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Em Cannes, Mike Leigh exibe biografia cansativa sobre pintor britânico

Veterano no festival narra a história de J.M.W. Turner, considerado o precursor do impressionismo e do abstracionismo

Por Mariane Morisawa, de Cannes - 15 Maio 2014, 17h30

Depois do desastroso filme de abertura, Grace: A Princesa de Mônaco, de Olivier Dahan, apresentado fora de competição, o 67º Festival de Cannes deu início à exibição dos dezoito concorrentes à Palma de Ouro.

A largada teve um peso-pesado: Mike Leigh, que compete pela quinta vez com Mr. Turner. O cineasta britânico já venceu o prêmio de direção por Naked (1993) e a Palma de Ouro por Segredos e Mentiras (1996). O filme de Leigh, no entanto, foi ofuscado por Timbuktu, coprodução da França e da Mauritânia dirigida por Abderrahmane Sissako, único representante africano na competição francesa.

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O inglês faz uma cinebiografia de J.M.W. Turner (1775-1851), um pintor do período romântico considerado o precursor do impressionismo e do abstracionismo e um dos maiores nomes das artes visuais do Reino Unido.

Para traçar esse perfil, Leigh junta alguns de seus atores favoritos, começando por Timothy Spall, no papel de Turner. Dorothy Atkinson faz Hannah Danby, a empregada apaixonada pelo patrão, que não dá muita bola para Hannah a não ser quando quer sexo. Marion Baily é Sophia Booth, a última amante de Turner, que ele conheceu como dona da hospedaria onde ficou em uma de suas temporadas na cidade litorânea de Margate. O pintor não dá muita bola para ninguém: entre bufadas e grunhidos, importa-se mesmo é com sua arte iluminada. Uma presença fundamental em sua vida é a do pai (Paul Jesson), que era barbeiro e serviu como assistente pessoal do filho quando ele já era reconhecido.

O diretor é muito famoso por seu método de construção de roteiro: ao longo de vários meses, ele propõe improvisações entre os atores, que resultam nos diálogos. Em Mr. Turner, criou episódios que pulam no tempo sem aviso durante os 25 últimos anos da vida do artista e avançam aos poucos na construção de um personagem genial em sua arte e excêntrico, para dizer o mínimo, em sua vida pessoal. Não é fácil de seguir, com seu palavrório próximo de uma estrutura mais teatral. Mas aqui, em parceria com seu habitual diretor de fotografia Dick Pope, Leigh busca também estar à altura de seu objeto em termos visuais, tentando capturar as luzes e por vezes reproduzir as paisagens nebulosas dos quadros de Turner. As atuações, como sempre, são um tom acima, para quebrar o tom realista. O resultado se alterna entre o curioso e o enfadonho.

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