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Curtas brasileiros vão a Cannes na raça

'Pátio', de Aly Muritiba, e 'Pouco Mais de um Mês', de André Novais Oliveira, são apresentados nesta quarta-feira no festival de cinema francês

Em termos de longas-metragens, a presença brasileira nos festivais internacionais tem sido tímida. Mas os curtas nacionais vão muito bem. Uma prova é o Festival de Cannes, que tem dois filmes brasileiros – um de Curitiba (PR) e outro de Contagem (MG) – selecionados para as mostras paralelas Semana da Crítica e Quinzena dos Realizadores depois de passarem no Festival de Tiradentes, em janeiro.

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Pátio, de Aly Muritiba, exibido nesta quarta-feira na Semana da Crítica, mira sua câmera para a área de lazer de uma penitenciária no Paraná. Ali, no retângulo de dimensões modestas, os presos são vistos de longe, através de uma grade, jogando futebol, capoeira e conversando sobre família e liberdade. Já Pouco Mais de um Mês, de André Novais Oliveira, que é apresentado hoje e amanhã na Quinzena dos Realizadores, mostra André (o próprio diretor) e sua namorada Élida (interpretada pela namorada do cineasta, Élida Silpe) numa manhã qualquer. O casal conversa, expondo suas dúvidas e inseguranças sobre o relacionamento.

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Para ambos os diretores, o cinema não foi uma opção imediata. “Fui ao cinema pela primeira vez aos 18 anos, na minha cidade natal não havia sala”, explicou Muritiba, que nasceu na Bahia. Ele teve diversos empregos, inclusive como agente penitenciário, o que lhe rendeu sua trilogia do cárcere, formada por Pátio, A Fábrica (2011) e pelo longa documental A Gente, que está em finalização. Quando se mudou de São Paulo, onde estudou história, para Curitiba, procurou um curso gratuito e encontrou o de cinema. Logo na sequência, começou a se mexer com seus amigos para fazer seus curtas. Agora, prepara seu primeiro longa de ficção, O Homem que Matou a Minha Amada Morta.

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20 dias – André Novais Oliveira também estudou história depois de cursar edificações no colégio técnico. Apaixonado por fotografia e incentivado pelo irmão a ir ao cinema, descobriu um curso, e assim começou sua carreira. De 2004 para cá, foram seis curtas-metragens. “Faço porque amo. Curto estar com as pessoas de que gosto, faço pela amizade também”, disse. Da ideia ao primeiro corte da montagem, Pouco Mais de um Mês levou cerca de 20 dias. Agora, ele também se prepara para rodar seu primeiro longa-metragem, Ela Volta na Quinta-Feira.

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Os dois curtas foram feitos com muito pouco dinheiro, sem leis de incentivo – nessas horas, a tecnologia mais barata ajuda e muito. “Não tenho paciência de ficar esperando”, afirmou Muritiba. “Sou novo, cheio de pique e gosto demais de fazer cinema.” Sua produtora, a Grafo, preparou um cronograma para organizar o fluxo dos trabalhos. Na Filmes de Plástico, que André Novais Oliveira divide com três amigos, os projetos são feitos com ou sem dinheiro. “Mas o certo é fazer com, para que as pessoas recebam.”