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“Dany é durona, eu sou tímida e odeio ser o centro das atenções”, diz Emilia Clarke, de ‘Game Of Thrones’

No papel da princesa que se torna uma guerreira, a atriz britânica garante que a quarta temporada da série será tão eletrizante quanto a última e que sua personagem ainda sofrerá muitas mudanças

Reconhecer a atriz britânica Emilia Clarke na rua não é das tarefas mais fáceis. Na vida real, a intérprete da guerreira Daenerys Targaryen, Dany para os íntimos, da série Game of Thrones, tem um belo cabelo castanho na altura dos ombros e apenas 1,57 m de altura. No seriado de fantasia baseado nos livros de George R.R. Martin, Emilia se destaca pela longa peruca loira, quase branca, e por viver uma frágil princesa que, com o tempo, se transforma na forte líder de um exército e feliz proprietária de três dragões.

Inexperiente, a garota foi uma aposta – que deu certo – dos produtores do programa. Aos 26 anos, Emilia já conquistou com o sucesso da série uma indicação ao Emmy de melhor atriz coadjuvante em 2013, a chance de estrelar uma peça na Broadway e o papel principal no próximo filme da série O Exterminador do Futuro. No entanto, seu foco ainda é o seriado de fantasia, que retorna com a quarta temporada neste domingo, no canal por assinatura HBO.

Segundo Emilia, os dez novos episódios, baseados na segunda metade de A Tormenta de Espadas, o terceiro livro da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, serão tão intensos quanto a temporada anterior, enquanto sua personagem, uma das mais queridas dos fãs, vai passar por novas transformações.

A terceira temporada de Game of Thrones foi muito intensa. Acha que a quarta vai conseguir manter o mesmo ritmo? Com certeza. Creio que conseguimos na quarta temporada trabalhar bem com tudo o que aconteceu na terceira. Estamos muito animados para que todos vejam a nova fase e espero que os fãs gostem do que fizemos. Mas eu entendo a preocupação, não consegui superar a intensidade do episódio Casamento Vermelho até hoje.

O que podemos esperar de Daenerys? Conforme Dany consolida seu poder, ela terá que lidar com as dificuldades que surgem quando alguém se torna um líder. Ela terá que responder perguntas como ‘em quem posso confiar?’ ‘Quem vai tentar me parar?’. Na hierarquia, Dany vai lutar pelo direito de sentar no Trono de Ferro, para governar Westeros. Ela mudou muito desde a primeira temporada, e os fãs podem esperar por mais mudanças. Ela está nessa jornada de autodescobrimento. Acho que a personagem se surpreende cada vez que descobre o quão forte ela pode ser. Contudo, no fundo, ela sabe que não existe escolha. Dany tem que ser forte se quiser sobreviver.

Qual característica de Dany você mais admira? Ela tem compaixão em um mundo em que a maioria não tem. E ela é imparcial de acordo com as circunstâncias, afinal, esta é uma luta de vida ou morte.

Você se sente insegura ao assumir uma das personagens mais popular da série? Eu sabia que os fãs dos livros ficariam de olho em tudo o que eu fizesse. Eles convivem com estes personagens há anos e têm ideias pré-concebidas sobre como eles são. Por isso, os livros são a minha base, que me ajuda a ter um senso sobre quem ela era, quem é e quem ela ainda vai se tornar.

Como lidou com as cenas de nudez no início da série? Eu fiquei aterrorizada. Mas sem aquelas cenas, em que ela era usada por aqueles homens, o triunfo de sua jornada não seria tão significativo agora. A superação de todo o sofrimento diz muito sobre a força da personagem.

E agora ela lidera um exército de homens. Sim, e isso é ótimo para mim, para manter minha cabeça erguida. Sou muito sortuda de poder atuar com todos eles, e não com pessoas feitas por efeitos especiais. Ter o exército ao meu lado me ajuda a entrar no personagem, a estar no comando.

Acha difícil trazer para a realidade uma fantasia como Game of Thrones? Acho que a nossa sorte está no fato de termos bons roteiristas. Eles são capazes de fazer todo o cenário se tornar verossímil, de um modo que nós não questionamos, simplesmente aceitamos que um dragão existe, por exemplo.

Você se identifica com a personagem de alguma maneira? De certo modo sim. Ambas tivemos que enfrentar novos desafios e mudamos bastante ao longo da série. Ela precisou lutar para se estabelecer no lugar em que tinha direito e eu aprendi muito sobre mim mesma. No começo tudo me impressionava, mas agora me sinto mais estável e capaz. Assim como Dany, estou mais confiante. Também somos opostas em vários sentidos. Ela sabe qual seu destino e tem foco para isso, que são características que eu não tenho. Ela é durona, uma combatente, enquanto eu sempre fui bem tímida e odeio ser o centro das atenções.

Por que quis ser atriz então? Exatamente por causa disso. Quando estou no palco ou em frente a uma câmera, não sou mais eu, e sim a personagem. Eu posso ser todas essas pessoas que eu nunca teria coragem de ser na vida real.

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Você fez poucos trabalhos antes de Game of Thrones. Como foi, de repente, ser parte de uma das maiores produções da história da TV? Eu fiquei desesperada no meu primeiro dia. Eu perdi o controle de um dos cavalos em frente a centenas de pessoas e quase morri de vergonha. Mas acho que a adrenalina também te ajuda a se esforçar mais. Eu sabia cavalgar, mas logo percebi que precisava treinar mais essa habilidade para prosseguir.

O sacrifício valeu a pena. Ano passado você foi indicada ao Emmy de melhor atriz coadjuvate. Eu ainda mal consigo acreditar nesta indicação. Foi uma surpresa. Ainda mais no ano em que Peter Dinklage (Tyrion Lannister) e Diana Rigg (Olenna Tyrell) também concorreram e são dois atores da série que admiro muito. Esses detalhes significam muito para mim.

Então não se importou de perder o prêmio? Não, só ser convidada para a festa já foi suficiente. Nós filmamos tão longe de Hollywood que costumamos pensar que não seremos lembrados em premiações e eventos.

É verdade que você só conheceu pessoalmente alguns dos atores da série no Emmy? Pois é, essa é uma brincadeira dos bastidores. Achamos engraçado que a maioria de nós só se encontra em premiações ou em fotos de divulgação da série. Eu assisto ao seriado e fico impressionada com o trabalho dos outros atores que nunca encontro, e ansiosa pela possibilidade de realmente atuarmos juntos um dia.

A boa fase na TV foi contrastada com sua estreia na Broadway no ano passado, na peça Bonequinha de Luxo, que não recebeu boas críticas. Como lidou com isso? Não me arrependo de nada. Eu sabia que não seria capaz de fazer como Audrey Hepburn no cinema, mas eu quis ver como seria fazer uma personagem ao meu modo, e acho que consegui isso. Amo me arriscar. Às vezes dá certo, às vezes não. Não trocaria aquela experiência por nada. Com certeza eu pretendo voltar a trabalhar no teatro um dia. Amo o teatro, seja no palco, nos bastidores ou na plateia.

Com o sucesso de Game Of Thrones você deve receber diversas propostas de trabalho. Como decide pelo que vai ou não fazer? Para mim, é sobre quem estará no projeto. Como o filme A Recompensa (2013). Que garota recusaria atuar ao lado de Jude Law?

Mesmo que ele interprete seu pai no filme? Bem, isso me decepcionou um pouco (risos). Até porque fizemos as contas, ele tinha 14 anos quando eu nasci!

No tapete vermelho do SAG Awards, você chamou a atenção do ator Jared Leto, que fez diversos elogios a sua beleza. Porém, pouco se sabe da sua vida pessoal. Minha vida é tão corrida que nem penso em namorar. Seria muito difícil manter uma relação agora. Também sou uma pessoa muito discreta. Então não me imagino sendo fotografada durante um encontro, por exemplo. Seria bem estranho.

Quais são seus próximos planos? Vou participar no novo filme do Exterminador do Futuro, no papel da Sarah Connor. Eu amava assistir aos filmes quando era mais nova, então atuar em um dos longas da série será uma experiência maravilhosa. Não posso dar spoilers, mas posso dizer que se chamará Terminator: Genesis (O Exterminador do Futuro: Gênesis, em tradução livre). E Alan Taylor, que me dirigiu em alguns episódios de Game of Thrones, será o diretor.