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‘Custo R$ 200 mil por mês’, diz a socialite-influenciadora Monique Elias

Vinda de Nilópolis, ela se casou com um milionário quarenta anos mais velho e virou a nova rainha das emergentes

Por João Batista Jr. - Atualizado em 20 dez 2019, 10h18 - Publicado em 20 dez 2019, 06h00

 

FLASH – Em Noronha: produtor e roteirista particulares para o canal no YouTube Monique Elias/Arquivo pessoal

De tempos em tempos surge uma locomotiva social que chama atenção por seus hábitos extra­vagantes de consumo, pela disposição em querer aparecer e pela falta de papas na língua para falar de sua dolce vita. São personagens que costumam receber olhares tanto de admiração quanto de crítica. O expoen­te mais reluzente do momento nessa categoria é Monique Elias. De uma família pobre de Nilópolis, na Baixada Fluminense, ao topo da Barra da Tijuca, ela é a nova rainha das emergentes. Mora em uma casa de quatro andares com elevador (“Sou vizinha de Marina Ruy Barbosa”), tem duas fazendas, onde só pisa com seu salto Louboutin levada pelo helicóptero particular (“Quem aguenta o trânsito do Rio?”), não sabe quantas bolsas pululam em seu closet (“Devo ter mais de trinta Chanel”), e sua rotina custa, por mês, cerca de 200 000 reais (“Fora o gasto com os doze empregados”).

A voluptuosa morena de 38 anos habituada a ter do bom e do melhor jura não ser movida a luxos. “Grifes e viagens são parte do meu dia a dia, tenho carros de verdade, tipo Land Rover e BMW, só me impressiono com coisas que emocionam.” Um exemplo prático para entender essa linha de raciocínio: casada com Itamar Serpa, 78 anos, dono do império de itens de higiene e cosméticos Embelleze, que emprega 10 000 funcionários e tem como meta faturar 1 bilhão de reais em 2020, certa vez ela ficou possessa após dar uma espiadela no WhatsApp do marido e mandou que ele passasse uns dias fora de casa. A quizumba acabou sendo solucionada quando Serpa, arrependido da escapada digital, apertou a campainha da mansão segurando uma caixa cheia de pedaços de cana. Qual foi a reação dela diante de tanta doçura? “Esqueci a raiva e comecei a chupar cana”, conta.

Com um padrão de sinceridade acima da média dentro do universo das socialites, no qual manter a aparência é tudo, Monique não posa de empoderada, não faz discurso feminista e vai direto ao ponto. Nique, como é conhecida pelos íntimos, assume, sim, ser interesseira. “Não é o dinheiro que me dá tesão, mas o poder: um homem com história tem referências, não chegou aonde chegou do nada.” E foi “do nada” que Nique conheceu Serpa. Nascida na periferia de Nilópolis, ela vinha de um casamento frustrado com um homem 28 anos mais velho, de quem sofria agressões e humilhações contínuas. Decidida a ganhar independência financeira, passou na faculdade de direito e conseguiu um estágio na Defensoria Pública.

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CAIU NA REDE – Com Serpa, na Tailândia: paixão à primeira curtida no Facebook Monique Elias/Arquivo pessoal

O destino mudaria quando uma mulher chegou disposta a mover uma ação de alimentos justamente contra Serpa, com quem tivera um filho em uma relação breve. No meio do processo, havia prints da página de Facebook de Serpa. Nique pediu para ser amiga, ele aceitou e curtiu suas fotos. Ambos usaram o recurso da cutucada. Foi amor à primeira teclada. “É claro que, pelo fato de ser esse empresário famoso, fiquei lisonjeada por ter dado bola para mim”, lembra. Ao contrário do que dizem as más-línguas, Monique não foi o pivô do divórcio de Itamar com sua primeira mulher, Josefina Beltrame Fernandes. “Eles estavam separados, não divorciados, e ela viveu com um novo companheiro por mais de vinte anos”, afirma Monique. Ela e Serpa se casaram no papel no fim de 2018, já com filhos gêmeos e dez anos de relacionamento. “Antes de mim, ele teve muitas namoradas. Eu exigi que parasse tudo. As mulheres vão para cima mesmo.” Sem papas na língua, jura que a diferença de idade não os impede de viver em constante clima de lua de mel. “Homens maduros fazem questão de mostrar que continuam na ativa”, teoriza.

Nos últimos dois anos, Monique investiu em produtores, roteirista e câmeras para profissionalizar seu canal no YouTube, batizado de No Pique da Nique, onde fala de toda sorte de assun­tos e soma 100 000 inscritos. No Instagram, tem 830 000 seguidores. O sucesso digital rende convites para fazer posts pagos e eventos. Nem tudo, no entanto, o dinheiro compra. “Nunca ouvi falar dessa mulher”, diz Vera Loyola, ícone das emergentes da Barra da Tijuca. “A Monique tem uma vibe Orlando: rica, porém cafona. E, antes de quebrar a bolha, ela precisa ser conhecida pela alta sociedade”, diz outra mulher, que não quis se identificar. A criticada dá de ombros. “Olha, entro em casa de ricos das antigas e vejo a decoração ruim, paredes descascadas. Eles não têm opção: precisam nos aceitar.” Verdade seja dita, Monique não anda montada no dia a dia e está longe de ser arrogante no trato. É conhecida por não medir esforços para se aproximar dos holofotes. Seu cartão de crédito salta da bolsa na hora de dar presentes aos famosos, e comenta-se que teria investido alto para desfilar como musa da Imperatriz Leopoldinense em 2018.

PARA CAUSAR – Malévola sexy, com a “amiga” Narcisa, pose-ostentação com helicóptero e pulinhos no Oriente: a emergente quer ser influenciadora Monique Elias/Arquivo pessoal

A generosidade tem limites. Certa vez, Narcisa Tamborindeguy, dona de um sobrenome tão coruscante quanto sua personalidade, fez o traslado Copacabana-Barra para jantar na casa da emergente de olho em possível contrato com a Embelleze. Não deu em nada. Se Nique fica incomodada por não ter sofisticação nem entrada entre artistas e intelectuais como tinham as socialites das antigas Carmen May­rink Veiga, no Rio, e Patsy Scarpa, em São Paulo? “Imagine, tenho orgulho de onde vim e nunca fiz aula de etiqueta. Não quero ter a vida dos outros.” A ausência de sangue azul é compensada pelo poderio econômico. “Seja dinheiro antigo ou novo, o fato é que a Barra movimenta o comércio de luxo no Rio, lá estão empreendedores na ativa, não os herdeiros”, diz o empresário Bruno Chateaubriand.

Acostumada a viajar para todos os cantos do mundo, com um fraco por Dubai e Tailândia, Nique vai desbravar em janeiro a Turquia. “Só estou pensando nas joias de lá; mas joias mesmo, não uso prata.” Sua vida hoje é bem diferente da que tinha na infância. Nascida no subúrbio de Nilópolis, foi criada pelos avós (com o pai, bicheiro, só começou a ter contato aos 15 anos; a mãe aparecia de vez em quando). “Eu usava camisetas de vereador”, lembra. Mas os tempos são outros e, claro, Nique não é 100% fiel aos produtos voltados para a classe C da Embelleze: também faz a festa com cremes de marcas mais sofisticadas, como Kérastase. “Compro até para podermos copiar.” Como Nique diz, na vida é tudo uma questão de interesse.

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200 000 por mês, fora os doze empregados

Monique Elias fala de luxos, joias e da infância pobre em Nilópolis.

A senhora tem 38 anos e seu marido, Itamar Serpa, 78. Fica ofendida quando alguém a chama de interesseira? Eu me considero interesseira mesmo. Vamos ser honestos: tudo na vida é troca de interesses. Eu coloco um filho em certa escola porque quero uma boa educação. Analiso o perfil antes de ser amiga de alguém. Vale o mesmo para marido. Ser rico é importante, mas não é o dinheiro que me dá tesão. Já o poder… Gosto de homem com história, e dinheiro é resultado do que plantou na vida.

Já sofreu preconceito pelo fato de seu marido ser quarenta anos mais velho? Sim, mas posso dizer que até eu mesma tive preconceito. Eu não queria dar filho ao Itamar porque achava que poderia nascer com alguma doença, como autismo. Ele insistia, e achamos legal ter. Já estava grávida de gêmeos onze dias após parar de tomar remédio.

Quando conheceu o Itamar? Eu, então estudante de direito, fazia estágio na Defensoria Pública. Foi quando atendi uma mulher em uma ação de alimentos contra o Itamar, de um caso que tiveram. No processo, havia prints da página de Facebook dele. Corri para adicioná-lo. Ele aceitou, curtiu todas as minhas fotos e me “cutucou”.

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Quanto custa por mês manter Monique Elias? Fui convidada para o cruzeiro do Wesley Safadão, mas fui e voltei no meu helicóptero. Para as fazendas, vamos também de helicóptero e, no Brasil, andamos no nosso jato. Amo joias, tenho um cofre carregadão. Não fiz as contas, mas custo alto. Acho que uns 200 000 reais por mês, e esse valor não inclui os doze empregados. Todos se sentam comigo à mesa. Somos iguais.

Não tem medo de usar suas joias? Não, mas tenho segurança e carro blindado. Por esses dias, fui a um casamento cheio de famosas. Todas me perguntaram como eu dançava sem medo, coberta de brilhantes e esmeraldas. Ué, era tudo meu mesmo. Já elas dançavam e conferiam os brincos, todos emprestados.

Gosta de obras de arte? Tenho Monet, Iberê Camargo e Romero Britto. Já os tapetes persas, mandei enrolar e colocar no quarto do motorista porque as crianças queriam rabiscar.

Faz compras quando vai ao exterior? Antes de Orlando, eu tinha casa em Miami. Por que ir à praia se moro no Rio? Gosto de shopping. Meu máximo foi voltar com dezenove malas de bagagem.

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Sua vida hoje é bem diferente de sua infância, não? Nasci em Nilópolis. Minha mãe me deixou aos 3 meses e meu pai veio a ter contato comigo quando completei 15. Apanhei muito. Não passei fome, mas nunca tive boneca, usava roupa doada e escovava os dentes com sabão de lavar roupa.

Publicado em VEJA de 25 de dezembro de 2019, edição nº 2666

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