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Diretor de novelas da Globo, Roberto Talma decide se aventurar no cinema

Diretor prepara adaptação de 'Gota d'Água' para a tela grande e assume direção artística do projeto Cinema Popular, que compreende seis longas

“A minha experiência em TV pode ser usada no cinema. São veículos diferentes, mas é a lente que faz ficar parecido.” Esse é o pensamento do conhecido diretor global Roberto Talma, que vai se aventurar nas telonas com a adaptação da peça Gota d’Água. Os direitos do musical de Chico Buarque e Paulo Pontes já foram comprados e Lázaro Ramos, Osmar Prado e Mariana Ximenes, convocados para o elenco. Em sua estreia no cinema, Talma reconhece a ousadia do projeto. “Se a pessoa não for pretensiosa, não sai de casa”, justifica.

O diretor afirma que não há a ambição de alcançar a façanha dos 10 milhões de espectadores estimados para Tropa de Elite 2. No entanto, acostumado a abocanhar boa audiência na TV – como nas novelas Saramandaia, Anos Dourados, Bebê a Bordo, Top Model e Perigosas Peruas -, tentará fazer um filme de fácil entendimento, para atingir o máximo de pessoas. “A classe C domina o Brasil hoje”, acredita. E aposta na história da peça, uma adaptação de Medeia, de Eurípedes, para seduzir o público: “As tragédias estão próximas de todos nós”

O filme faz parte do projeto Cinema Popular, lançado nesta terça-feira pela Coqueirão Pictures, cujos sócios são Raphael Vieira e Diogo Dahl, filhos, respectivamente, de Talma – diretor artístico do projeto – e do cineasta Nelson Pereira dos Santos. A ideia é lançar seis filmes em três anos e meio para reduzir os custos. Até 2014, chegarão aos cinemas os longas Dores de Amores, Bamo Nessa, Gota d’Água, Amor olímpico, How to Be a Carioca e A Casa dos Budas Ditosos.

Para Raphael, essa sequência cinematográfica vai movimentar o mercado. “A cada seis meses lançaremos um filme. Quando você tem ritmo, tem qualidade e velocidade de produção. Temos um planejamento e trabalharemos com a mesma equipe.” A estratégia é produzir longas que abordem temas diferentes para atrair um público diverso. “Estamos fazendo filmes de todo tipo. Faremos as pessoas chorar, rir, se emocionar – e ir ao cinema. As pessoas querem ir ao cinema”, afirma Raphael.

Um dos precursores do Cinema Novo, o cineasta Nelson Pereira foi ao evento para prestigiar o filho. No embalo da discussão sobre cinema brasileiro, adiantou seus dois novos filmes sobre Tom Jobim. O primeiro, chamado A Luz do Tom – com depoimentos da irmã, da primeira mulher e da viúva de Tom – já está pronto. O outro, A Música Segundo Tom, está em fase de montagem. O filme ainda não tem distribuidora.