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Espetáculo expõe relatos reais da rotina na prostituição

"Do Outro Lado da Rua" traz depoimentos de mulheres de diferentes contextos sociais que ganham a vida se prostituindo

Por Da Redação - Atualizado em 10 set 2016, 11h37 - Publicado em 10 set 2016, 11h23

Ninguém imagina, mas uma senhora simpática, sem brincos ou qualquer maquiagem, trabalha das 2h até às 17h com prostituição, na região da Luz. Nesse sábado, 10, esse e outros relatos poderão ser conhecidos em Do Outro Lado da Rua, espetáculo dirigido por Herbert Bianchi que estreia no Núcleo Experimental.

A montagem concebida pela técnica verbatim – bastante rara no Brasil – reúne relatos de mulheres envolvidas com prostituição na cidade. No palco, os atores ouvem esses relatos por meio de fones de ouvido e os reproduzem, simultaneamente, para o público. Na prática, o elenco e diretor foram a campo “como os jornalistas”, explica Bianchi e entrevistaram diversas pessoas para conhecer os aspectos da profissão, como elas começaram e detalhes das rotinas. “Para quem desconhece a prostituição, sempre há um olhar preconceituoso. O que sabemos é muito pouco.” Ele conta que os contatos também se deram por conhecidos em comum. “Tentamos entrevistar mulheres de diversas idades, que trabalhassem em lugares diferentes e outras que também abandonaram a profissão.”

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A missão, entretanto, não é tarefa fácil. As atrizes foram em busca das figuras que iriam encarnar no palco, e ouvir “não” foi muito comum, ressalta Deborah Graça. “É preciso explicar o que queríamos fazer com muito cuidado, porque o objetivo é a força do depoimento e não revelar a identidade delas.” Entre as personagens dessa vida real, estão uma mulher trans que concluiu o mestrado com o salário de prostituta, uma divorciada que começou a trabalhar para sustentar os filhos, e a senhora que abre o texto, e que é mãe e avó.

Temas como esse são um prato cheio para o estilo verbatim. Sua primeira experimentação se deu na montagem norte-americana Fires In The Mirror, em 1992. Na peça, a atriz Anna Deavere Smith trazia as memórias de protagonistas de um conflito entre negros e judeus, em Crow Heights, Nova York. No Brasil, o diretor Zé Henrique de Paula, do Núcleo Experimental, estreou no ano passado Ao Pé do Ouvido, um retrato de nordestinos que se mudaram para São Paulo.

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No palco, Deborah afirma que é preciso ouvir com atenção o relato enquanto repete palavra por palavra para o público. “Cada mulher tem um modo de falar, as pausas e o timbre de voz. É um caminho que vai na contramão da criação de personagem. A gente brinca: parece uma possessão.”

O espetáculo acontece no Núcleo Experimental, que fica na Rua Barra Funda, número 637,  até o dia 23 de outubro. As apresentações são aos sábados, às 21 horas e aos domingos, às 19 horas. 

(Com Estadão Conteúdo)

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