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Diretor de ‘Transformers’: ‘Críticos são os maiores desmancha prazeres do mundo’

No Rio para o lançamento mundial do filme, Michael Bay diz que escolha do Brasil se deve ao fato de o país ser um dos mercados que mais crescem no mundo

Por Ulisses Mattos - 20 jun 2011, 18h58

“Eu sou da velha escola, não gostava de 3D. Mas David Spielberg (produtor do filme) me convenceu. Também conversei muito com James Cameron sobre o assunto. Acabei achando muito divertido. Gasta-se mais tempo para gravar, mas conseguimos apresentar uma experiência em 3D de primeira classe”, diz Michael Bay

Com os holofotes cada vez mais voltados em sua direção no noticiário internacional, o Rio de Janeiro mostra que não servirá apenas como cenário para grandes produções de cinema. Com Transformers: O Lado Oculto da Lua, uma mega produção 195 milhões de dólares, a cidade pode se firmar como um bom local para campanhas de lançamento de blockbusters. O terceiro filme da franquia sobre robôs gigantes alienígenas que se transformam em carros teve em solo carioca a sua primeira exibição mundial para a imprensa, neste domingo, no Cinépolis Lagoon, na Lagoa. Mas nesse caso, o Rio está apenas se beneficiando de um feito nacional. “Viemos mostrar o filme primeiro aqui porque o Brasil é um dos mercados cinematográficos que mais crescem no mundo. Assim como a Rússia, para onde estamos indo hoje para fazer a première mundial”, explicou o diretor Michael Bay na entrevista coletiva que deu nesta segunda-feira, dia 20, no hotel Copacabana Palace, ao lado dos atores Josh Duhamel e Rosie Huntington-Whiteley.

Boa parte dos cariocas torce para que nomes consagrados como Woody Allen aceitem os planos de empresários e da Prefeitura para filmar na cidade. Mas são as megaproduções que vêm ajudando as bilheterias do Brasil a chamar a atenção dos executivos de Hollywood, cada vez mais de olho no mercado internacional, no qual faturam mais do que em seu próprio país. A expectativa é que o novo Transformers, que tem estreia prevista para 1 de julho no Brasil, seja mais um dos blockbusters a faturar bem em todo o mundo, como fez o filme anterior. “Transformers: A Vingança dos Derrotados” estreou em 2009 como a segunda maior arrecadação americana de todos os tempos, com US$ 60,6 milhões, e no Brasil chegou liderando a bilheteria. Curiosamente, o filme foi um fracasso de crítica, sendo também atacado pelos fãs de Transformers, formados na década de 80, com o desenho animado, as histórias em quadrinhos e os brinquedos. Mas a avaliação que o segundo filme teve não chega a ser um problema para Michael Bay.

“Os críticos estão sempre pegando no meu pé. Mas eu faço filmes para a platéia. A série Transformers é de filmes de verão. Os críticos são os grandes desmancha-prazeres do mundo!”, brinca Bay. Mas o diretor faz um mea culpa sobre o último filme, admitindo que podia ser melhor. “Estávamos perto de uma greve de roteiristas, foi tudo corrido demais. O roteiro ficou cheio de tramas em vários níveis. Foi difícil filmar daquele jeito. Eu queria muito fazer do terceiro filme algo melhor. Acho que o público vai gostar mais deste, porque a trama está mais clara”, diz Bay.

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“Foi um grande desafio estrear logo em um filme de Michael Bay, que exige tanto fisicamente dos atores. Depois que ele me convidou a fazer testes para o filme, fiquei chocada ao saber que ele me queria para o papel feminino principal. Demorei uns dias para aceitar, porque sabia que com isso minha vida iria mudar muito”, conta Rosie, eleita a mulher mais sexy do mundo pela revista “Maxim”. Mas Rosie parece ter os pés no chão ao falar de seu futuro como atriz. “Não sei se daqui a alguns anos vou querer fazer um drama, é tudo muito novo ainda, só estou atuando há cerca de um ano. Eu não me levo muito a sério. Quero fazer filmes de ação e comédia”, diz Rosie, já em negociações para um segundo filme, mas sem poder revelar do que se trata.

Em outro momento da carreira, o ator Josh Duhamel vai um pouco além de elogiar a franquia da qual está participando pela terceira vez, como o militar William Lennox. “Eu gosto muito de participar desses filmes, especialmente deste terceiro. Mas é bom participar de tramas em que a gente não se sinta inibido pelos grandes estúdios. Eu quero mostrar que posso atuar em papéis diferentes, não apenas em Transformers e comédias românticas. Preciso provar que faço mais do que as pessoas esperam”, diz Josh. Casado com a cantora Fergie, do Black Eyed Peas, o ator diz que não gosta muito do mundo das celebridades. “Eu gosto de ser ator, mas essa parte do estrelato não é para mim, não é por isso que estou na carreira. Não que eu tenha algo contra. A Fergie, por exemplo, nasceu para isso, adora os holofotes, passa o dia inteiro cantando e dançando. Mas eu prefiro ficar na minha”, diz o ator que vai participar do longa “Fire with fire”, do pouco conhecido diretor David Barrett, no papel de um homem que entra em um programa de proteção a testemunhas. “Preciso correr riscos, porque Oliver Stone não vai bater na minha porta oferecendo um papel”, argumenta.

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