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Em crise, Itália pede socorro para conservar monumentos

Orçamento anual de 1,8 bi de euros é considerado insuficiente por associação de arqueólogos

Quarto destino turístico mundial depois da França, dos Estados Unidos e da Espanha, a Itália sempre teve orgulho de seu patrimônio cultural, enriquecido por séculos de história — da era romana ao barroco, passando pelo Renascimento. Mas hoje a península, estrangulada pelo peso de sua dívida colossal e pelos planos consecutivos de austeridade, não tem conseguido manter seu enorme tesouro e vem sendo obrigada a pedir ajuda ao setor privado e à União Europeia.

Em Roma, em meados de janeiro, partes se desprenderam pela enésima vez do Coliseu, monumento-símbolo da capital. Por falta de dinheiro, o governo fez um apelo ao setor privado para patrocinar a sua restauração, e foi atendido pelo rei italiano dos sapatos, o proprietário do grupo Tod’s, Diego Della Valle, que prometeu investir 25 milhões de euros no projeto.

“Todo o patrimônio italiano precisa atenção”, afirmou a associação nacional de arqueólogos italianos em um comunicado em que pedia “recursos adequados” para a cultura. O estado italiano dedica apenas 0,21% de seu orçamento à cultura, ante 1% da França, por exemplo.

O orçamento anual de 1,8 bilhão de euros é considerado insuficiente pela associação. O Fundo Único para o Espetáculo (FUS), que subvenciona os teatros italianos, chegou, em 2011, a 231 milhões de euros, uma queda de 50% em relação a 2010.

Pompeia e o cinema – Outra área afetada é o célebre sítio arqueológico de Pompeia. Classificado como patrimônio mundial da Humanidade pela Unesco em 1997, ele foi palco, em dois anos, de uma série de desmoronamentos. O último deles destruiu a casa de Loreius Tiburtinus, uma das mais belas da cidade.

Para salvar Pompeia, a Itália obteve uma ajuda de 105 milhões de euros da União Europeia, como parte de um plano de manutenção e restauração, programado para ser realizado em pelo menos quatro anos.

Em relação ao cinema, há uma verdadeira debandada: a associação profissional de autores para o cinema e a televisão, conhecida como 100autori, expressou em janeiro preocupação com as novas reduções de orçamento e cancelamentos de projetos.

Uma situação confirmada por Gustav Hofer, um jovem documentarista que, para seu segundo trabalho, precisou ir ao exterior buscar financiamentos. “Na Itália, são dedicadas apenas algumas migalhas para os documentários”, lamentou ele.

Essa é a mesma opinião de Camillo Esposito, dirigente da pequena sociedade de produção Capetown. “É difícil achar financiamento e fazer a distribuição de um filme que não seja comercial”, diz.

(Com agência France-Presse)