dos dois funcionou. Por fim, dezenas de pessoas dos efeitos especiais tiveram que construir cada ação e expressão do personagem.

Quanto tempo levou para criá-lo? Cerca de dois anos, que foi quando assumi a direção do filme e comecei a desenhar Rocket e Groot, tentando imaginar como eles seriam. Só o processo de design de ambos demorou de 6 a 7 meses. Em seguida, começamos a fazer testes de animação. Groot foi um pouco mais fácil. Já Rocket é um guaxinim do espaço, bípede e que não foi feito para falar. Chegar ao ponto em que ele parece “real” falando demorou e foi difícil.

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Seu filme chega em um momento que histórias intergalácticas estão voltando a ser moda. No ano que vem teremos um novo episódio de Star Wars. Star Trek tem dado bons resultados. Por que este retorno agora? Filmes do tipo ficaram muito famosos entre os anos 1970 e 1990, e acho que agora eles estão voltando por que o espaço é um dos lugares mais férteis para a imaginação. Tramas assim te permitem fazer o que quiser. Sua imaginação fica livre para criar um novo mundo, com diferentes civilizações e culturas. Para mim, como artista, é uma experiência ótima.

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O senhor já está confirmado como diretor e roteirista da sequência de Guardiões da Galáxia, prevista para 2017. Já tem algo em mente? Sim, eu tenho a base de um roteiro em mente e vamos começar a trabalhar com isso. Mas ainda está muito no começo para eu te contar algo. Eu já tenho essas ideias desde que estava criando o primeiro filme. Nunca pretendi fazer só um filme. Meu planejamento era criar outras histórias que se conectem, como já é uma proposta da Marvel e seu universo cinemático.

Qual outro filme da Marvel o senhor gostaria de dirigir? Gosto muito dos Thunderbolts. Eu faria um filme deles. Mas no fundo estou feliz com os meus personagens e me imagino criando neste campo por um longo tempo. Quero fazer não só outros filmes dos Guardiões, mas também filmes de personagens em aventuras solo. Gosto também de alguns coadjuvantes deste filme, que não estão entre os cinco principais, como o Yondu e a Nébula, que são bem interessantes.

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