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David Hockney ataca Damien Hirst e gera polêmica no panorama artístico

Por Da Redação - 3 jan 2012, 15h26

Londres, 3 jan (EFE).- O pintor inglês David Hockney gerou uma intensa polêmica no panorama artístico britânico ao lançar um duro ataque contra o artista Damien Hirst, o qual foi criticado por utilizar assistentes e não realizar ele próprio suas obras.

No cartaz da próxima exposição do pintor de 74 anos – que será inaugurada dia 17 de janeiro, na Royal Academy of Arts de Londres -, uma frase acaba chamando atenção: ‘Todos estes trabalhos são feitos pelo artista, pessoalmente’.

Em entrevista publicada nesta terça-feira na revista ‘Rádio Times’, Hockney reconhece que se refere diretamente ao polêmico multimilionário Damien Hirst, conhecido por suas esculturas de animais dissecados e por sua caveira de diamantes, que foi vendida por US$ 78 milhões.

Durante a entrevista, o pintor, considerado um dos artistas britânicos mais influentes do século XX, se exalta quando é perguntado se a frase do pôster se refere a Hirst e acrescenta: ‘É um pequeno insulto aos artesãos, habilidosos artesãos’.

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Hirst, que ganhará uma retrospectiva a partir de abril no museu Tate Modern de Londres, não respondeu ao ataque de Hockney. No entanto, o multimilionário sempre defendeu sua opção de utilizar assistentes para concretizar suas criações, como seus famosos quadros de círculos de cores – por exemplo.

No ano de 2007, em referência à mesma coleção, que traz obras de todas as cores e tamanhos possíveis, Hirst disse: ‘quando vendo um, uso o dinheiro para pagar pessoas que façam mais. Eles fazem melhor que eu, que chego a ficar impaciente’.

Aos 46 anos, Hirst é um dos artistas vivos mais cotados no Reino Unido e faz parte do movimento artístico conhecido como Young British Artists, formado nos anos 90 na escola Goldsmisth de Londres. O movimento é reconhecido por seu lado conceitual e pela capacidade de promoção dos artistas.

O comentário de David Hockney, que foi agraciado no último 1º de janeiro com a Ordem do Mérito por parte da rainha Elizabeth II, abriu o eterno debate entre a arte conceitual e a técnica.

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No jornal ‘The Independent’, o artista multimídia Michael Petry criticou o ataque de Hockney e explicou que se pode dizer que essa não é a maneira na qual um artista quer trabalhar, porém, ‘não é necessário atirar pedras contra outros’.

Autor do livro ‘The Art of Not Making’, que aborda o uso de assistentes por parte de artistas, Petry considera que os comentários de Hockney ‘pretendem apagar um século inteiro de arte contemporânea’. EFE

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