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Egito, Síria e Mali, pontos negros para o patrimônio cultural mundial

Por Issouf Sanogo - 19 jun 2012, 13h09

Egito, Síria e Mali estão entre os três pontos negros no planeta para o patrimônio cultural, vítimas de um tráfico equiparável ao de drogas ou de armas que a Unesco quer denunciar com uma exposição de “tesouros encontrados”, apresentada nesta terça-feira em Paris.

A lista reúne cerca de 30 obras originais, do século IV antes de Cristo até o XVII, que foram roubadas e depois recuperadas pela polícia italiana, uma das melhores do mundo neste campo, entre elas uma carta em latim de Cristóvão Colombo desaparecida em uma biblioteca da Itália em 1986 e encontrada seis anos depois.

“Não estamos preocupados apenas com as guerras, e sim com situações como as da Síria, onde os bens culturais estão em perigo”, explicou Alberto Deregibus, chefe da unidade especializada dos Carabinieri (elite da Polícia da Itália) que colabora com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

No Egito, nos dias da queda de Hosni Mubarak após a revolta popular, sítios arqueológicos importantes como as necrópoles de Saqqara e de Abusir foram saqueados enquanto vários objetos do museu arqueológico do Cairo foram roubados.

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A situação também é preocupante na Síria, onde, segundo a ONU, há o risco de uma guerra civil entre partidários e opositores ao regime de Bashar al-Assad, ou no norte do Mali, onde fica localizada Timbuktu, patrimônio da Humanidade, cidade em poder de grupos islâmicos radicais.

“Ainda agora (mais de um ano depois da queda de Mubarak) o alerta continua no Egito. E também em Síria e Mali, que têm tesouros imensos, bibliotecas muito antigas, pré-islâmicas. Timbuktu está em perigo”, explica Alberto Deregibus.

O tráfico ilegal de bens culturais pode representar entre 2 e 6 bilhões de dólares ao ano, segundo estudos da Unesco.

O problema afeta principalmente a América Latina e países como Peru e Equador, com um imenso patrimônio arqueológico, com o obstáculo adicional de que as peças muitas vezes não estão catalogadas.

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Para muitos países latino-americanos, a convenção para a luta contra o tráfico ilícito de bens culturais, adotada em 1970 e que já foi assinada por 122 Estados, não é suficiente. Por isso, serão discutidas nos próximos dias em Paris formas de reforçar a luta contra este tráfico na qual, muitas vezes, os Estados fracassam.

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