Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Disputa entre as divas Adele e Beyoncé ofusca política no Grammy

Artistas alfinetaram de forma mais controlada o presidente Donald Trump, enquanto Beyoncé e Adele brigavam pelos principais prêmios

Por Rafael Aloi - 13 fev 2017, 07h22

Adele e Beyoncé foram as protagonistas do Grammy 2017. Desde o anúncio dos indicados já se previa uma batalha de titãs (ou melhor, de divas) entre as duas. Toda a atenção estava voltada para elas na cerimônia, já que o álbum 25, da britânica, e o Lemonade, da americana, eram os dois trabalhos mais fortes na competição. No fim, Adele gabaritou e saiu com todos os cinco prêmios aos quais foi indicada, superando a amiga e ídolo Beyoncé. As duas eram o que todos queriam ver no palco da premiação, o que fez com que as poucas críticas às políticas de Donald Trump fossem eclipsadas pelas verdadeiras estrelas da noite.

Ao contrário de outras cerimônias, como o Globo de Ouro e o SAG Awards que tiveram um grande tom político, o Grammy foi mais sutil nesse aspecto. Uma das primeiras referências a situação atual dos EUA aconteceu no tapete vermelho, quando a cantora Joy Villa usou um vestido com as cores da bandeira americana e o slogan do novo presidente, ‘Make America great again’.

James Corden, o apresentador da cerimônia mencionou Trump logo no começo. Depois de uma entrada desastrosa em que não se sabia se aconteceu uma falha técnica no elevador que o levaria ao palco, ou se era tudo apenas uma piada forçada, o comediante fez um rap sobre todos os indicados e no meio soltou a seguinte frase: “Viver a nossa vida porque isso é melhor, mas com o Presidente Trump, você não sabe o que pode acontecer a seguir”.

Em seguida, Jennifer Lopez foi chamada para entregar o primeiro prêmio da noite, e deu um discurso com tom político sutil. “Neste ponto particular da história nossas vozes são mais necessárias do que nunca. Não há tempo para o desespero, nem lugar para auto-piedade, não há necessidade de silêncio e não há espaço para o medo. É com a linguagem que as civilizações se curam. Hoje à noite celebramos nossa linguagem universal, a música”, disse antes de anunciar os indicados a artista revelação.

Publicidade

Performances contra Trump – Katy Perry foi a primeira fazer uma performance criticando o presidente Donald Trump. A cantora não mencionou o nome dele, mas subiu ao palco com uma faixa no braço em que se lia “Resist” ou “Persist” (“Resista” ou “Persista”) e um cenário em que uma cerca branca subia aos poucos, uma referência ao muro que Trump quer construir na fronteira com o México.

A artista apresentou junto com Skip Marley, seu novo single, Chained to the Rhythm, cuja letra faz uma crítica aos que se acomodam diante da realidade. Ao fim uma imagem da constituição dos Estados Unidos foi projetada no cenário e cantora berrou: “Sem ódio”.

Mas a performance mais explícita contra o presidente dos Estados Unidos foi do A Tribe Called Quest, que apresentou o single We The People (que é a primeira frase da constituição americana). A banda de rap destruiu um muro falso construído no palco, enquanto imagens de protestos eram apresentadas no telão ao fundo. Um grupo diverso de pessoas se juntou a eles, incluindo mulheres com hijabs.

Show das divas – Adele abriu a cerimônia com uma performance sóbria e poderosa de Hello. Mas enquanto a britânica se apresentava, todos queriam saber onde estava Beyoncé, que não passou pelo tapete vermelho, e apenas seu marido Jay Z e sua filha Blue Ivy (vestida de Prince) eram vistos na plateia.

Publicidade

Adele passou por apuros na cerimônia. Durante um tributo ao cantor George Michael, que morreu no fim do ano passado, ela se mostrou bem nervosa e emocionada, e interrompeu a apresentação de Fastlove, dizendo que não estava fazendo jus ao colega, pedindo para recomeçar. Ela lembrou os problemas técnicos que teve na premiação de 2016 e a fizeram desafinar, o que não gostaria que acontecesse de novo durante a homenagem.

Beyoncé surgiu na cerimônia direto no palco,  apresentada pela própria mãe Tina Knowles. A cantora usou uma roupa quase sacra e veio acompanhada de diversas mulheres. Com a barriga de grávida de gêmeos bem evidente, a artista escolheu uma interpretação elaborada e artística de Love Drought e Sandcastles, as duas canções mais família do seu álbum Lemonade, que tem forte teor político e fala sobre empoderamento das mulheres e as raízes negras da cantora.

Lemonade e o hit Formation, de Beyoncé, foram preteridos pelos eleitores do Grammy nas categorias principais. Adele conquistou os prêmios  de melhor canção, gravação e álbum do ano (os mais importantes da cerimônia). Porém, mesmo quando era a hora de uma das estrelas bilhar, a outra não foi esquecida. Ao receber o troféu de álbum do ano — que acabou quebrando no meio –, a britânica fez um discurso falando justamente sobre o quanto admirava a colega. “Você é um modelo para mim. O seu álbum Lemonade é monumental. É tão bem pensado, tão lindo. Conhecemos um novo lado seu. Todos os artistas aqui te adoram. Você é a nossa luz. A maneira como você faz meus amigos negros se sentirem é empoderadora. Eu te amo, eu sempre amei”, dedicou a Beyoncé.

Publicidade