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Damien Hirst: ‘Toda cidade é um lugar fragmentado’

Em entrevista concedida a Tim Marlow, ex-diretor de exposições da White Cube, cedida pela galeria ao site de VEJA, britânico que é o artista mais rico do mundo fala da exposição que apresenta agora em São Paulo

Primeira mostra individual do britânico Damien Hirst no Brasil, Black Scalpel Cityscapes ou ‘Negras paisagens urbanas com bisturis’, em tradução direta, reúne imagens aéreas de cidades que lembram grandes fotografias em preto e branco — exceto pelo fato de que, no lugar do papel estampado, o que formam as ruas e estruturas arquitetônicas como o Maracanã, no Rio de Janeiro, são alfinetes e lâminas de bisturis. O Rio se une a São Paulo, Londres, Berlim e Bagdá, entre outras localidades retratadas por Hirst na série que toma desde a semana passada a filial paulista da galeria White Cube. A exposição tem entrada gratuita.

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“Escolhi só o preto e as lâminas de bisturi, mas claro que as imagens são cheias de cor porque refletem tudo o que está em volta delas. As cidades são assim”, diz Hirst a Tim Marlow, ex-diretor de exposições da White Cube e atual diretor artístico da Royal Academy, em entrevista cedida pela galeria ao site de VEJA. “Você não pode entrar na casa das pessoas, as cidades são muito fragmentadas. Toda cidade é um lugar fragmentado. Ao olhá-las, você vê seu próprio mundo. Onde quer que as coloque, elas voltam fragmentadas como no reflexo das lâminas de bisturi.”

Na mesma entrevista, Hirst explica que muito do que faz é baseado em sentimentos, por isso obras que causam controvérsias como os animais mortos mergulhados em taques de formol parecem adequadas a ele quando criadas. “Quando fiz as cabeças de gado no tanque, lembro de pensar que aquilo era importante. Hoje, quando se olha para elas com todas as decapitações acontecendo no mundo árabe, se torna muito importante”, afirma. “A mesma coisa acontece com os bisturis. Em um certo momento, você percebe que percisa de mapas, e então faz o que pode para produzi-los.”

Outra obra de Hirst a causar controvérsia foi a caveira cravejada de diamantes, batizada de For God’s Sake (‘Pelo Amor de Deus’, em português), já negociada por 78 milhões de dólares. O crânio é feito de platina, com dentes autênticos de uma caveira do século XVII comprada por Damien Hirst. A testa é ornamentada por um grande diamante rosa de 52 quilates. Vista por alguns como mera ostentação, a obra é, por coincidência, criação do artista que é considerado hoje o mais rico do mundo — em 2008, ele faturou mais de 500 milhões de reais em apenas dois dias de leilão.

Hirst faz parte do movimento artístico conhecido como Young British Artists, formado nos anos 1990 na escola Goldsmisth de Londres. O movimento é reconhecido por seu lado conceitual e pela capacidade de promoção dos artistas.